Dia 29 de abril faz 28 anos que Hitchcock morreu. Para registrar a data, Larry King entrevistou algumas das musas do mestre do suspense como Tippi Hedren de Os Pássaros, Eva Marie-Saint de Intriga Internacional e a filha de Hitchcock, Patricia, uma velhinha muito simpática.
Quem quiser conferir tem que esperar pra ver no próximo domingo à noite na Play TV.
Olá! Este é um espaço em que escrevo sobre filmes que vi no cinema ou em home video. São só impressões de quem vai muito ao cinema e encontrou aqui uma maneira de dividir e trocar opiniões... Bem-vindo e obrigado por ler meu blog!
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
O Banheiro do Papa
Demorei pra conferir este filme uruguaio dirigido pelo Cesar Charlone que dentre outras referências foi o diretor de fotografia de Cidade de Deus. Demorei porque ando muito ocupado, com pouco tempo para o Cinema, e porque as pessoas que convidava pra ir comigo torciam o nariz pro convite..."filme uruguaio?...hmmm...hoje não..."Bem, O Banheiro do Papa é um filme de orçamento pobre, sobre pobres e a pobreza dominante numa cidadezinha na fronteira do Uruguai com o Brasil...a miséria está expressa tanto na textura da fotografia quanto no áudio sufocado da película, uma opção que torna o filme menos acessível para grandes platéias...mas é um filme de uma simplicidade e de uma sensibilidade tão grandes que é difícil não se comover com a luta de Beto, o personagem principal, que decide montar um banheiro público para o dia em que sua cidade receberia a visita do Papa João Paulo II em maio de 1988. Para realizar seu projeto, Beto precisa intensificar suas viagens ao Brasil para contrabandear alimentos para os uruguaios. É assim que ele ganha a vida e sustenta a família, mulher e filha, esta última sonha em ser jornalista. Claro que os planos de Beto não terminam como ele esperava.
Um belo filme, encantador...Palmas para o uruguaio Charlone!...
domingo, 6 de abril de 2008
...o último grande astro...
Quando se fala em clássico de cinema tem gente que torce o nariz, acha que é coisa de velho, de saudosista, de cara que prefere ver coisas de sua época ou gosta de velharia mesmo...nunca tive esse tipo de preconceito...pra mim clássico é aquilo que vence o tempo e ponto. Não é algo necessariamente velho. Matrix, por exemplo, nasceu clássico. Daqui a 30 anos vão assistir e achar sensacional. Um filme que não vai morrer. Outro filme eterno é Ben Hur. Dia desses comentando com um amigo, fiz com que ele procurasse ver o filme que ainda não conhecia e fiquei feliz quando ouvi depois seu comentário surpreso com o quanto tinha se emocionado com um filme "tão velho"...Ben Hur é espetacular...Mas este post é pra falar que não existiria Ben Hur sem o carisma e a cara de bom moço de Charlton Heston. Seus engajamentos recentes a parte, seu posicionamento com relação ao desarmamento, o que fica é a imagem de um ator associada a grandes produções dos anos 50-60. Acho que era o último dos grandes astros de uma Hollywood que não existe mais.
Morreu no último sábado com 84 anos.
Foi se encontrar com o amigo de Ben Hur...aquele que aparece em seu caminho por duas vezes...você viu o filme?
segunda-feira, 31 de março de 2008
Os cinco filmes mais caros da história...
Em valores atualizados, com o dólar corrigido aos dias de hoje, os cinco filmes mais caros da história do cinema seriam:
1 - Guerra e Paz (alguém viu?...) de 1956, custou 560 milhões de dólares.
2 - Cleopatra, aquele com a Elizabeth Taylor, de 1963...precisou de 286 milhões de dólares pra ser produzido.
3 - Titanic, de 1997...custou 247 milhões de dólares
4 - Waterworld de 1995...gastou 229 milhões de dólares
5 - O Exterminador do Futuro 3 produzido em 2003...custou 216 milhões de dólares.
1 - Guerra e Paz (alguém viu?...) de 1956, custou 560 milhões de dólares.
2 - Cleopatra, aquele com a Elizabeth Taylor, de 1963...precisou de 286 milhões de dólares pra ser produzido.
3 - Titanic, de 1997...custou 247 milhões de dólares
4 - Waterworld de 1995...gastou 229 milhões de dólares
5 - O Exterminador do Futuro 3 produzido em 2003...custou 216 milhões de dólares.
domingo, 30 de março de 2008
O corte-seco mais incrível de todos os tempos...
