quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Frase bonita...

"Yesterday is history, tomorrow is a mystery, but today is a gift, that's why is called present."

Se você achou que a frase acima é de um filme cabeça, filme de arte, errou.
Foi tirada da animação Kung Fu Panda.
Achei bonita, coloquei aqui...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Rebobine, Por Favor


Fez falta a parceria com o roteirista Charlie Kaufmann neste novo filme do diretor de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Michel Gondry.
Rebobine, Por Favor tenta ser criativo o tempo todo mas o resultado fica aquém do anunciado. Apesar do argumento interessante, o filme acaba cansando. Até mesmo a tentativa de homenagem à sétima arte no final fica só na tentativa. O filme tem boas idéias, tem um Jack Black sem controle (e chato, às vezes...) e não consegue engrenar.
O diretor afirmou na coletiva que seu filme era uma comédia fantástica.
Lembrei do comentário do Hitchcock que disse que todo filme nasce no papel.
Faltou roteiro monsieur Gondry!..
Reconsidere, por favor.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Curioso Caso de Benjamin Button

Começam a chegar os favoritos para o Oscar 2009...o primeiro a aportar por aqui é O Curioso Caso de Benjamin Button de David Fincher, diretor respeitado de Zodíaco (que eu gostei) e Clube da Luta (que eu achei mérdio...).
O filme estréia aqui em 16 de janeiro e já está aguardadíssimo.
Tem Brad Pitt e Cate Blanchett no elenco. Conta a história de um homem que nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo com o tempo. Baseado no clássico de F. Scott Fitzgerald de 1929. O trailler é sensacional e dá muita vontade de ver!
Comento assim que conferir a cabine...

domingo, 14 de dezembro de 2008

DVD's do fim de semana...

Domingo foi dia de rever DVD...Tudo Acontece em Elizabethtown, Eu Robô, Contos Proibidos do Marquês de Sade, Wallace & Gromitt e Rocco e Seus Irmãos...
Depois não sei porquê tô com dor de cabeça...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Federico e Giulietta

...ouvindo Più Bella Cosa sexta à noite não sei porquê mas me fez lembrar de um casal que viveu uma das mais bonitas histórias de amor fora das telas...Federico e Giulietta ficaram casados 50 anos. Fellini morreu em outubro de 1993 e Masina se foi 5 meses depois. Em seu último ano de vida, Fellini recebeu uma bela homenagem da Academia que lhe deu um Oscar honorário. No discurso de Fellini há um das declarações de amor mais emocionantes que eu já vi...clique aqui e reveja.


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Ibope de Woody Allen

Passou ontem na Globo, Match Point, o filme que o próprio Woody Allen disse ser seu preferido. Fiquei curioso para saber a audiência e fui atrás...A novela encerrou com 45 pontos de média, entregando bem alto para o filme. Match Point no entanto ficou com 19 pontos de média, índice considerado baixo. Foi estranho ver as inúmeras chamadas que a emissora soltou nos dias anteriores, vendendo um 'drama', uma história de ambição, infidelidade e mentiras numa locução bem 'grave' que de repente se transformava quando anunciava o nome do diretor de forma 'engraçadinha' "Um Filme de Woody Allen", batendo na velha tecla de que Woody Allen é um diretor só de comédias...
Apesar de não ser um filme "cabeça", definitivamente não é um filme para o grande público.
Mas é um filmaço!...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fernando Meirelles e seu Ensaio...

Não cheguei a comentar aqui o que achei de Ensaio Sobre a Cegueira de Fernando Meirelles. Vi o filme e li o livro. Acho impossível alguém fazer melhor do que Fernando fez. O livro é difícil de ler, quanto mais de filmar. Fiquei muito feliz com o encontro com o diretor, um cara de muita experiência e uma simplicidade cativante. Comentou do seu jeito claro e articulado, a falta de bons roteiros e roteiristas. E que pretende investir em novos talentos da escrita no ano que vem. Me chamou a atenção a maneira como se referiu a Ensaio..."um fracasso...". Falou também que o mercado de DVD's acabou em alguns países, não por causa do Blue Ray, mas por culpa da pirataria. Contou sobre Som e Fúria, seu último produto na Globo, que estréia em fevereiro. Vamos conferir, claro...Fernando Meirelles merece nossa audiência sempre. Até nos seus "fracassos"...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Exterminador de volta em 2009...


Quem achou que a série Terminator (Exterminador do Futuro) tinha 'terminado' quando Schwarzenneger deixou de ser um robô para virar um burocrata, enfim, quem achou isso se enganou.
Vem aí em junho do próximo ano mais um filhote dessa franquia que pelo jeito vai longe...Terminator - Salvation (Exterminador : A Salvação). Dessa vez sem o Arnoldinho (que anda um pouco ocupado governando a California e fumando charutos...), o filme terá Christian Bale (o Batman) no papel de John Connor, o ex-garoto (agora crescido) que já recebia a visita do andróide desde antes de nascer...

Se quiser ver um trailler clique na figura do Exterminador (que tá cada vez mais parecido com o Iron Maiden...).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

007 - Quantum Of Solace

Se Sean Connery foi o melhor 007 para o mundo nos anos 60/70 com todo o charme, virilidade e eficiência que James Bond pedia, o mesmo se pode dizer de Pierce Brosnan nos anos 90 e, sem dúvida nenhuma, de Daniel Craig no século XXI (não vou citar o do Roger Moore porque sempre achei esse kitsch demais...). Não dá pra imaginar um ator fazendo melhor do que Daniel Craig essa transição do 007 para as platéias destes tempos. Um público mais acostumado com a violência e pouco sofisticado.
Os mais puristas, antigos fãs da série vão reclamar. Dou uma certa razão pra eles...senti falta da frase lapidar “- Meu nome é Bond. James Bond.” que marcou todos os filmes da série. É a primeira vez que ela não aparece. Isso eu achei mancada...é como nas apresentações de ginástica olímpica em que os atletas devem criar performances novas mas têm que realizar os movimentos obrigatórios. Outra mancada foi a distribuidora não ter encontrado uma tradução satisfatória para o título e lançá-lo no país com o nome “Quantum of Solace”... Seria ao pé da letra algo como uma Partícula de Consolação. Em Portugal chamou-se O Consolo Atômico...
Outra descaracterização é esse James Bond passar o filme inteiro com dor de corno (foi traído pela namoradinha do filme anterior, Casino Royale, aliás uma história muito melhor contada...) e ainda por cima deve ser brocha. Esse 007 só pega uma mulher e a mais gostosa, uma atriz ucraniana, ele não come...Com disse, só pode ser um brocha...
Gostei do vilão francês, interpretado pelo mesmo ator que fez O Escafandro e A Borboleta (você já viu? é sensacional!). A coincidência é ele ser chamado de Dominic nos dois filmes.
O que não é coincidência, muito pelo contrário é a incrível semelhança entre este 007 e a série Bourne. O diretor assistente responsável pelas cenas de ação de Quantum Of Solace é o mesmo de Ultimato Bourne. O mais curioso é que Robert Ludlum criou seu personagem Jason Bourne porque não gostava do estilo mais fantasioso de Ian Fleming, autor/criador de 007. Jason Bourne foi tão inspirado em James Bond que até as iniciais são as mesmas. E hoje, passadas décadas de espionagem, é James Bond quem tenta ser Jason Bourne. Interessante, não? Repare como a cena em que Bond persegue um criminoso nos telhados da Itália lembra demais a perseguição de Bourne nos telhados do Marrocos...
O filme peca na história que nunca é bem desenvolvida mas tem as cenas de ação mais incríveis da série em todos os tempos.
O diretor do filme é Marc Forster, um cara que eu admiro, fez O Caçador de Pipas, Em Busca da Terra do Nunca, Mais Estranho Que A Ficção, etc...e o roteirista é o mesmo de Menina de Ouro e diretor de Crash, mister Paul Haggis...ou seja, só fera na produção.
Não fizeram um grande filme de James Bond mas que vale a pena assistir, isso com certeza!...

