quinta-feira, 28 de junho de 2007

13 Homens E Um Novo Segredo

Assisto tudo de Soderbergh. Acho um dos mais inteligentes e interessantes diretores em atividade. Treze Homens e Um Novo Segredo é uma reunião de amigos que resulta num filme divertido, sofisticado e inteligente. E é melhor que a segunda parte, um filme aliás que era bem chato...Além do charme de sempre ao reunir os principais astros do cinema num mesmo filme, Treze Homens ainda conta com um trabalho incrível de efeitos especiais e direção de arte ao reconstruir virtualmente um mega-hiper-ultra hotel 6 estrelas em Las Vegas. E claro, tem a presença sempre brilhante de Al Pacino como o canalha que será passado pra trás pelo bando de Danny Ocean-George Clooney.
Diversão garantida pra quem prefere champagne à cidra...

sábado, 23 de junho de 2007

Zodíaco

Zodíaco é um ótimo filme policial que fala da obsessão de um cartunista de jornal em descobrir a identidade de um assassino. A história é verdadeira e aconteceu na década de 60 quando um serial killer deu início a uma série de assassinatos brutais. O maluco tinha a ousadia de mandar cartas com mensagens cifradas para redações de jornais e emissoras de TV se auto-intitulando como Zodíaco.
Um jornalista é escalado para cobrir o caso e acaba se afundando na frustração de não conseguir desvendá-lo. O mesmo acontece com os policiais que investigavam os crimes. Quem vai mais longe é o cartunista do jornal que fica obcecado pela história e vai juntando todo tipo de material sobre Zodíaco chegando até interrogar ele próprio, a vários dos envolvidos. Ninguém nunca chegou a uma conclusão...Durante duas décadas, Zodíaco matou pelo menos 13 pessoas e nunca foi capturado.
O diretor é David Fincher que estreou com Seven (sensacional), fez Clube da Luta (um filme de ética duvidosa, eu particularmente não gosto) e o morno Quarto do Pânico.
Acho difícil contar a história de um serial killer que nunca é pego. Mas como se trata de um fato real, a história ganha o peso da verdade e um certo sabor amargo das injustiças que acontecem nesta vida.
Valeu o ingresso!...Agora vou comprar o livro...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Não Por Acaso...

...o filme novo com Rodrigo Santoro é tão fraco, mas tão fraco que não dá nem vontade de comentar...uma pena!...Um desperdício de atores talentosos num roteiro pretensioso e uma direção prepotente...algumas imagens bonitas de São Paulo e uma ou duas sacadas na montagem são insuficientes para diluir a impressão de que o filme vai do nada pra lugar nenhum...triste...

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Como Era Verde Meu Vale

É fácil notar a grandeza de um filme já em suas primeiras seqüências...A combinação perfeita entre texto, imagens e música. Algo mágico, sem fórmulas, que não se descreve com a razão mas se sente nas entranhas...As primeiras cenas de Hillary Swank em Menina de Ouro são comoventes na maneira como sua personagem se revela pobre e determinada. Como disse Drummond a poesia se dá quando se puxa o fio certo do novelo embaralhado e assim, sem fazer força, o poeta ‘desenrola’ as emoções comuns a todos nós, exercendo a função sublime dos artistas: expressar os sentimentos da humanidade.
Todo esse preâmbulo foi para comentar o filme que (re)vi neste fim de semana e que me emocionou mais uma vez...

”Como Era Verde Meu Vale” (How Green Was My Valley) de John Ford, um cara que sabia o que estava fazendo com uma câmera.
Já em sua primeira cena temos as mãos do protagonista em primeiro plano. Ele está partindo, embrulhando suas roupas num pano preto que ele revela ser o xale que a mãe usava para ir à Igreja...Nesse momento o filme dá um salto de uns 50 anos para mostrar a infância de Huw Morgan o filho caçula de uma família de mineiros.
O filme é de 1941, em preto e branco. A história se passa numa vila de mineiros no interior do País de Gales, no início do século passado.
Tudo é de uma beleza, de uma pureza, como raramente se vê nos filmes. Há muitas passagens em que não há palavras. Os personagens vivem emoções profundas ou delicadas muitas vezes sem dizer nada. Um filme arrebatador e que merece o título de clássico. O destaque para o pequeno Huw, feito pelo então adolescente Roddy Mcdowall, um rosto que você com certeza viu em vários filmes, então com 12 anos. É dele a expressão da pureza que contrasta com a degradação da vila em que nasceu, que aos poucos enegrece com a fumaça expelida das minas de carvão. A inocência perdida...os valores transformados...a hipocrisia de uma sociedade...integridade, honra, família...