Faz exatamente 40 anos...O filme estreou nos Estados Unidos na primeira semana de abril de 1968. E a ficção científica nunca mais foi a mesma.
Não dá pra lembrar de 2001: Uma Odisséia No Espaço e não citar uma das cenas mais sensacionais da história do cinema.
Em linguagem cinematográfica ou de TV, corte-seco é o corte mais simples que se pode fazer numa edição. É simplesmente juntar duas cenas sem absolutamente nenhum efeito. É pegar dois pedaços de filme ou fita e colar.
Em 2001, Stanley Kubrick fez de um corte-seco a maior elipse de tempo da história da sétima arte. Do osso pré-histórico à nave espacial em um único salto...Clique e veja.
Uma cena para sempre!...
O autor da Odisséia foi pro espaço...
O escritor Arthur Clarke morreu na semana passada aos 90 anos. Deixou como legado inúmeros livros de ficção científica e o roteiro que virou livro de 2001: Uma Odisséia no Espaço. Clicando na imagem você assiste o vídeo com seu último depoimento gravado em dezembro do ano passado quando completou 90 anos. Tá num inglês bem simples pra quem tem nível intermediário no Fisk consegue entender...Um cara visionário, genial, que quando fez parceria com outro gênio, Kubrick, conseguiram produzir a mais fantástica e enigmática obra do gênero. Até hoje, 2001 tem um dos finais mais intrigantes da história do cinema. Todo mundo tem a sua interpretação do final do filme. Recentemente lançaram os principais filmes de Kubrick em versão caprichada em DVD, cheio de extras. A de 2001 vale a pena comprar. Os documentários e making off são sensacionais!...
sábado, 22 de março de 2008
Antes de Partir
Rob Reiner é um diretor em que presto atenção. Não é um grande nome do cinema, nunca será venerado como um gênio que entrou pra história da sétima arte, provável que nunca leve um Oscar...mas eu o admiro. Além da cara de gordinho amigão (tipo um Papai Noel mais jovem...) acho que ele tem uma incrível capacidade de criar emoção. Emoção numa forma pura que brota de situações simples, corriqueiras. Se tem uma palavra pra definir sua obra é Simplicidade...
Em todo filme de Rob Reiner (que é filho do Carl Reiner, o ator mais velho da turma do 11,12,13 Homens e um Segredo [e diretor de comédias engraçadíssimas como aquela com o Steve Martin Clente Morto Não Paga, você já viu?...]), em todo filme de Rob Reiner tem pelo menos uma cena que me marca, que me emociona...
Jack Nicholson gritando na cara do Tom Cruise “..are we clear?” (estamos entendidos!) e depois desabando de ódio e confessando em pleno tribunal que tinha mandado mesmo matar o recruta que considerava fraco em Questão de Honra...
O clima de amizade sincera como só as crianças podem sentir, presente em Conta Comigo (Stand By Me, de 1986), e aquele grupo de garotos inesquecíveis do interior dos EUA...
Bruce Willis e Michelle Pfeiffer tentando salvar o casamento conversando sobre o ponto alto do dia de cada um em A História de Nós Dois (Story Of Us) um filme de 1999, que não foi um grande sucesso mas tem momentos lindos...
E o meu favorito, Harry e Sally, que gosto de tudo. Filme que fez Meg Ryan virar a namoradinha da América por uns tempos e indicado ao Oscar de melhor roteiro original em 1989.
Este Antes de Partir entra na lista dos filmes emocionantes de Rob Reiner. Daqueles que causam muita choradeira nas salas. O filme é tocante, não há como negar. É também o registro de um grande encontro. De dois grandes nomes do cinema do nosso tempo: Jack Nicholson e Morgan Freeman, esplêndidos.
A história é de certa forma até previsível. Dois velhos, se tornam amigos no hospital quando recebem a notícia de que têm pouco mais de seis meses de vida. Daí decidem fazer uma lista com coisas que querem fazer ”antes de partir”. E na lista tem aquelas coisas manjadas, de livro-de-auto ajuda tipo “testemunhar algo grandioso”, “beijar a garota mais bela”, etc...
Como cinema é um filme simples.
Mas será que não é aqui que se esconde o verdadeiro recado deste filme?
Ao optar por uma direção 'simples' de uma história ‘simples’ , Rob Reiner nos relembra o que todos nós sabíamos (ou deveríamos saber)...que nessa vida, são as coisas simples que importam.