Confira onde está passando aqui.

domingo, 2 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

É assim mesmo, sem vírgulas, sem rodeios, que se escreve o título do novo filme de Woody Allen e que Juan Antonio aborda duas turistas americanas num restaurante em Barcelona: "- Que tal passarmos o fim de semana juntos, apreciando arte, bebendo vinho e fazendo sexo?"
O convite vem de um pintor conhecido na região feito por Javier Bardem. As turistas, Scarlett Johansson e Rebecca Hall, se assustam, debocham, resistem mas acabam cedendo ao convite. O filme começa a pegar fogo quando surge a ex-mulher do pintor, Penelope Cruz, formando o casal que sempre briga mas não consegue viver separado.
Traições, infidelidade, paixões arrebatadoras, tem tudo isso no filme de Woody Allen que é um cara que sabe como poucos olhar para os absurdos que se escondem nos detalhes do nosso cotidiano.
A proposta indecorosa que o pintor espanhol lançou na mesa para as turistas soa divertida tamanho o absurdo da oferta e porque ao mesmo tempo se percebe que mulheres que viajam sozinhas sempre buscam descobertas. "Pensando bem, que mal há em aceitar esse convite...?"
O release do filme tenta bobamente vender a idéia de que nunca Woody Allen foi tão ousado dando a entender que no filme encontraremos cenas tórridas de sexo. Lembro de ter lido alguns na imprensa, na época em que o filme foi exibido em Cannes em maio deste ano, classificando Vicky Cristina Barcelona de amoral, de propagar uma certa "frivolidade"...Acho isso tudo muito superficial porque assim como na vida sexo é muito pouco de tudo que se pode ter de uma mulher, esse aspecto da moral, da ética num trabalho do sr Allen é muito pouco pra se levar desse filme delicioso. Aliás, falando em moral, fiquei pensando que não foi à toa que o primeiro nome do título é o da personagem de moral mais convencional e que na minha opinião conduz toda a história, Vicky, a noivinha americana que tenta mas não consegue resistir ao charme latino de Bardem.
Me deu vontade de saber o que Almodóvar achou do filme...acho que deve ter ficado com uma certa inveja...Vicky Cristina Barcelona é muito bom! Tem momentos engraçadíssimos e um roteiro inspirado...achei a narração em off um pouco 'presente' demais às vezes...mas nada que comprometa o brilho desse inspirado trabalho de Woody Allen. Esses ares europeus estão fazendo muito bem a ele...


Veja onde tá passando clicando aqui.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Paul Newman

Faz um mês que ele morreu e não postei nada por falta de uma lembrança que valesse a pena registrar...Nunca foi meu ator favorito mas me deu filmes incríveis...Golpe de Mestre, Butch Cassidy, Estrada Para a Perdição, etc...lembrei que quando criança eu morri de rir quando vi Paul Newman engloindo dúzias de ovos cozidos em Rebeldia Indomável, aliás seu filme favorito.
Mas lembrei também que um de seus filmes que mais gostei e um dos que menos lembram dele é Mr. And Mrs. Bridge em que Paul Newman atuou com a esposa Joanne Woodward. Um filme simples, reto, bonito, muito emocionante que conta a história de um casal que vive uma vida austera na década de 40 e as implicações comuns da vida de qualquer mortal confrontadas com a postura sempre correta e inflexível do senhor Bridge. Um filme que nunca vou esquecer...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

TV Full HD tem que ser de Plasma...

Conversando com meu amigo Gilmar especialista em tecnologia da Fast Shop, finalmente as fabricantes de TV's conseguiram resolver um problema que impedia a fabricação de monitores de menos de 60 polegadas Full HD a preços acessíveis. A Panasonic, que nunca desistiu do plasma, sai na frente e traz suas novas TV's de 42 e 50 polegadas ao Brasil neste último trimestre de 2008 e vai mudar a opinião de muita gente que torcia o nariz para o plasma.
Sempre dominando o mercado, foi a Sony que disseminou a idéia de que a imagem do LCD é melhor, que dura mais, que não dá reflexo, blá-blá-blá...
Existem muitos interesses nessa história. Liderar o mercado de venda de monitores é apenas um deles. O que eu aconselho é procurar uma loja onde seja possível encontrar duas TV's uma de Plasma outra de LCD, ambas Full HD e deixar que o nosso velho e bom olho julgue.
Eu sempre achei a luminosidade das TV's de plasma muito mais fiéis à fotografia original. Mais natural. Claro que as LCD não têm o problema do reflexo, o que num ambiente muito claro faz diferença. Mas pra quem gosta de assistir a um bom filme deve ter sua TV num local menos iluminado e aí, meu filho, na minha humilde opinião, o Plasma dá de dez a zero na TV de LCD. As novas TV's de Plasma Full HD da Panasonic são o meu novo sonho de consumo. Mas atenção: nada de comprar agora, depois do Natal, os preços vão despencar. Janeiro já tô na porta da loja...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Um cd pra cair na estrada...


Demorei mas comprei a trilha de Into The Wild na Fnac por 21,90 (o melhor preço que achei). Eddie Vedder caprichou e o resultado é um cd incrível, bom demais, com músicas que traduzem a melancolia e a vontade de abraçar o mundo de Christopher McCandless, o jovem protagonista da história de Na Natureza Selvagem, filme que já comentei aqui. Sean Penn, o diretor acertou na mosca ao passar a missão de fazer a trilha do seu filme ao líder do Pearl Jam, banda que conquistou o mundo com aquele som seco que passeia pelo folk, rock clássico e comtemporâneo, tudo ao mesmo tempo...ninguém teria feito melhor.
Um dia ainda vou fazer aquela rota no Canadá (não a do Alasca que aparece no filme...) muito famosa, a Icefields Parkway que corta as montanhas geladas da região. E adivinhe o que estarei ouvindo no carro? Into The Wild by Eddie Vedder...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Buster Keaton e Didi Mocó Sonriseb Colesterol Mufumo...

Estava eu voltando do trabalho pra casa no sábado à noite, procurando algum sentido pra minha vida naquele dia longo e frio quando resolvi parar no supermercado Extra da Anhangüera para levar alguma coisa pra comer quando me aconteceu um encontro inesperado...
Já no caixa, um homem e sua mulher, que estavam na minha frente, aguardavam pacientemente o funcionário do supermercado destravar o alarme de um DVD que o casal tentava comprar. Algum problema na embalagem de acrílico impedia o rapaz de finalizar a compra. O filme e o comprador me chamaram a atenção. Uns 36, 37 anos, cabelos grisalhos, rosto vincado, roupas muito simples, chinelo de dedo, calça e camisa baratas e debaixo das unhas largas, um resíduo de uma substâcia escura que devia ser graxa.
É isso, o rapaz bem podia ser um mecânico que tomou banho e foi ao mercado passear com a namorada e comprar um pão...Uma cena comum...O que não era comum era o filme que ele queria levar: um clássico do cinema mudo com Buster Keaton, A General, de 1927 (aliás, um grande filme!...).
O caixa não conseguia destravar o alarme do DVD e eu comecei a morrer de curiosidade de perguntar para o homem à minha frente se ele sabia realmente o que estava comprando. Se ele tinha conhecimento da importância daquele filme e seu protagonista. O rosto de Buster Keaton, o comediante que nunca ria, estampava bem grande a capa do DVD. Por um momento cheguei a me emocionar com a figura daquele homem simples, humilde, mas de gosto rebuscado, num sábado à noite, comprando um filme do grande Buster Keaton.
Não aguentei e comentei:
- Puxa! Quer dizer que o senhor é fã do Buster Keaton?...
- Hãin?!
- O senhor?... É fã do Buster Keaton?...
- Quéin?!?!...
- Buster Keaton!...esse homem aí no DVD...(apontei para a embalagem...)
- ‘Busti’ o quê?!?!
- Buster Keaton!...
- ...esse cabra aqui?...ahhh...Não é o Didi?
- Didi?! Que Didi ?!?!
- O Didi da TV!...
- ?!...o Renato Aragão?!?!...
- Esse!...Né não?
- É não...esse é outro...
- Mas é bom esse daqui?
- É bonzinho sim...mas acho que o senhor não vai gostar...

Como o caixa não conseguiu destravar o alarme e a fila tinha aumentado, nosso amigo acabou desistindo de levar o filme. E foi pra casa sem o seu “Didi”...e eu fui pra minha...
Confundir a cara do Buster Keaton com a do Didi Mocó, foi o suficiente pra me convencer de que dormir era o melhor que eu tinha pra fazer...Cacildis!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As Chaves de Casa

Minha dica de filme neste dia especial é um título igualmente especial por vários motivos.
Uma das mais belas histórias de amor de pai e filho no cinema.

Pra vc ter uma idéia, Andrea Rossi, o ‘ator’ que faz o filho Paolo, é um jovem especial.
As aspas no ator é uma ironia. Andrea não é um ator. Sua interpretação que se vê no filme não é de caso pensado já que o jovem Andrea Rossi possui um certo retardo mental. O que em nenhum momento compromete a decisão do diretor que ao contar a história do pai de um garoto deficiente mental escolheu um deficiente real.

Já escrevi aqui sobre o meu amor pelos filmes italianos do Neo Realismo, a melhor safra de filmes produzidos por um mesmo país...Italianos quando resolvem emocionar são os melhores...
Aqui é incrível o resultado...um dos filmes mais emocionantes que já vi...!
E que adorei rever neste dia especial...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Blindness vem aí !...