Para ver e rever sempre...

Homem-Aranha 3...o herói cansou...


O enorme sucesso dos dois primeiros filmes do herói se deve muito às suas histórias, aos roteiros. Filmes de super-herói tem de monte, mas com o personagem principal sofrendo de crises, perdas, dúvidas, são raros e méritos de Homem-Aranha 1 e 2.

Neste terceiro episódio, há muitos efeitos, muitos vilões e pouca história. Algo que, apesar de empobrecer a trilogia não tira a validade de ir conferir este filme que é diversão garantida para um domingo à tarde.
A mim ficou a impressão de que estão todos meio de saco cheio, diretor, atores principais, e fizeram um filme menor pra tirarem dos produtores o argumento da bilheteria numa eventual pressão por um quarto e agora improvável Homem-Aranha.

sábado, 19 de maio de 2007

Desculpas...

...é o que devo aos poucos mas fiéis leitores de meu humilde blog...
Estive ausente destas páginas por causa do meu trabalho que tem me consumido nas últimas semanas...viajei ao Peru para gravar umas matérias e estou naquela fase de imersão total na ilha de edição...mas o assunto aqui é cinema, portanto no próximo post meu parecer sobre Homem-Aranha 3...putz!...

Na foto deixo minha caminhada no deserto de Nazca, sul do Peru, procurando por uma Coca-Cola...

terça-feira, 27 de março de 2007

O Cheiro do Ralo

O Cheiro do Ralo é a história de Lourenço, um personagem escroto que vive num estado de claustrofobia permanente. A solidão urbana de seu dia-a-dia é agravada em seu trabalho. Lourenço vive de comprar e vender objetos usados, antiguidades e outras porcarias que pelos motivos mais ignóbeis somos às vezes levados a guardar. E Lourenço saboreia o seu poder nesse instante quando reina diante das figuras abjetas que o procuram pelo seu dinheiro (que aliás parece nunca ter fim). Esse mesmo jogo de poder é o que alimenta uma das fixações de Lourenço: a bunda de uma balconista de buteco. Uma bunda que ele quer ter, que ele quer subjugar, que ele quer que se submeta à sua torpeza pela paga de um dinheiro qualquer. A outra fixação do anti-herói é o cheiro fétido que sai do ralo do banheiro de seu escritório. Uma metáfora fácil mas eficiente que ilustra a aura do pesadelo em que vive Lourenço. Se você achou tudo muito sinistro fique sabendo que vai assistir rindo porque quem dá vida a Lourenço é Selton Mello, o dono do filme e quem faz valer seu ingresso. Sua interpretação precisa, sem exageros, dá a dose certa de humor e amargura ao papel. Um show!...Já ao diretor faltou um pouco de senso de ritmo, gastou tempo e energia repetindo situações que não surtiam mais efeito algum na platéia. Senti falta de um cafezinho entre os roteiristas que podiam ter parado e pensado melhor num outro final. Algo que se apresentasse melhor como uma moral da história. Do jeito que ficou deixa a sensação de “Ah, o filme caminhou até aqui pra isso?”... Ainda assim vale a pena conhecer O Cheiro do Ralo, um filme para platéias pequenas...
O filme de um ator, Selton Mello. Que Rodrigo Santoro, que nada... Selton Mello é o cara!...

sexta-feira, 23 de março de 2007

300

300 é uma experiência estética única, incrível, das melhores que tive nos últimos anos numa sala de cinema.
Não bastassem a direção de arte impecável, a fotografia irrepreensível, as elaboradas coreografias de luta 300 ainda tem o valor de atiçar a curiosidade de quem assiste em busca de mais informações sobre essa batalha histórica que aconteceu em 480 a.C.

Não há o que comentar. Tudo que eu disser fica pequeno. Você TEM que ver.

Nas fotos, o ator Gerard Butler que nasceu para o papel de Rei Leônidas e ao lado a estátua do mesmo que está nas Termópilas, local onde tudo aconteceu.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Notas Sobre Um Escândalo

Se você tem dúvidas de se vale a pena ver este filme, pense que se trata do melhor trabalho de Judi Dench em sua história no cinema...Se as dúvidas ainda permanecerem saiba que Cate Blanchett está brilhante...não bastassem esses motivos pra conferir este filmaço maduro e surpreendente tem o roteiro do mesmo cara que escreveu Closer e concorreu ao Oscar. Uma professora sexagenária e sinistra (Judi) de uma escola secundarista de um subúrbio de Londres não consegue esconder seus impulsos homossexuais despertados pela professora novata e bela (Cate). A relação de ambas passa da amizade para a submissão numa chantagem velada que a sutil interpretação de Judi coloca no tom exato ao descobrir um pecado da professora Sheba (Cate) que ela usa em seu favor. A direção precisa faz a moral mudar de mão várias vezes. O filme vai da sobriedade à loucura sem parecer inverossímil. Muito bom, muito bom...

