terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Caçador de Pipas

De novo aquela história de que o filme não é tão bom quanto o livro e blá-blá-blá...
Não existe comparação. É como relacionar andar de bicicleta com comer um pedaço de bolo de chocolate.
Contra tudo que saiu escrito por aí sobre o filme O Caçador de Pipas, fui assisti-lo ontem.
O filme foi malhado pelos críticos aqui, alguns usando a fraca bilheteria nos EUA para justificar seus argumentos.
O que me deixa intrigado é o teor das críticas aqui no Brasil. Gente que leio e respeito dizendo que faltou vibração, emoção, vida no filme de Marc Forster, um cara que já mostrou que sabe dirigir...Ele fez Em Busca da Terra do Nunca, Mais Estranho Que A Ficção e o filme que deu o Oscar para Halle Berry, A Última Ceia. Pela filmografia dá pra sentir que o cara é bastante versátil.

Se a bilheteria nos Estados Unidos não correspondeu, ora, essa é fácil...um filme que humaniza os árabes, nunca vai fazer sucesso na América. Acho que não é preciso explicar porquê a sociedade americana pensa assim após os ataques de 11 de setemebro.

“Faltou emoção ao filme”... bem...eu vivi uma experiência diferente...talvez tenha sido só com a minha sessão, não sei...mas eu e todo o resto da sala era uma choradeira só...só chorões...

Quem foi moleque e empinou pipa um dia vai se sensibilizar muito com as cenas construídas pelo senhor Forster...a câmera acompanha a subida da pipa até o alto...a sensação de vitória dos meninos quando conseguiam cortar a pipa de outro...a profunda amizade entre os dois garotos...a destruição do Afeganistão, primeiro pelos russos depois pelo regime idiotizante do Talibã...O Caçador de Pipas é um filme sobre a amizade, sobre culpa, sobre redenção, sobre coragem, sobre 'segundas chances'...

Era uma questão de tempo o livro do senhor Khaled Housseini virar filme tamanho é o seu sucesso nas livrarias de todo mundo. A história é realmente cativante. Se você não leu o livro e pretende ver o filme pare de ler aqui. Dois meninos no Afeganistão de 1978, um deles de uma casta inferior, vivem uma amizade sincera e pura como só as crianças são capazes. Hassan, o filho do empregado, é atacado por um bando de meninos maiores. Ele é violentado. Amir, o filho do patrão, assiste ao sofrimento do melhor amigo passivamente. O incidente e a omissão de Amir, levam a vida de ambos a conseqüências dramáticas no futuro dos meninos.

Um roteiro fechadinho, que retira do livro o essencial, passagens poéticas, lindas, que combinam o exotismo da cultura árabe (da qual sou um admirador...) com uma história poderosa, atores infantis que dão um show (o menino que faz Hassan é demais!...Marc Forster sabe trabalhar com crianças, vide Em Busca da Terra do Nunca...) e a trilha sonora, que apesar de eu ter achado tímida, está indicada ao Oscar deste ano.

Esses são alguns dos bons motivos para você conferir o filme. Que não é o livro. E nem tem que ser, porque a vocação de um filme é entreter e emocionar uma platéia durante duas horas numa sala escura.
E isso O Caçador de Pipas, o filme, faz muito bem.

Veja onde está passando clicando aqui.

Um comentário:

Ju disse...

Concordo plenamente!