Blindness de Fernando Meirelles ainda não chegou aos cinemas mas a expectativa é imensa...enquanto o filme não estréia, olha só que legal, um vídeo que vai deixar você ainda mais ansioso...enviado pela minha prima Claudinha, é emocionante: o momento em que José Saramago, o autor do livro Ensaio Sobre a Cegueira, acaba de ver o filme pela primeira vez numa pré ao lado de Fernando! O vídeo foi feito por Quico Meirelles, filho do diretor...confira!...

sábado, 30 de agosto de 2008

Lemon Tree

De uma notinha de jornal saiu a idéia deste filme maduro, bonito e muito bacana que não sei porque não traduziram para Limoeiro. Os responsáveis das distribuidoras devem ter vergonha de falar português...enfim, o filme chegou com o nome em inglês mesmo, Lemon Tree, apesar de ser uma produção israelense.
Como disse, baseado em fatos reais: Salma é uma viúva pobre palestina que vive na divisa com Israel tem como única fonte de renda uma plantação de limões que foi deixada pelo pai há mais de 40 anos. Tudo ia bem até que Salma ganha um vizinho, ninguém menos do que o Ministro da Defesa de Israel que chega chegando com todo seu staff: seguranças, soldados, guaritas, agentes do serviço secreto...acaba assim o sossego de Salma.
Os responsáveis pela segurança do ministro concluem que o limoeiro da vizinha é uma ameaça à vida de todos, afinal um terrorista poderia entrar por ali e fazer um estrago na família do ministro. Fica decretada a interdição do terreno. O limoeiro é cercado e Salma impedida de entrar e colher seus limões. O caso, a princípio doméstico, ganha repercussão internacional e vai parar na Suprema Corte. Uma história simples que ganha proporções gigantecas ao resumir num conflito de vizinhos, todo o eterno embate da Questão Palestina. O diretor chama-se Eran Riklis, é um veterano que fez A Noiva Síria, outro filme muito legal...O cara já morou no Brasil, arranha um português e mandou muito bem neste Lemon Tree. Destaque para a atriz principal, Hiam Abbas, de Free Zone (alguém viu? aquele com a Natalie Portman...que aliás é israelense, nascida em Jerusalém...), que consegue passar a dor, a solidão e a esperança da pobre viúva com poucas palavras...seu olhar está cheio daquela angústia das mulheres que nunca puderam se expressar livremente...pessoas que, em pleno século 21 vivem em sociedades ultrapassadas, que acham que resolvem conflitos construindo muros...
No final, fiquei pensando que o filme não tinha me feito chorar apesar da história triste que contava. E cheguei à conclusão que Eran, o diretor não quis fazer um filme pra agradar platéias, mas sim contar uma história como ela é de uma forma madura e imparcial. Ele não pende pra nenhum dos personagens. Não há vitoriosos. Todos saem perdendo. Quem mais se dá mal no final é o limoeiro, tadinho...
Lemon Tree, um filme para se emocionar e pensar...
O diretor de Lemon Tree e A Noiva Síria, Eran Riklis, que já morou 3 anos no Brasil e arranha no português. Talvez ele tivesse traduzido o nome do seu filme para cá...qual o problema de Limoeiro? Aliás a música "Meu Limão , Meu Limoeiro tá na trilha sonora...Gostei do filme e gostei do cara...e ele usa um boné igual o meu...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vem aí ... Coco

Calma, não é uma manchete escatológica, mas uma nova produção francesa que conta a vida da maior estilista de todos os tempos, Coco Chanel, com a Audrey Tatou (de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) no papel título. O filme tem tudo pra agradar. Na linha do novo cinema moderno francês, quem gostou de Piaf vai curtir conhecer a história dessa mulher a frente do seu tempo.
Estréia prevista para o final do ano...

A resistência ao diferente...

...fiquei pensando no que escrevi no post abaixo sobre O Sonho de Cassandra de Woody Allen, filme que foi malhado pela crítica como um trabalho menor do cineasta e no fato de eu ter gostado do filme...lembrei do caso do Spielberg quando fez Prenda-me Se For Capaz, uma comédia de perseguição muito inteligente, baseada em fatos reais e que em nada lembrava os filmes de avetura infanto-juvenil que caracterizam sua filmografia. Meteram o pau porque não parecia Spielberg...mas o filme é bom pacas.
Woody Allen tem todo o direito de variar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

七人の侍 (Os Sete Samurais)

Um luxo a edição lançada pela Europa deste clássico do Cinema de todos os tempos.
Dirigido por Akira Kurosawa em 1953, Os Sete Samurais serviu de inspiração pra muitos filmes que vieram depois como Sete Homens e Um Destino até a saga Guerra Nas Estrelas.
É a história da aldeia de lavradores de arroz que vive sendo saqueada por um bando de ladrões. Desesperados, os camponeses decidem contratar um grupo de samurais dispostos a defender a pequena aldeia e seus moradores em troca de comida e uma cama pra dormir.
Kurosawa era fã de faroestes, criou neste filme a pedra sobre a qual vieram todos os filmes de artes marciais seguintes. Cada fotografia foi elaborada com o altíssimo rigor estético do mestre japonês. As cenas da batalha na chuva são de uma beleza até hoje impressionantes. A narrativa dos mais fracos lutando contra os mais fortes é de certa forma bem simples
mas que sempre funciona. Qualquer um se sente tomado pela força dramática do filme logo nos primeiros minutos. Sem falar na interpretação de Toshiro Mifune e seu samurai jovem e rebelde, é demais!...Quando a gente pára pra pensar que se trata de um filme com mais de 50 anos, daí só se pode reverenciá-lo ainda mais. Pra melhorar o DVD ainda vem com dois extras sensacionais !... Um filmaço pra ver e rever sempre!
Em busca do fotograma perfeito: A batalha na chuva. Uma amostra do gênio de Kurosawa numa das cenas mais incríveis do clássico Os Sete Samurais

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Star Wars - The Clone Wars

George Lucas me pareceu ter encontrado a verdadeira vocação de sua saga intergalática...Star Wars é pra ser desenho animado. Acho que a partir deste, outros virão com animações cada vez mais surpreendentes, arrojadas, com posicionamentos de câmera que só numa animação é possível...Este "The Clone Wars" se situa antes do "A Vingança dos Sith", e claro não é melhor que o último filme mas aponta nitidamente o caminho promissor que o senhor Lucas irá seguir pra continuar ganhando uns trocadinhos e engordando sua conta bancária.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O Sonho de Cassandra

Segundo a mitologia grega, Cassandra era filha de Príamo,rei de Tróia, pai do Heitor (falando nisso você viu Tróia, aquele com o Brad Pitt fazendo o Aquiles?...é bacana...) e ela além de ser muito bela, ganhou do deus Apolo um poder e uma maldição: era capaz de prever o futuro mas ninguém nunca acreditaria em suas previsões. Esse é o mote deste filme de Woody Allen que não parece Woody Allen. Foi malhado pela maioria da crítica mas quer saber? Gostei pra caramba!...
É o terceiro filme Londrino dele. Antes teve Match Point (sensacional) e depois Scoop (bobinho).
Dois irmãos (Ewan McGregor e Colin Farrell) estão desesperados por dinheiro. Colin fez uma divída impagável jogando pôquer e Ewan, que não tem a vida ganha, tem que ajudá-lo. Surge a figura do tio (Tom Wilkinson) que é milionáro e faz uma proposta imoral para os sobrinhos em troca de muita grana.
É o seguinte, pra quem é fã do Woody Allen tradicional, o das comédias urbanas, dos diálogos rápidos cheios de humor ácido e inteligente, não vai encontrar nada disso aqui. Vai achar ruim como acharam Match Point ruim. Um equívoco na minha modesta opinião...Woody Allen tem todo o direito de experimentar...de brincar de ser Hitchcock (por que não?!)...tem muito do mestre do suspense neste filme, como tinha em Match Point também...e a maneira como ele fecha ciclos nos dois filmes é genial!...A cena da aliança batendo no parapeito do rio em Match Point pra mim é pra entrar pra história...Tudo isso sem falar nas atuações espetaculares da dupla de irmãos...Colin Farrell no papel do irmão mais emotivo, frágil de certa forma, um mecânico pobre viciado em jogo que se envolve numa dívida impossível de ser paga está no melhor filme da sua vida. Aliás essa é uma característica de Woody Allen, saber tirar o máximo de seus atores.
O Sonho de Cassandra é um drama de suspense, de Woody Allen, que ao fazer um filme a la Hitchcock brinca de ser Billy Wilder, o mestre que se aventurou por todos os gêneros do cinema com igual sucesso. Se Billy podia por que Woody, não?

domingo, 27 de julho de 2008

Wall.E e Kung Fu Panda

Já faz tempo que desenho animado deixou de ser coisa de criança. Walt Disney fez muito desenho pra gente grande...na verdade pra criança que existe em todos nós...Mas ultimamente, os longas de animação têm trazido aos mais crescidos, momentos brilhantes que os pequeninos ainda não são capazes de perceber. Os Incríveis, por exemplo, foi sem dúvida muito visto pela criançada, mas só quem viveu mais conseguiu absorver todo o humor e mensagem do filme. O mesmo vale pra Ratatouille. O texto final do crítico de gastronomia é inteligentíssimo, profundo, muito bem elaborado e não tem a menor possibilidade de ser assimilado por uma criança.
Tô falando tudo isso pra recomendar duas animações em cartaz na praça: Kung Fu Panda e Wall.E .
O primeiro é demais, perfeito pra entreter a molecada e ao mesmo tempo divertir adultos desprovidos de preconceito. O filme é uma homenagem ao gênero das artes marciais e conta com tiradas no roteiro com o melhor da sabedoria oriental. A história é manjada, mas como se trata de animação, é possível "colocar a câmera" em qualquer lugar e isso dá toda uma nova dimensão à velha história do pupilo escolhido para ser treinado pelo velho mestre que o transforma num grande guerreiro, salvador de todos.
Wall.E é outro exemplo de desenho animado pra adultos. Sua história de amor entre um robozinho lixeiro e uma robozinha pesquisadora é simples, linda, poética e emocionante. A direção de arte do filme é espetacular e o roteiro oculta profundidade com estilo e leveza. Um filmão!...mas vai agradar mais aos adultos...