quarta-feira, 14 de março de 2007

cinema e política

...revi nesses dias dois filmes do meu pequeno acervo de DVD's que falam de política.
O primeiro é Bob Roberts, você conhece? É um filme que já tem uns anos, é de 1991-92 , um dos primeiros do Tim Robbins. Aliás tem o roteiro e a direção dele. Conta a história de um candidato ao senado americano, um demagogo e populista cantorzinho de folk que sabe usar muito bem os meios de comunicação em seu favor para convencer o eleitorado a lhe dar seus votos. Em linguagem documental e com um elenco sensacional (você vai reconhecer alguns rostos que ainda não tinham estourado...) o roteiro é muito inteligente e bem amarrado.
O segundo filme que revi é a reconstituição do período em que o mundo chegou muito perto de uma guerra nuclear, bem no início dos anos 60 quando John Kennedy era o presidente norte-americano e Nikita Kruschev, o premier soviético. O filme é Os 13 Dias Que Abalaram O Mundo com o Kevin Costner fazendo o chefe de gabinete da presidência. Interessante notar que o pesadelo do fim do mundo numa guerra nuclear aconteceu de verdade há tão pouco tempo. Toda a tensão do jogo político internacional, o cenário do mundo dividido na época e a habilidade diplomática do jovem presidente

Kennedy que lutava principalmente contra os impulsos bélicos de seus próprios oficiais militares que queriam bombardear Cuba, onde os russos instalavam mísseis nucleares. Os bastidores da Casa Branca e toda a pressão que rolou nesse episódio estão nesse filmão que retrata um momento histórico do qual é importante se ter conhecimento. Uma boa dica pra quem está se sentindo carente de momentos históricos mais significativos que o "ponto G das negociações" de ultimamente tem nos permitido...

...ainda sobre A Rainha...

...escrevi que gostei de A Rainha por vários motivos mas esqueci de citar que a direção é de Stephen Frears, um cara de uma versatilidade incomum que tem no currículo filmes incríveis como Alta Fidelidade e Ligações Perigosas, dentre tantos outros...

domingo, 4 de março de 2007

Thanks, Gene...



"Laura, is the face in the misty light


footsteps that you hear down the hall..."



...minha homenagem à mulher que me fez companhia neste domingo ensolarado...

Uma pausa para o Teatro...

...fui assistir a O Avarento, com Paulo Autran no Cultura Artística e saí me perguntando: quantas pessoas de 84 anos hoje conseguem me fazer rir?

Paulo Autran não tem idade. É eterno.

Assim como o texto de Molière que ele escreveu em 1668 e continua incrivelmente atual...

Não perca! É um programão!...
(...como é bom morar em São Paulo...)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

O Último Rei e A Rainha eterna...

Acho que o público está mais exigente com relação ao que é verossímil ou não nos filmes...Principalmente nos que se baseiam em fatos reais e que contam a história de pessoas que viveram em nosso tempo...Depois que Mel Gibson propagandeou seu rigor em obrigar seu elenco a falar em aramaico (caso de A Paixão de Cristo) ou em maia yucatec (caso de Apocalypto) é difícil aceitar ver o Idi Amin Dada discursando para uma tribo de Uganda em inglês. Como pra mim também foi difícil aceitar o personagem do jovem médico escocês que vira amigo íntimo do ditador. Um cara que nunca existiu. Tive a mesma sensação quando vi O Segredo de Beethoven com aquela ajudante do compositor que também nunca existiu. No caso de O Último Rei da Escócia, a performance arrebatadora de Forest Whitaker no papel do general-ditador ugandense que deve valer o Oscar pra ele como todos os especialistas estão prevendo. Merecido. Mas o filme é 4 estrelas na opinião deste que escreve.
A estrelinha que faltou eu dou para A Rainha, um filmaço! Gostei muito!
Todo mundo já deve saber do que se trata: os dias que se seguiram à morte da ex-Princesa Diana e a postura adotada pela família real britânica no episódio. A Helen Mirren como também dizem os especialistas é barbada no Oscar de melhor atriz. E não há como negar que ela fez por merecer.