Vejam só minha incompetência...precisei de todas essas linhas pra dizer o que mr. Reiner disse em um belo filme.
Melhor fez o nosso Drummond quando escreveu que “...as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão...”.
Vou dormir que é melhor...
quinta-feira, 20 de março de 2008
Rambo 4
O Contardo Calligaris que escreve na Folha e é um cara muito mais respeitável do que eu, escreveu um texto bacana sobre o filme Rambo 4, que eu não tive saco de ver mas deixo artigo dele aqui..."O filme Rambo 4 estreou há pouco no Brasil. Assisti ao filme mais de um mês atrás, no dia de sua estréia nos Estados Unidos. Foi numa sala do cinema AMC, na rua 42, em Nova York, e o espetáculo era mais na platéia do que na tela: já durante as propagandas e os trailers, surgiam gritos que queriam apressar a chegada do guerreiro: "Rambooo!!". É fácil entender por que John Rambo é um herói popular: ele é um concentrado dos devaneios do indivíduo ocidental. É o pistoleiro de "Gatilho Relâmpago": ninguém imagina quem ele é e do que ele é capaz (parecemos inócuos pais de família, mas somos tigres adormecidos, viu? Não cutuque). É Shane, o andarilho misterioso de "Os Brutos Também Amam" (e de seu remake "O Cavaleiro Solitário"), que chega, faz justiça e vai embora ferido, levando consigo o coração de mulheres e crianças. É o delegado de "Matar ou Morrer", que, sozinho ou quase, enfrenta a todos. E é também, desde o primeiro filme da série, um homem à procura de um pai. Que mais poderíamos querer da vida? Claro, Rambo é execrado por quem gostaria que nosso repertório de sonhos fosse diferente. Além disso, os filmes de Rambo são, no mínimo, desiguais. Mas não quero falar nem da qualidade cinematográfica dos filmes nem da relação de Rambo com o protótipo do herói promovido pelo western hollywoodiano.
Há um outro aspecto da série que me interessa mais: os filmes de Rambo traçam um retrato das variações de um estado de espírito dos norte-americanos nos últimos 25 anos. O primeiro, "First Blood" (primeiro sangue, mas, no Brasil, o título foi "Rambo"), de 1982 (inspirado num romance de 1972), expressava perfeitamente o conflito de uma nação que passava da oposição contra a guerra no Vietnã, nos anos 70, à sensação culpada de ter traído seus próprios soldados. O segundo, de 1985, era a conseqüência imediata do primeiro: o resgate dos hipotéticos prisioneiros da mesma guerra lavava, enfim, a honra nacional. Poucos anos mais tarde, o sucesso do musical "Miss Saigon" confirmava essa peripécia espiritual: a vergonha de uma guerra impopular era substituída pela vergonha de ter abandonado amigos, aliados, presos e (essa era a novidade do musical) as crianças nascidas dos amores de guerra. No terceiro, de 1988, Rambo já desistira de guerrear. Ele só ia à luta, no Afeganistão ocupado pelos soviéticos, para salvar o coronel Trautman, seu mentor. Mesmo na Guerra Fria "tradicional", em suma, só vale a pena lutarmos se for para defender os "nossos", ou seja, os mais próximos. Hoje, o quarto (e último, imagino) filme de Rambo é uma espécie de conclusão lógica: intervir, meter-se na casa dos outros é impossível. Os missionários, com Bíblias e remédios, não mudam nada no horror que eles visitam. No melhor dos casos, eles satisfazem sua própria consciência culpada; no pior, eles acabam mortos. A força tampouco muda nada, ela deixa mais um rastro de sangue, e as coisas continuam iguais. Só resta voltar para casa. No meio da atual aventura iraquiana, que não tem saída em vista e produziu, como efeito, a substituição de um horror por outro, a derradeira aventura de Rambo completa uma longa argumentação pelo isolacionismo -que é uma antiga tentação americana, crescente desde a Guerra do Vietnã. É possível que uma vitória dos democratas nas eleições presidenciais de novembro leve os EUA a adotar a escolha final de Rambo. Seria um alívio? Pode ser. Mas talvez seja mais sábio ficar com um "veremos". Afinal, não sabemos como seria o mundo sem o intervencionismo americano."
domingo, 16 de março de 2008
Um Bom Ano...