Confira onde tá passando clicando aqui.
Kung Fu Panda: Jack Black dá personalidade ao urso que quer virar mestre. Ação e humor na dose certa.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Escafandro e A Borboleta

Filmes que contam o drama de quem fica paralisado, paraplégico, inválido, em coma, existem aos montes...é um caminho conhecido este de comover as platéias mostrando personagens em situações terminais. Não dá pra escapar da armadilha que faz pensar: ...mas e se fosse comigo? Como eu reagiria numa situação dessas?
Mas o fato é que nada se compara com este belíssimo, poético e sensacional O Escafandro e A Borboleta.
A história verídica do editor da Revista Elle que na década de 90 sofreu um AVC e perdeu todos os movimentos do corpo com exceção da pálpebra do olho esquerdo. É piscando essa pálpebra mais a dedicação de uma fonoaudióloga que permitem que Jean-Dominique se comunique com o mundo. E é assim que ele escreve um livro contando sua aventura final.
O filme é espetacular! Na última edição do Oscar recebeu várias indicações (fotografia, montagem, roteiro e direção). O diretor consegue dar o tom certo, sem deixar o filme cair na pieguice, no emocionalismo barato...a fotografia é maravilhosa e os atores dão um show...
Nunca, nunca na história do Cinema o conhecido recurso da câmera subjetiva foi tão bem explorado num filme!
Uma peça magnífica que te leva a pensar nos desperdícios da vida, nos amores que não vivemos, no tempo que perdemos e que nunca voltará...
“A função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte.”
(André Bazin, um dos fundadores da Cahiers Du Cinéma)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Indiana Jones...

...falar mal de Indiana Jones (esse da Caveira de Cristal...) é como falar mal do trabalho de um amigo...a relação que tenho com os filmes anteriores da série é de carinho e gratidão pelas horas divertidas que passei na minha adolescência graças a Spielberg e Lucas.
O filme tem boas cenas de ação, mas chega a ser chato pacas...ainda assim não consigo falar mal dele...se é que vocês me entendem...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ratatouille e Proust...


Ratatouille foi um daqueles filmes que esqueci de postar aqui no bloguinho...Esqueci, não...Deixei de postar porque, lembro bem, saí do cinema tão maravilhado com o que vi que não me senti capaz de registrar com eficiência tudo o que eu havia percebido...graças aos meus sobrinhos Julia e Vinicius com quem revi o filme recentemente, tive um momento de iluminação que transcrevo aqui agora...
Brad Bird, o todo poderoso da Pixar/Disney, diretor/roteirista de Os Incríveis e deste Ratatouille já mostrou em várias entrevistas que é um homem muito inteligente, de vasta cultura e perfeccionismo único. Lendo um artigo sobre o centenário de Em Busca do Tempo Perdido, o monumento literário que nasceu em 1908 das mãos de Marcel Proust, lembrei da xícara de chá com o biscoito que transportam o personagem até sua infância e dão origem aos 7 volumes de Em Busca do Tempo Perdido...Pois bem, eu acho hoje que todo o filme foi criado, escrito e produzido em função de uma única cena, a mais genial de Ratatouille: a cena em que o crítico, Monsieur Ego, prova do ensopado de legumes preparado pelo mini-chef e dá um salto no tempo até sua memória infantil...não é à toa que o filme se passa na França...como disse, Brad Bird é um homem muito inteligente...
Ratatouille não é um filme sobre um rato que quer ser cozinheiro.
É também um filme sobre a memória e o tempo...

domingo, 1 de junho de 2008

Luto por Lorenzo...


Com uma interpretação arrebatadora de Susan Sarandon e a competência de sempre de Nick Nolte, o Óleo de Lorenzo, filme de 1992, que já passou umas 200 vezes na TV, dirigido pelo George Miller (diretor de cinematografia peculiar, ele tem no currículo Mad Max e Happy Feet, por exemplo...e as Bruxas de Eastwick que eu adoro...) , bem este filme contava a história real de Lorenzo que ainda garoto descobriu que tinha uma doença incurável que degenerava seu sistema nervoso e que não lhe restava muito tempo de vida. Contrariando a opinião de todos os médicos, os pais de Lorenzo, leigos, decidem estudar a fundo a doença do filho e se aprofundam em medicina e bioquímica a ponto de desenvolverem uma fórmula a base de azeite de oliva que permitiu a Lorenzo que vivesse até o dia de ontem, 31 de maio de 2008, quando veio a falecer aos 30 anos. O filme é conhecido, muito bonito, um registro honesto e vigoroso da força do amor dos pais quando decidem enfrentar o impossível pela vida de seu filho.
Lorenzo se foi...o filme fica.
Descanse em paz, Lorenzo...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Nueve Reinas


No mercado de DVD's tem umas coisas que não dá pra entender...Nove Rainhas é um filme argentino de 1999 sensacional!...Feito aqui do lado, há pouco tempo e acredite...ainda não foi lançado no Brasil em DVD.
Teve uma passagem rápida aqui nos cinemas na época de seu lançamento e alguns poucos que viram (como eu) adoraram...

Quem quiser ver ou rever aqui no nosso país não tem a menor informação ou perspectiva a respeito. Eu consegui agora uma cópia vinda diretamente de Buenos Aires graças a meu chapa Guillermo que me trouxe este aqui da foto...Gracias, Guillermo!

sábado, 24 de maio de 2008

Star Wars - A Exposição


Ainda tá em cartaz a Exposição Star Wars - Brasil no pavilhão da bienal no Ibirapuera. Vai até 29 de junho. O ingresso custa entre 30 e 40 reais.
Muitas coisas curiosas sobre a saga do George Lucas.
Mesmo quem não é fã vai gostar...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Filmes Raros

Pra quem como eu ainda insiste em comprar DVD's mesmo sabendo que eles estão com os dias contados e curte aqueles filmes menos comerciais, coisas do circuito de artes, filme cabeça, cinema de autor, filme europeu, ou seja, filme com conteúdo mas não iranianos, e tem dificuldade de encontrar aquele filme que procurava faz tempo, tem agora uma alternativa bacana.
www.filmeraro.com.br
Um pequena rede de lojas que oferece ao seu público filmes que vão além de Hollywood e que não se encontram facilmente nas locadoras.
Ai , meu dinheiro...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

10 anos...



In the wee small hours of the morning
While the whole wide world is fast asleep
You lie awake and think about the girl
And never even think of counting sheep

When your lonely heart
Has learned it's lesson
You'd be hers if only she would call
In the wee small hours of the morning
That's the time you miss her most of all

When your lonely heart
Has learned it's lesson
You'd be hers if only she would call
In the wee small hours of the morning
That's the time you miss her most of all

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Nas livrarias...


Meu grande amigo Paulo Gustavo lançou nesta última terça-feira o seu Almanaque dos Seriados pela Ediouro. Todo ilustrado, texto ágil e informações curiosíssimas sobre a sua série favorita do tipo: você sabia que o elenco de 24 Horas corta o cabelo a cada 5 dias pra manter o visual? Ou que o marido da Feiticeira não se chamava James? Ou que cada ator de Friends ganhava 1 milhão de dólares por episódio?