Aliás todo o elenco está fantástico! O cara que faz o Tony Blair é sensacional!. Meu destaque é para o roteiro, cheio de curiosidades acerca do protocolo da corte e do que aconteceu do lado de dentro do palácio de Buckingham. Uma aula de história contemporânea. O filme se vale de imagens reais dos telejornais da época e tem como ápice o discurso em rede nacional da Rainha Elizabeth II, cedendo à pressão da mídia e da opinião pública, dando satisfações aos seus súditos. Informações preciosas, momentos de emoção (a Rainha de volta à Londres passeando pela calçada com as pessoas se curvando diante dela é uma cena linda!...). Lamentei a falta de informação da platéia do cinema em que assisti que não entendia a fleugma britânica e todo o aspecto ritualístico envolvendo o dia-a-dia da família real. Riam na hora errada...comentários em voz alta...uma tristeza...Mas o filme é ótimo! E depois do filme, confira no You Tube o discurso da verdadeira Rainha que faz com que você admire ainda mais o trabalho de Helen Mirren.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Pecados Íntimos

Sinceramente, não consigo entender como pode Pecados Íntimos não estar concorrendo ao Oscar de melhor filme ou diretor, os dois prêmios mais respeitados do mercado cinematográfico. O filme é maravilhoso!...
Está indicado nas categorias de melhor atriz, Kate Winslet, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro. Mas é pouco. Pecados Íntimos é um filme adulto, desses que retratam a malha intrincada das relações humanas e a diferença entre o convívio social e nossos desejos ocultos, sorrateiros, que escapam ao controle e se revelam quando menos se esperam. Tudo isso sem fazer concessões baratas ao público. Sem cair em clichês manjados. Pelo contrário surpreendendo a platéia com soluções muitas vezes ousadas mas coerentes com seus personagens. Kate Winslet que a cada trabalho fica mais respeitada pela crítica mostra neste filme simplesmente o melhor momento de sua carreira. Aliás aqui ninguém faz feio...o par romântico de Kate é Patrick Wilson que segurou um filme sozinho com a garota de Menina Má.Com e volta a dar um show aqui. Juntos formam um casal luminoso que consegue tornar o absurdo, verossímil, o corriqueiro, encantador, o particular, universal. O indicado do filme ao Oscar de melhor ator coadjuvante é Jackie Earle Haley, um veterano de séries de TV que tem um papel difícil do pedólatra que luta contra sua perversão. Já se imaginou sentindo pena de um pedólatra? Essa é uma das provocações do filme, que pra variar deve ter tido seu título traduzido pelo Tiririca. Little Children, seu título original ficaria muito melhor ao pé-da-letra, Crianças Pequenas. Aliás as criancinhas do filme (a filhinha de Kate Winslet e o filhinho de Patrick Wilson) são lindas e carismáticas. É com elas que a história começa, é com elas que tudo termina. Seus pais vivem em mundos perfeitos, mas se descobrem infelizes, infiéis, hipócritas, cheios de energia e sofrimento, e reagem a tudo com uma ingenuidade pueril revelando que, no fundo, diante de muitas questões da vida, no fundo somos todos do jardim de infância...

Alá-lá-ô-ôôô-ôôô...!...Ziriguidum!

Saldo do meu Carsnavau no Sinema:
A Rainha
À Procura da Felicidade
O Último Rei da Escócia
Pecados Íntimos

daqui a pouco, comentus...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Apocalypto

Acho engraçado os críticos de um modo geral, que às vezes parecem combinar numa reunião de boteco o que todos dirão sobre um determinado filme sem destoar muito das opiniões um do outro. Noto esse movimento em vários lançamentos. Não conheço as motivações, não pertenço ao mundo dos críticos. Nem queria porque a impressão que me dá é que eles se divertem menos que eu. É o caso deste novo filme do sempre criticado Mel Gibson (eu gosto do cara e aí?...vai encarar?...ele já me divertiu mais em um filme médio do que todas as críticas do Celso Sabadin juntas). Tudo bem que o cara pisou na bola no incidente com o policial a quem manifestou toda sua ira anti-semita e seu bafo alcoólico...mas uma coisa é o homem, outra coisa é sua obra.
Achei Apocalypto, o melhor filme de Mel Gibson.
Nos Estados Unidos o filme foi massacrado. Parece que o episódio com o policial pegou mal mesmo junto à opinião pública. Mas eu não quero saber das opiniões de Mel Gibson.
Eu quero que ele cumpra o que se propõe a fazer: me entreter. (sim, eu sei, não se começa oração com pronome mas, por favor, estamos na era Lula...)
Esqueçam os críticos que o acusaram de ser “excessivamente violento”, ou da “imprecisão histórica”, ou da “obsessão do diretor pelo martírio do corpo”...
Apocalypto é o melhor filme de perseguição que eu já vi. Era essa sua intenção e foi isso que ele fez...!
E ninguém pode dizer que o sr. Gibson não sabe contar uma história. Tudo acontece num ritmo frenético, com seqüências de ação complexas e bem construídas, deixando o espectador angustiado com a luta do protagonista pela sua vida e da sua família. O cara sabe filmar!
Vá assistir...depois a gente conversa...