quinta-feira, 13 de março de 2008
O Homem de Ferro
terça-feira, 11 de março de 2008
Bilheteria
Atenção para as dez maiores bilheterias no Brasil em 2008. Até o dia de ontem, os dez filmes mais vistos pelos brasileiros neste ano são:
1- "Eu Sou a Lenda"
2- "Meu Nome Não É Johnny"
3- "Alvin e os Esquilos"
4- "A Lenda do Tesouro Perdido"
5- "A Bússola de Ouro"
6- "O Caçador de Pipas"
7- "PS Eu Te Amo"
8- "Juno"
9- "O Gângster"
10- "Meu Monstro de Estimação"
1- "Eu Sou a Lenda"
2- "Meu Nome Não É Johnny"
3- "Alvin e os Esquilos"
4- "A Lenda do Tesouro Perdido"
5- "A Bússola de Ouro"
6- "O Caçador de Pipas"
7- "PS Eu Te Amo"
8- "Juno"
9- "O Gângster"
10- "Meu Monstro de Estimação"
segunda-feira, 10 de março de 2008
Todos Contra Zucker
O Cinema Alemão está mesmo vivendo uma fase muito rica. Adeus, Lênin! , Edukators , A Vida dos Outros são só alguns exemplos de grandes filmes recentes produzidos na Alemanha. Este Todos Contra Zucker é uma comédia inteligente e engraçada sobre um certo Jacob Zuckermann, o Zucker do título, um judeu malandro que vive na Berlim de logo depois da queda do Muro que se vira pra pagar um monte de dívidas e reconquistar o amor da mulher e dos filhos.
Sua mãe morre e para que Zucker receba uma parte de uma suposta herança ele tem que voltar a conversar com o irmão judeu ortodoxo com quem não falava há muito tempo.
As respectivas famílias são obrigadas a viverem juntas por uma semana na mesma casa. E aí o filme fica engraçadíssimo!...
Muitas piadas de judeu que devem ter deixado Woody Allen morrendo de inveja...!
Uma coisa me deixou intrigado: por que o filme só estreou aqui agora se ele é de 2004?...
Confira onde está passando aqui.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Na Natureza Selvagem 3...
Um rapaz de 22 anos sai da faculdade de antropologia e história com as melhores notas da turma e decide abrir mão de absolutamente de tudo (família, dinheiro, carreira, futuro) pelo sonho de viver uma aventura de verdade no Alasca, sobrevivendo apenas com o que pudesse extrair da natureza.Essa foi a decisão que o jovem Christopher McCandless tomou em 1990. Ele buscava uma vida menos materialista como a dos clássicos românticos que costumava ler em sua juventude. Thoreau, Jack London, Tolstoi, Byron...o filme está cheio de citações que ajudam a entender a cabeça do jovem McCandless. Ele pediu carona para várias pessoas, morou numa comunidade hippie, fez rafting no rio Colorado, foi parar no México, sempre anotando, lendo e deixando marcas profundas nas pessoas que cruzaram seu caminho em seus anos de andarilho. Christopher McCandless não teve um final feliz...não vou aqui contar o que acontece com ele, mas como se trata de um fato verídico, talvez você já conheça o fim dessa história. Se você não sabe e não quer que eu estrague sua ida ao cinema, pare de ler aqui.
Se o Oscar fosse sério, Emile Hirsch teria sido pelo menos indicado na categoria de melhor ator. Seu personagem começa o filme pesando 70 quilos e nas cenas finais no Alasca chega aos 52 !...Além do tremendo esforço físico (não existe dublê nesse filme) Emile está espetacular demonstrando uma maturidade raríssima pela sua pouca idade.
Sean Penn levou 10 anos pra convencer a família de Christopher a lhe dar a autorização para filmar. Os McCandless não queriam ver a vida do filho perdido transformada em uma historinha açucarada como Hollywood costuma fazer. Sean Penn tinha muita certeza do que queria. Não desistiu enquanto não conseguiu os direitos sobre a história. Como roteirista e diretor ele dá o tom certo ao filme que não faz concessões ao emocionalismo barato. Ninguém sai do cinema chorando neste filme. Mas só se você tiver um coração de pedra, Na Natureza Selvagem não vai arrebatar seu espírito. Há imagens de uma beleza tão impressionante dos lugares por onde Christopher passou a caminho do Alasca digna dos momentos mais inspirados da história do Cinema. O diretor de fotografia, Eric Gautier, foi chamado por Penn depois que este assistiu ao Diários de Motocicleta do Walter Salles. A trilha sonora é um show a parte...é toda ela obra do vocalista do Pearl Jam Eddie Vedder que ganhou até Globo de Ouro pelo seu trabalho!...