Dá uma sensação nostálgica gostosa quando a gente vê as imagens de personagens ou lembra dos temas das séries...Imagens que a gente assistiu na adolescência ou na infância que ficam guardadas pra sempre na memória do coração...

sábado, 26 de abril de 2008

Hitchcock no Larry King

Dia 29 de abril faz 28 anos que Hitchcock morreu. Para registrar a data, Larry King entrevistou algumas das musas do mestre do suspense como Tippi Hedren de Os Pássaros, Eva Marie-Saint de Intriga Internacional e a filha de Hitchcock, Patricia, uma velhinha muito simpática.
Quem quiser conferir tem que esperar pra ver no próximo domingo à noite na Play TV.

domingo, 13 de abril de 2008

O Banheiro do Papa

Demorei pra conferir este filme uruguaio dirigido pelo Cesar Charlone que dentre outras referências foi o diretor de fotografia de Cidade de Deus. Demorei porque ando muito ocupado, com pouco tempo para o Cinema, e porque as pessoas que convidava pra ir comigo torciam o nariz pro convite..."filme uruguaio?...hmmm...hoje não..."
Bem, O Banheiro do Papa é um filme de orçamento pobre, sobre pobres e a pobreza dominante numa cidadezinha na fronteira do Uruguai com o Brasil...a miséria está expressa tanto na textura da fotografia quanto no áudio sufocado da película, uma opção que torna o filme menos acessível para grandes platéias...mas é um filme de uma simplicidade e de uma sensibilidade tão grandes que é difícil não se comover com a luta de Beto, o personagem principal, que decide montar um banheiro público para o dia em que sua cidade receberia a visita do Papa João Paulo II em maio de 1988. Para realizar seu projeto, Beto precisa intensificar suas viagens ao Brasil para contrabandear alimentos para os uruguaios. É assim que ele ganha a vida e sustenta a família, mulher e filha, esta última sonha em ser jornalista. Claro que os planos de Beto não terminam como ele esperava.
Um belo filme, encantador...Palmas para o uruguaio Charlone!...

domingo, 6 de abril de 2008

...o último grande astro...

Quando se fala em clássico de cinema tem gente que torce o nariz, acha que é coisa de velho, de saudosista, de cara que prefere ver coisas de sua época ou gosta de velharia mesmo...nunca tive esse tipo de preconceito...pra mim clássico é aquilo que vence o tempo e ponto. Não é algo necessariamente velho. Matrix, por exemplo, nasceu clássico. Daqui a 30 anos vão assistir e achar sensacional. Um filme que não vai morrer. Outro filme eterno é Ben Hur. Dia desses comentando com um amigo, fiz com que ele procurasse ver o filme que ainda não conhecia e fiquei feliz quando ouvi depois seu comentário surpreso com o quanto tinha se emocionado com um filme "tão velho"...Ben Hur é espetacular...
Mas este post é pra falar que não existiria Ben Hur sem o carisma e a cara de bom moço de Charlton Heston. Seus engajamentos recentes a parte, seu posicionamento com relação ao desarmamento, o que fica é a imagem de um ator associada a grandes produções dos anos 50-60. Acho que era o último dos grandes astros de uma Hollywood que não existe mais.
Morreu no último sábado com 84 anos.
Foi se encontrar com o amigo de Ben Hur...aquele que aparece em seu caminho por duas vezes...você viu o filme?

segunda-feira, 31 de março de 2008

Os cinco filmes mais caros da história...

Em valores atualizados, com o dólar corrigido aos dias de hoje, os cinco filmes mais caros da história do cinema seriam:
1 - Guerra e Paz (alguém viu?...) de 1956, custou 560 milhões de dólares.
2 - Cleopatra, aquele com a Elizabeth Taylor, de 1963...precisou de 286 milhões de dólares pra ser produzido.
3 - Titanic, de 1997...custou 247 milhões de dólares
4 - Waterworld de 1995...gastou 229 milhões de dólares
5 - O Exterminador do Futuro 3 produzido em 2003...custou 216 milhões de dólares.

domingo, 30 de março de 2008

O corte-seco mais incrível de todos os tempos...

Faz exatamente 40 anos...
O filme estreou nos Estados Unidos na primeira semana de abril de 1968. E a ficção científica nunca mais foi a mesma.
Não dá pra lembrar de 2001: Uma Odisséia No Espaço e não citar uma das cenas mais sensacionais da história do cinema.
Em linguagem cinematográfica ou de TV, corte-seco é o corte mais simples que se pode fazer numa edição. É simplesmente juntar duas cenas sem absolutamente nenhum efeito. É pegar dois pedaços de filme ou fita e colar.
Em 2001, Stanley Kubrick fez de um corte-seco a maior elipse de tempo da história da sétima arte. Do osso pré-histórico à nave espacial em um único salto...Clique e veja.
Uma cena para sempre!...

O autor da Odisséia foi pro espaço...

O escritor Arthur Clarke morreu na semana passada aos 90 anos. Deixou como legado inúmeros livros de ficção científica e o roteiro que virou livro de 2001: Uma Odisséia no Espaço. Clicando na imagem você assiste o vídeo com seu último depoimento gravado em dezembro do ano passado quando completou 90 anos. Tá num inglês bem simples pra quem tem nível intermediário no Fisk consegue entender...Um cara visionário, genial, que quando fez parceria com outro gênio, Kubrick, conseguiram produzir a mais fantástica e enigmática obra do gênero. Até hoje, 2001 tem um dos finais mais intrigantes da história do cinema. Todo mundo tem a sua interpretação do final do filme. Recentemente lançaram os principais filmes de Kubrick em versão caprichada em DVD, cheio de extras. A de 2001 vale a pena comprar. Os documentários e making off são sensacionais!...

sábado, 22 de março de 2008

Antes de Partir

Rob Reiner é um diretor em que presto atenção. Não é um grande nome do cinema, nunca será venerado como um gênio que entrou pra história da sétima arte, provável que nunca leve um Oscar...mas eu o admiro.
Além da cara de gordinho amigão (tipo um Papai Noel mais jovem...) acho que ele tem uma incrível capacidade de criar emoção. Emoção numa forma pura que brota de situações simples, corriqueiras. Se tem uma palavra pra definir sua obra é Simplicidade...

Em todo filme de Rob Reiner (que é filho do Carl Reiner, o ator mais velho da turma do 11,12,13 Homens e um Segredo [e diretor de comédias engraçadíssimas como aquela com o Steve Martin Clente Morto Não Paga, você já viu?...]), em todo filme de Rob Reiner tem pelo menos uma cena que me marca, que me emociona...

Jack Nicholson gritando na cara do Tom Cruise “..are we clear?” (estamos entendidos!) e depois desabando de ódio e confessando em pleno tribunal que tinha mandado mesmo matar o recruta que considerava fraco em Questão de Honra...

O clima de amizade sincera como só as crianças podem sentir, presente em Conta Comigo (Stand By Me, de 1986), e aquele grupo de garotos inesquecíveis do interior dos EUA...

Bruce Willis e Michelle Pfeiffer tentando salvar o casamento conversando sobre o ponto alto do dia de cada um em A História de Nós Dois (Story Of Us) um filme de 1999, que não foi um grande sucesso mas tem momentos lindos...

E o meu favorito, Harry e Sally, que gosto de tudo. Filme que fez Meg Ryan virar a namoradinha da América por uns tempos e indicado ao Oscar de melhor roteiro original em 1989.

Este Antes de Partir entra na lista dos filmes emocionantes de Rob Reiner. Daqueles que causam muita choradeira nas salas. O filme é tocante, não há como negar. É também o registro de um grande encontro. De dois grandes nomes do cinema do nosso tempo: Jack Nicholson e Morgan Freeman, esplêndidos.
A história é de certa forma até previsível. Dois velhos, se tornam amigos no hospital quando recebem a notícia de que têm pouco mais de seis meses de vida. Daí decidem fazer uma lista com coisas que querem fazer ”antes de partir”. E na lista tem aquelas coisas manjadas, de livro-de-auto ajuda tipo “testemunhar algo grandioso”, “beijar a garota mais bela”, etc...
Como cinema é um filme simples.
Mas será que não é aqui que se esconde o verdadeiro recado deste filme?
Ao optar por uma direção 'simples' de uma história ‘simples’ , Rob Reiner nos relembra o que todos nós sabíamos (ou deveríamos saber)...que nessa vida, são as coisas simples que importam.
Vejam só minha incompetência...precisei de todas essas linhas pra dizer o que mr. Reiner disse em um belo filme.
Melhor fez o nosso Drummond quando escreveu que “...as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão...”.
Vou dormir que é melhor...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Rambo 4

O Contardo Calligaris que escreve na Folha e é um cara muito mais respeitável do que eu, escreveu um texto bacana sobre o filme Rambo 4, que eu não tive saco de ver mas deixo artigo dele aqui...