PS: Eu sempre tive vergonha de dizer que achava o seu Hamlet o melhor do cinema até ler que alguns especialistas estrangeiros em Shakespeare como a Dra Laurie Rozakis (PhD em Literatura Inglesa pela Universidade de Nova York) consideravam a versão de Mel Gibson genial.

Não tenha preconceito e saia satisfeito...

Borat



Borat é engraçadíssimo!... Inteligente, engajado, non-sense, ousado.

E uma aula para os humoristas 'coxinhas' da televisão brasileira.

Se você acompanha um pouco do noticiário internacional, vai rir mais ainda...!

Palmas para... O Perfume

Eu não li O Perfume do Patrick Süskind, um alemão que ficou milionário com essa obra publicada na década de 80 e que vendeu pacas. Mas duvido que o livro seja melhor que esta sua adaptação para o cinema (sim, eu sei, não se comparam duas formas tão diferentes de expressão, filme é filme, livro é livro)...Mas o fato é que saí da sessão admirado, deslumbrado com o que vi. A história se passa na França do século XVIII. Um lugar que a história nos revela, era o maior fedor.
O povo vivia sujo, sem tomar banho, comendo lixo. É lá que nasce o protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, dono de uma capacidade extraordinária de captar, identificar e memorizar...cheiros!
Seu poderoso nariz o leva a ser um notável perfumista obcecado em buscar o aroma perfeito...aquele que fará toda a humanidade render-se ao seu gênio criador. O problema é que para Grenouille produzir tal aroma ele precisa fazer algo um pouco inconveniente, tipo...matar umas pessoas. Assim começa o calvário desse anti-herói que comete crimes horríveis ao mesmo tempo que nos faz torcer por ele. Efeito parecido com o que ele quer para seu perfume perfeito: o da sedução absoluta de toda a humanidade.
Atenção para as soluções visuais encontradas pelo diretor (Tom Tykwer, que fez Corra, Lola, Corra) para mostrar a imagem dos “cheiros” captados por Jean-Baptiste: simples, diretas e eficientes.
Se você for ver, lembre-se que tudo se trata de uma grande fantasia, e não de uma história baseada em fatos reais, como muitas vezes o tom sombrio e a caprichosa direção de arte o fará pensar. Só assim, com essa postura, você absorverá o gran finale, um delírio pertinente do autor e o fim de Jean-Baptiste, um personagem para entrar na história dos grandes filmes, tanto quanto O Perfume deve virar um clássico.

O filme tá meio escondido no meio de tantos indicados ao Oscar (que injustamente ignorou O Perfume), pouco se fala nele. Mas vá assistir.
É sensacional!...

O Labirinto do Fauno

Quando assisti a Hellboy pela primeira vez (acho que em 2004) senti que naquele filme havia algo mais do que uma simples historinha de um herói (no caso um anti-herói) que enfrenta o mal, cheia de efeitos especiais, etc...
Hoje (dezembro de 2006) depois que vi O Labirinto do Fauno, percebi claramente o trabalho de um diretor que evoluiu em sua capacidade de contar bem uma história ilustrando-a com imagens bem elaboradas. O Labirinto do Fauno do diretor mexicano Guillermo Del Toro (ele é parente do Benício, o ator...) é de uma beleza tão grande, tão intensa que ao mesmo tempo que encanta, às vezes até sufoca...Aliás há no Labirinto tanto desse paradoxo...Nunca havia visto um filme costurar com tanto talento violência (sim o filme é bastante violento! Não é para criancinhas...) e delicadeza...Fantasia e realidade se entrecruzam com a sensibilidade de um roteiro inspirado e uma direção criativa. Um filme que fala direto ao coração de quem o assiste, em especial ao das mulheres, há muito do universo feminino na história (impossível não se emocionar com o apelo que menina faz ao irmãozinho que ainda não nasceu, encostada na barriga da sua mãe grávida e doente...).
Uma fábula nos moldes clássicos adaptada ao público do século XXI. E que provavelmente ganha o Oscar de filme estrangeiro deste ano. Filmão...