sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Onde Os Fracos Não Têm Vez

Pra gostar de Onde Os Fracos Não Têm Vez é preciso gostar de westerns. Também chamado de faroeste, este é um gênero clássico do cinema, com características particulares que o definem. Geralmente são filmados no velho oeste americano como nos estados do Texas, Kansas, Nevada, Arizona...Têm longas tomadas, há muitos silêncios, personagens duros, de pouca fala, frutos daquele cenário árido, desolador. Há sempre o homem bom, durão mas honesto e o homem mau, um matador frio e sanguinário. E claro, não podem faltar tiros, muitos tiros...Basicamente é isso que faz um filme ser considerado um faroeste.
Onde Os Fracos Não Têm Vez tem tudo isso e um algo mais. Todos os aspectos de um western são levados às últimas conseqüências. Os silêncios às vezes parecem intermináveis. O homem que é bom (no caso o xerife de Tommy Lee Jones que narra a história desde o começo) chega a ser ingênuo. O matador sanguinário é tão violento que ultrapassa o limite da compreensão razoável, é um psicopata assassino.

Há um sabor amargo nessa escolha. Uma impressão de fim dos tempos, de fim de uma época, de um gênero. O faroeste inserido na moral de hoje passaria dos limites do aceitável. Seria uma mistura de policial com filme de terror. O clássico embate entre mocinhos e bandidos dá lugar a uma matança sem fim. Mata-se sem saber porquê, porque vive-se sem sentido. A paisagem desértica esconde a angústia de quem só vê no dinheiro uma razão para viver. A desolação do deserto é a imagem do vazio existencial dos personagens. O western acabou porque não existe mais honra.
Essa é de certa forma a mensagem que os respeitáveis irmãos Coen me passaram neste filme com 8 (!!) indicações ao Oscar. Bem, pelo menos era o que eu estava absorvendo do filme até que vem o final...ai, o final !...O que eu tenho é vontade de contar como esses caras escolheram terminar o filme só pra estragar a pseudo-surpresa que eles reservaram a nós pobres espectadores que pagaram ingresso pra ver o filme. O meu vazio existencial de durante a projeção foi preenchido com muita raiva, ódio e vontade de dar uma porrada nos irmãos
Coen...
Eu entendo o valor que o gênero tem na cultura americana e o apreço que o público de lá dá pra um bom bang-bang...mas francamente...depois de assistir pensei nas 8 indicações que o filme recebeu e me senti um burro porque não consigo achar este filme tão melhor do que tantos outros que assisti que nem uma indicaçãozinha receberam...
Talvez esteja aí a minha burrice, procurar sentido e justiça num prêmio da academia que nunca premiou Hitchcock ou Charlie Chaplin...não dá, né?...


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2 comentários:

jchaui disse...

Aldrin, parabéns pelo blog. Achei bem legal. Que vc tenha fôlego de continuar postando...valeu!

jchaui disse...

Aldrin eu sou apaixonado pelo cinema do hitchcock. Interlúdio eu acho o melhor de todos. o remake do O homem que sabia demais e intriga internacional são também ótimos. Vi tudo, ou melhor, quase tudo. Até os da fase muda, bem antes de chegar a hollywood. Um dos grande gênios do cinema. sabia tudo