"O filme Rambo 4 estreou há pouco no Brasil. Assisti ao filme mais de um mês atrás, no dia de sua estréia nos Estados Unidos. Foi numa sala do cinema AMC, na rua 42, em Nova York, e o espetáculo era mais na platéia do que na tela: já durante as propagandas e os trailers, surgiam gritos que queriam apressar a chegada do guerreiro: "Rambooo!!". É fácil entender por que John Rambo é um herói popular: ele é um concentrado dos devaneios do indivíduo ocidental. É o pistoleiro de "Gatilho Relâmpago": ninguém imagina quem ele é e do que ele é capaz (parecemos inócuos pais de família, mas somos tigres adormecidos, viu? Não cutuque). É Shane, o andarilho misterioso de "Os Brutos Também Amam" (e de seu remake "O Cavaleiro Solitário"), que chega, faz justiça e vai embora ferido, levando consigo o coração de mulheres e crianças. É o delegado de "Matar ou Morrer", que, sozinho ou quase, enfrenta a todos. E é também, desde o primeiro filme da série, um homem à procura de um pai. Que mais poderíamos querer da vida? Claro, Rambo é execrado por quem gostaria que nosso repertório de sonhos fosse diferente. Além disso, os filmes de Rambo são, no mínimo, desiguais. Mas não quero falar nem da qualidade cinematográfica dos filmes nem da relação de Rambo com o protótipo do herói promovido pelo western hollywoodiano.
Há um outro aspecto da série que me interessa mais: os filmes de Rambo traçam um retrato das variações de um estado de espírito dos norte-americanos nos últimos 25 anos. O primeiro, "First Blood" (primeiro sangue, mas, no Brasil, o título foi "Rambo"), de 1982 (inspirado num romance de 1972), expressava perfeitamente o conflito de uma nação que passava da oposição contra a guerra no Vietnã, nos anos 70, à sensação culpada de ter traído seus próprios soldados. O segundo, de 1985, era a conseqüência imediata do primeiro: o resgate dos hipotéticos prisioneiros da mesma guerra lavava, enfim, a honra nacional. Poucos anos mais tarde, o sucesso do musical "Miss Saigon" confirmava essa peripécia espiritual: a vergonha de uma guerra impopular era substituída pela vergonha de ter abandonado amigos, aliados, presos e (essa era a novidade do musical) as crianças nascidas dos amores de guerra. No terceiro, de 1988, Rambo já desistira de guerrear. Ele só ia à luta, no Afeganistão ocupado pelos soviéticos, para salvar o coronel Trautman, seu mentor. Mesmo na Guerra Fria "tradicional", em suma, só vale a pena lutarmos se for para defender os "nossos", ou seja, os mais próximos. Hoje, o quarto (e último, imagino) filme de Rambo é uma espécie de conclusão lógica: intervir, meter-se na casa dos outros é impossível. Os missionários, com Bíblias e remédios, não mudam nada no horror que eles visitam. No melhor dos casos, eles satisfazem sua própria consciência culpada; no pior, eles acabam mortos. A força tampouco muda nada, ela deixa mais um rastro de sangue, e as coisas continuam iguais. Só resta voltar para casa. No meio da atual aventura iraquiana, que não tem saída em vista e produziu, como efeito, a substituição de um horror por outro, a derradeira aventura de Rambo completa uma longa argumentação pelo isolacionismo -que é uma antiga tentação americana, crescente desde a Guerra do Vietnã. É possível que uma vitória dos democratas nas eleições presidenciais de novembro leve os EUA a adotar a escolha final de Rambo. Seria um alívio? Pode ser. Mas talvez seja mais sábio ficar com um "veremos". Afinal, não sabemos como seria o mundo sem o intervencionismo americano."

domingo, 16 de março de 2008

Um Bom Ano...

...revendo o agradável Um Bom Ano em dvd, percebo que o filme ganhou mais um bom motivo pra ser visto por quem o ignorou nos cinemas...O filme dirigido por Ridley Scott (que dispensa comentários...) e protagonizado pelo ótimo Russel Crowe conta com uma atriz que agora entrou para a categoria das oscarizadas, Marion Cotillard, o que traz mais charme a este filme que dá uma vontade tremenda de viajar...quando foi rodado, em 2006, Marion ainda não tinha feito Piaf, papel que deu a ela o prêmio da Academia neste ano. Portanto trata-se de um casal de peso, já que Russel também ganhou em 2002 por Uma Mente Brilhante...Um Bom Ano não é um filme qualquer...

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Homem de Ferro

Tá chegando às telas a versão cinematográfica do clássico Homem de Ferro. No papel do Iron Man está Robert Downey Jr. O trailer já tá disponível. Quem quiser ver, clique na imagem.

terça-feira, 11 de março de 2008

Bilheteria

Atenção para as dez maiores bilheterias no Brasil em 2008. Até o dia de ontem, os dez filmes mais vistos pelos brasileiros neste ano são:
1- "Eu Sou a Lenda"
2- "Meu Nome Não É Johnny"
3- "Alvin e os Esquilos"
4- "A Lenda do Tesouro Perdido"
5- "A Bússola de Ouro"
6- "O Caçador de Pipas"
7- "PS Eu Te Amo"
8- "Juno"
9- "O Gângster"
10- "Meu Monstro de Estimação"

segunda-feira, 10 de março de 2008

Todos Contra Zucker

O Cinema Alemão está mesmo vivendo uma fase muito rica. Adeus, Lênin! , Edukators , A Vida dos Outros são só alguns exemplos de grandes filmes recentes produzidos na Alemanha.

Este Todos Contra Zucker é uma comédia inteligente e engraçada sobre um certo Jacob Zuckermann, o Zucker do título, um judeu malandro que vive na Berlim de logo depois da queda do Muro que se vira pra pagar um monte de dívidas e reconquistar o amor da mulher e dos filhos.
Sua mãe morre e para que Zucker receba uma parte de uma suposta herança ele tem que voltar a conversar com o irmão judeu ortodoxo com quem não falava há muito tempo.
As respectivas famílias são obrigadas a viverem juntas por uma semana na mesma casa. E aí o filme fica engraçadíssimo!...

Muitas piadas de judeu que devem ter deixado Woody Allen morrendo de inveja...!

Uma coisa me deixou intrigado: por que o filme só estreou aqui agora se ele é de 2004?...

Confira onde está passando aqui.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Na Natureza Selvagem 3...

Um rapaz de 22 anos sai da faculdade de antropologia e história com as melhores notas da turma e decide abrir mão de absolutamente de tudo (família, dinheiro, carreira, futuro) pelo sonho de viver uma aventura de verdade no Alasca, sobrevivendo apenas com o que pudesse extrair da natureza.
Essa foi a decisão que o jovem Christopher McCandless tomou em 1990. Ele buscava uma vida menos materialista como a dos clássicos românticos que costumava ler em sua juventude. Thoreau, Jack London, Tolstoi, Byron...o filme está cheio de citações que ajudam a entender a cabeça do jovem McCandless. Ele pediu carona para várias pessoas, morou numa comunidade hippie, fez rafting no rio Colorado, foi parar no México, sempre anotando, lendo e deixando marcas profundas nas pessoas que cruzaram seu caminho em seus anos de andarilho. Christopher McCandless não teve um final feliz...não vou aqui contar o que acontece com ele, mas como se trata de um fato verídico, talvez você já conheça o fim dessa história. Se você não sabe e não quer que eu estrague sua ida ao cinema, pare de ler aqui.

Se o Oscar fosse sério, Emile Hirsch teria sido pelo menos indicado na categoria de melhor ator. Seu personagem começa o filme pesando 70 quilos e nas cenas finais no Alasca chega aos 52 !...Além do tremendo esforço físico (não existe dublê nesse filme) Emile está espetacular demonstrando uma maturidade raríssima pela sua pouca idade.

Sean Penn levou 10 anos pra convencer a família de Christopher a lhe dar a autorização para filmar. Os McCandless não queriam ver a vida do filho perdido transformada em uma historinha açucarada como Hollywood costuma fazer. Sean Penn tinha muita certeza do que queria. Não desistiu enquanto não conseguiu os direitos sobre a história. Como roteirista e diretor ele dá o tom certo ao filme que não faz concessões ao emocionalismo barato. Ninguém sai do cinema chorando neste filme. Mas só se você tiver um coração de pedra, Na Natureza Selvagem não vai arrebatar seu espírito. Há imagens de uma beleza tão impressionante dos lugares por onde Christopher passou a caminho do Alasca digna dos momentos mais inspirados da história do Cinema. O diretor de fotografia, Eric Gautier, foi chamado por Penn depois que este assistiu ao Diários de Motocicleta do Walter Salles. A trilha sonora é um show a parte...é toda ela obra do vocalista do Pearl Jam Eddie Vedder que ganhou até Globo de Ouro pelo seu trabalho!...

Christopher McCandless morreu de fome e frio aos 24 anos após 113 dias de Alasca. Seu corpo foi encontrado dentro dos destroços de um ônibus escolar abandonado pesando apenas 30 quilos. O local se tornou um ponto de peregrinação e culto ao mito de McCandless. Hippies e andarilhos de toda parte vão até lá para ver a última morada de Mr. Supertramp (como ele se auto-intitulou). Suas botas e seus escritos estão lá até hoje. Na porta do ônibus é possível ler o que pode ter sido a última mensagem do garoto:
"S.O.S. Eu preciso de sua ajuda. Estou machucado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não estou brincando. Pelo amor de Deus, por favor, continuem tentando me salvar. Estou lá fora pegando frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless. Agosto?"

Contra a vontade dos produtores, Sean Penn decidiu filmar nos locais exatos por onde Chris havia passado. Menos no ônibus. Penn temia os estragos que uma equipe de filmagem poderia fazer no espaço. Não filmou lá por respeito.

Respeito...solidão...bondade...abnegação...são fragmentos que ajudam a dimensionar a grandeza deste filme feito para vida toda. Imperdível!...

Confira onde está passando aqui.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Na Natureza Selvagem 2...

Antes de comentar Na Natureza Selvagem (Into The Wild) o filme do Sean Penn, preciso falar de dois livros que li na adolescência e que mexeram muito comigo. O primeiro foi O Fio da Navalha, do Somerset Maugham, um romance em que pela primeira vez aprendi o significado da palavra abnegação. Um jovem aristocrata (e aventureiro) americano vê seu melhor amigo dar sua vida por ele na Primeira Guerra Mundial. O eterno mistério da morte faz com que ele questione a própria vidinha materialista que leva, partindo em busca de respostas que ele vai encontrar na Índia e na milenar filosofia oriental. O jovem (Larry) muda para sempre.
O segundo livro que quero citar aqui é outro clássico americano, Walden ou A Vida Nos Bosques, do Thoreau, que fui ler assim que vi Sociedade dos Poetas Mortos lá nos meus 18 anos. O trecho “...eu fui à floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente e sugar a própria essência da vida...expurgar tudo o que não fosse vida; e não ao morrer, descobrir que não havia vivido...” foi um dos mais repetidos no mundo inteiro depois do filme. Se Walden não tivesse sido escrito, não teria havido Ghandi, a geração hippie ou o movimento ecológico... foi assim que descobri porquê gosto de fazer trilha...A Vida Nos Bosques não é só um livro, é uma semente.
Depois de dar essas informações, agora posso contar num próximo post porquê Into The Wild me emocionou tanto...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Na Natureza Selvagem...


...já faz alguns dias que assisti mas ainda estou digerindo esse filme, Into The Wild...foi como uma bomba de efeito retardado em mim, por vários motivos...me peguei chorando algumas vezes lembrando do que tinha visto...um daqueles filmes que vou guardar no coração...lindo, lindo...

Que bom que o Cinema existe!...

terça-feira, 4 de março de 2008

Estréia, finalmente, Sicko...

O último trabalho de Michael Moore estréia nesta semana no Brasil. O documentário ataca desta vez o sistema de saúde norte-americano. Já comentei o filme aqui quando o vi na Mostra no ano passado. É duca...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Speed Racer vem aí...

...meu piloto favorito na infância chega às telas do cinema em maio. Speed Racer, que dirige o lendário Mach 5 e é dirigido pelos irmãos Wachowski, os caras que fizeram Matrix. Quem faz o Speed é o jovem Emile Hirsch, que fez o ótimo Alpha Dog e Na Natureza Selvagem, um cara que merece atenção.
Quem quiser dar uma olhada no trailler é só clicar na imagem.
Sensacional!...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fim do mundo 2...

Bom, chega de falar de Oscar...
Em um papo recente com meu amigo cinéfilo e seriófilo Paulo Gustavo, editor-chefe da Sci Fi, desabafei minha tristeza em saber que minha modesta DVDoteca de 1000 unidades estava com os dias contados...com a recente decisão da Warner de não lançar mais seus filmes em DVD, a tendência é que as outras grandes corporações cinematográficas façam o mesmo. Agora elas vão lançar seus filmes no mercado no formato Blu-Ray, um disquinho azul com muito mais capacidade de memória o que permite a imagem em alta-definição. Fiquei triste porque os aparelhos de Blu-Ray além de mais caros (custam em média 3 mil reais) tocam os disquinhos convencionais de DVD’s com a mesma qualidade de um DVD player fuleiro. Minha esperança nessa luta pela alta-definição era que o HD-DVD (a proposta da Toshiba) vencesse o Blu-Ray, uma idéia da Sony. Mais ou menos como aconteceu nos anos 80 quando o VHS venceu o formato Betamax, que só a Sony fazia. Desta vez a história foi outra. A Sony ganhou a parada na definição do substituto do DVD. E o fiel da balança sabe quem foi? O Playstation 3...o game de última geração da Sony, e o mais vendido no mundo só roda jogos em Blu-Ray...um mercado muito forte que ajudou a pressionar as companhias cinematográficas. O que fazer agora? Quem tem um monte de DVD’s (como eu) o melhor é esperar. Porque se a indústria cinematográfica demorou 3 anos para escolher o substituto do DVD, a gente já sabe quem será o do Blu-Ray...a internet. Com a TV digital e os modelos cada vez mais sofisticados de plasmas e lcds, todo televisor estará em breve conectado à internet que, graças à banda larga, funcionará como a DVDoteca do futuro. E sem ocupar espaço na prateleira. Não sei se vou gostar disso...

Fim do mundo...


...chega a ser irônico que depois de 3 meses e meio de greve dos roteiristas em Hollywood quem faturou o prêmio de melhor roteiro original tenha sido uma ex-stripper maluca vestida de oncinha que nunca tinha feito um roteiro antes...ela se auto-apelidou Diablo Cody e quando perguntaram se ela tinha virado stripper por dinheiro ela disse que não: " - Fui ser stripper porque tava a fim..."
Putz...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Destaques 2...

...achei bacana premiarem O Ultimato Bourne com 3 Oscars. Todos de categorias técnicas mas tudo bem. É uma forma de reconhecer o trabalho do diretor Paul Greengrass que já concorreu a melhor diretor por Vôo United 93 e foi o grande responsável pelo sucesso da trilogia (além, claro, de Matt Damon). A série Bourne é espetacular.

Achei uma sacanagem não terem lembrado de 300 em nenhuma categoria, nem nas técnicas onde o filme merecia ao menos competir...uma prova de que Oscar é um prêmio de momento, de mercado, tipo " - Vamos estimular a bilheteria de X porque está em cartaz...isso interessa...filme que já saiu de cartaz, é do ano passado, ah, deixa prá lá..."...

Outra que foi difícil de engolir pra mim foi Sangue Negro ter perdido melhor roteiro e filme...Onde Os Fracos Não Têm Vez é um filminho de perseguição...bom...mas só isso.

Destaques 1...

...muito bonitas as reações da francesa Marion Cotillard e Javier Bardem quando ganharam o Oscar. O discurso do espanhol foi emocinante. Interessante que nenhum americano ganhou nessas categorias. Daniel Day Lewis e Tilda Swinton são britânicos. É o Oscar globalizado...

Oscar, final...

Depois das piadinhas-pra-americano-dar-risada de sempre, dos erros na dublagem ao vivo, duas horas depois o resultado é que acabou de entrar para a história do cinema o filme Onde Os Fracos Não Têm Vez como o melhor filme da Octogésima edição do Oscar 2008...sem comentários.
Assista e tire suas conclusões...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Daqui a pouco tem Oscar 2008...

...vou arriscar aqui meus palpites.
Melhor filme deve ganhar Sangue Negro ou Desejo e Reparação. Sangue Negro é meu preferido mas Reparação tem jeitão de filme de Oscar.
Melhor ator é barbada, Daniel Day Lewis fez melhor, não há concorrente à sua altura. Ator coadjuvante deve ser Javier Bardem. Melhor atriz também é insuperável o trabalho da francesa Marion Cotillard encarnando Piaf mas aqui tem que se levar em conta a vocação da Academia em premiar quem está velhinho, então nesta categoria é possível que dêem o prêmio pra Julie Christie (alguém lebra dela?...tipo em Doutor Jivago?...).
Melhor diretor ninguém merece mais do que o Paul Thomas Anderson pelo seu Sangue Negro. Mas é possível que resolvam premiar os irmãos Coen, tipo pelo conjunto da obra.
Coisas do Oscar...

Juno

Ontem fui assistir a Juno, um filme de baixo orçamento que tá concorrendo ao Oscar como o azarão deste ano mais ou menos como foi A Pequena Miss Sunshine no ano passado. E que a comparação termine aí...Este Juno não passa de um filminho adolescente que conta a busca da adolescente Juno por pais adotivos para o filho que está gestando em sua ‘gravidez na adolescência’...como tudo que é muito adolescente, o filme é muito chato...boboca até. Tenho lido muita coisa dizendo que o filme é sensacional, é isso-aquilo, o vai-da-valsa de sempre dos ‘creticos’ daqui que lêem Variety e dão um ‘Control C - Control V’ para não ‘destoarem’. Tipo já vão ver o filme com a intenção de gostar e espalham que o filme é bom depois. Não é. Vai virar filme de sessão da tarde logo e já consigo ver pilhas desse filme em dvd encalhado nas lojas americanas por 12,99. Se o filme tem um destaque é a atuação da jovem Ellen Page que para muitos era uma novidade mas porque não a viram em Menina Má.Com onde ela já mostrava que tem muito talento segurando um filme inteiro praticamente sozinha. Aqui ela faz uma garota muito inteligente de 16 anos (irrealmente inteligente, diga-se) que fica grávida em sua primeira transa com o amiguinho da escola. Toma a decisão sozinha de doar a criança quando nascer e comunica seus pais que acatam passivamente a escolha da filha (putz). Ela então procura um casal legal pra entregar o filho e encontra a Jennifer Garner que faz uma ricaça casada com um marido que é um personagem muito mal resolvido na trama. Bem estou com preguiça de contar mais sobre o filme. Se resolver assistir não espere muito, tipo ‘oh, estou indo ver um candidato ao Oscar...’. A Academia não tem lógica e já deu muitos prêmios injustificáveis...Este Juno não passa de uma ‘comédinha’ adolescente.
Too boring...

Se quiser arriscar, veja onde tá passando aqui.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sangue Negro

Sangue Negro é a história de um homem, sua saga para se tornar um bilionário explorador de petróleo no início do século XX. Seu nome é Daniel Plainview. Tem algo de Charles Foster Kane misturado com o Robert de Niro de Touro Indomável, aquele homem que é excelente no que faz mas destrói tudo que ama.
O filme não existiria sem Daniel Day-Lewis o ator que criou uma caracterização inesquecível de um personagem que tem muito em comum com sua vida real.

Além de ser xará de seu personagem há na biografia do ator um filho com a atriz Isabelle Adjani chamado Gabriel. Daniel não fala com a ex desde que se separou e também com o próprio filho. Um assunto no qual o senhor Day-Lewis não toca de jeito nenhum.
No filme, um dos momentos de maior carga dramática é quando Daniel Plainview confessa num culto evangélico ter abandonado o próprio filho. Não foi à toa que Daniel Day-Lewis interpretou essa cena com tanta força, com tanta verdade.
Filmão que tem grande chance de ganhar o Oscar mas que o público brasileiro deve ter dificuldade de assimilar...é uma saga americana, uma história inerente a eles, à cultura americana. A mesma resistência que terão os brasileiros a esse filme pode ser comparada à crítica alemã e européia que, por não conseguirem compreender o nosso universo, taxaram Tropa de Elite de nazista.
Sangue Negro é um dos melhores filmes lançados em 2008 até agora. Uma atuação irrepreensível, uma trilha incrível do guitarrista do Radiohead, fotografia, montagem e direção impecáveis...do mesmo diretor e roteirista do cult Magnolia, este Sangue Negro, com toda certeza, vale o ingresso.

Pra saber onde está passando, clique aqui.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Meu Nome Não É Johnny repercute...

O jornal O Globo publicou no último dia 7 de fevereiro um artigo intitulado "Meu nome não é ‘Tuchinha’", escrito pelo conhecido e muitas vezes polêmico, desembargador Siro Darlan. O texto vai parecer um pouco longo para alguns mas vale muuuuito a pena ser lido:

“O filme “Meu nome não é Johnny”, que conta a história de um dos maiores vendedores de drogas do Rio de Janeiro, merece uma séria reflexão sobre algumas graves denúncias feitas. Algumas já conhecidas por toda sociedade e pelas autoridades, mas pouco combatidas, como a corrupção policial, o tratamento diferenciado a autores de crimes de acordo com sua origem social, raça ou poder econômico, que a Zona Sul “brilha” como já havia denunciado o experiente delegado de polícia Hélio Luz. E outras que estão a merecer investigação e manifestação pública das autoridades mencionadas, como a acusação de ponto de venda de drogas nas dependências do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.Por um lado a história é fascinante e desmistifica a lenda segunda a qual não há volta para aqueles que atravessam a fronteira do convencional e usam ou vendem drogas. O personagem João Estrella se propõe a debater com universitários e especialistas sua experiência pessoal. Isso é muito bom e enriquecerá o mundo tão discriminado dos usuários de drogas. Afirma em entrevista que considera o tráfico apenas o comércio de uma substância convencionalmente tida como ilícita, mas que causa tanto mal quanto tantas outras permitidas. Defende a legalização desse comércio, mas acha que no Brasil isso ainda irá demorar muito a acontecer. São manifestações que devem ser colhidas com o respeito que merecem aqueles que passaram por essa tenebrosa experiência e precisam ser debatidas pela sociedade sem o tradicional preconceito que temas como esses costumam ostentar.Merece destaque o importante papel da juíza na apreciação da causa. Em situações corriqueiras João Guilherme estariaainda amargando uma prisão, sabe-se lá com que objetivos, pelo menos até 2010. Teve a sorte de ser julgado por uma magistrada sensível, que viu naquele réu não apenas o agente de um crime de tráfico e formação de quadrilha, mas também uma vítima do sistema hipócrita que leva tantas pessoas a trilhar os mesmos caminhos de João Estrella.A juíza não só apostou na recuperação de João como foi visitá-lo na prisão. Raridade que deveria inspirar todos os magistrados que condenam pessoas a cumprirem pena por haverem descumprido normas legais em estabelecimentos que fazem letra morta da Lei de Execuções Penais em vigor desde 1984. A visita aos estabelecimentos de cumprimento de pena deveria ser obrigatória a todos os magistrados.Outra denúncia grave, mas que é de todos conhecida, é a péssima condição desumana do sistema penitenciário, onde se pretende a impossível recuperação de um ser humano tratado como bestas. Parabéns para a produção, que retratou o ambiente exatamente como a realidade das prisões e dos manicômios, chamada pela lei de Casa de Custódia e Tratamento (?).João Estrella não é um traficante, e sim um comerciante de drogas. Traficantes só são assim chamados os de origem humilde que moram nas favelas e comunidades. Contou com um bom advogado que garantiu uma rápida passagem pelocoletivo do Manicômio, logo ascendendo para um trabalho burocrático que ajudou o tempo a passar mais rápido e permitiu alguns privilégios comprados graças a seu poder econômico, como a visita íntima, comida e cigarros.A mesma sociedade que indignou-se com o terror do Holocausto a ponto de recorrer ao Judiciário para impedir que essa cena histórica e abominável arrepiasse os foliões da Marquês da Sapucaí é conivente com as barbaridades cometidas contra seres humanos nas celas das delegacias, penitenciárias e manicômios. E aqui Thêmis não é apenas cega, é surda e muda. João Estrella, segundo sinopse do filme, era de uma família de classe média do Rio de Janeiro, cresceu no Jardim Botânico e freqüentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade e tornou-se vendedor de drogas mesmo sem jamais pisar numa favela. Em dois anos quitou sua dívida com a Justiça e hoje é um produtor musical que inspira livros e filmes. Conquistou sua liberdade e o direito de ser respeitado na sociedade em que vive.Após assistir o filme pela segunda vez, não resisti à tentação de uma comparação com outro comerciante de drogas, ou será traficante? Francisco Paulo Testas Monteiro, o “Tuchinha”, na mesma época em que João vendia drogas no Brasil e no exterior, exercia a mesma atividade no Morro da Mangueira. Foi condenado a 43 anos de prisão e após cumprir mais de um terço da pena com bom comportamento carcerário foi colocado pelo juiz da Vara de Execuções Penais em liberdade condicional, como manda a lei.A saída da penitenciária foi amplamente acompanhada por alguns veículos de comunicação. Afinal, precisava ser lembrada sua condição permanente de traficante, mesmo tendo cumprido grande parte da pena. A decisão do juiz da VEP foi criticada de forma desrespeitosa pelo então chefe de Polícia e por setores da comunicação e da sociedade.“Tuchinha” voltou para sua comunidade na Mangueira e tentou mudar de vida. Dedicou-se à música e à poesia, tendo vencido dois concorridos festivais de samba na própria Mangueira e na Lins Imperial. Assumiu seu nome artístico de Francisco do Pagode como uma forma de afastar-se de sua antiga personalidade ligada ao crime, assim como João abominou seu nome de comerciante de drogas e deu título ao filme “Meu nome não é Johnny”. Mas ninguém o deixou em paz um só minuto. Foi vigiado, escutado, criticado e sua resistência sendo minada porque a ele e a tantos outros não é dado o direito de mudar de vida. Uma vez traficante marca-se sua vida, seu corpo, como uma tatuagem da qual eles não se podem ver livres, ainda que queiram.O filme é forte e rico para uma reflexão porque João Estrella pode não ser mais o “Johnny” que comercializava drogas e Francisco do Pagode tem que ser eternamente o traficante “Tuchinha”?"