Christopher McCandless morreu de fome e frio aos 24 anos após 113 dias de Alasca. Seu corpo foi encontrado dentro dos destroços de um ônibus escolar abandonado pesando apenas 30 quilos. O local se tornou um ponto de peregrinação e culto ao mito de McCandless. Hippies e andarilhos de toda parte vão até lá para ver a última morada de Mr. Supertramp (como ele se auto-intitulou). Suas botas e seus escritos estão lá até hoje. Na porta do ônibus é possível ler o que pode ter sido a última mensagem do garoto:
"S.O.S. Eu preciso de sua ajuda. Estou machucado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não estou brincando. Pelo amor de Deus, por favor, continuem tentando me salvar. Estou lá fora pegando frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless. Agosto?"
Contra a vontade dos produtores, Sean Penn decidiu filmar nos locais exatos por onde Chris havia passado. Menos no ônibus. Penn temia os estragos que uma equipe de filmagem poderia fazer no espaço. Não filmou lá por respeito.
Respeito...solidão...bondade...abnegação...são fragmentos que ajudam a dimensionar a grandeza deste filme feito para vida toda. Imperdível!...
Confira onde está passando aqui.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Na Natureza Selvagem 2...
Antes de comentar Na Natureza Selvagem (Into The Wild) o filme do Sean Penn, preciso falar de dois livros que li na adolescência e que mexeram muito comigo. O primeiro foi O Fio da Navalha, do Somerset Maugham, um romance em que pela primeira vez aprendi o significado da palavra abnegação. Um jovem aristocrata (e aventureiro) americano vê seu melhor amigo dar sua vida por ele na Primeira Guerra Mundial. O eterno mistério da morte faz com que ele questione a própria vidinha materialista que leva, partindo em busca de respostas que ele vai encontrar na Índia e na milenar filosofia oriental. O jovem (Larry) muda para sempre.O segundo livro que quero citar aqui é outro clássico americano, Walden ou A Vida Nos Bosques, do Thoreau, que fui ler assim que vi Sociedade dos Poetas Mortos lá nos meus 18 anos. O trecho “...eu fui à floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente e sugar a própria essência da vida...expurgar tudo o que não fosse vida; e não ao morrer, descobrir que não havia vivido...” foi um dos mais repetidos no mundo inteiro depois do filme. Se Walden não tivesse sido escrito, não teria havido Ghandi, a geração hippie ou o movimento ecológico... foi assim que descobri porquê gosto de fazer trilha...A Vida Nos Bosques não é só um livro, é uma semente.
Depois de dar essas informações, agora posso contar num próximo post porquê Into The Wild me emocionou tanto...
quarta-feira, 5 de março de 2008
Na Natureza Selvagem...

...já faz alguns dias que assisti mas ainda estou digerindo esse filme, Into The Wild...foi como uma bomba de efeito retardado em mim, por vários motivos...me peguei chorando algumas vezes lembrando do que tinha visto...um daqueles filmes que vou guardar no coração...lindo, lindo...
Que bom que o Cinema existe!...
Que bom que o Cinema existe!...
terça-feira, 4 de março de 2008
Estréia, finalmente, Sicko...
O último trabalho de Michael Moore estréia nesta semana no Brasil. O documentário ataca desta vez o sistema de saúde norte-americano. Já comentei o filme aqui quando o vi na Mostra no ano passado. É duca...
segunda-feira, 3 de março de 2008
Speed Racer vem aí...
Quem quiser dar uma olhada no trailler é só clicar na imagem.
Sensacional!...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Fim do mundo 2...
Bom, chega de falar de Oscar...Em um papo recente com meu amigo cinéfilo e seriófilo Paulo Gustavo, editor-chefe da Sci Fi, desabafei minha tristeza em saber que minha modesta DVDoteca de 1000 unidades estava com os dias contados...com a recente decisão da Warner de não lançar mais seus filmes em DVD, a tendência é que as outras grandes corporações cinematográficas façam o mesmo. Agora elas vão lançar seus filmes no mercado no formato Blu-Ray, um disquinho azul com muito mais capacidade de memória o que permite a imagem em alta-definição. Fiquei triste porque os aparelhos de Blu-Ray além de mais caros (custam em média 3 mil reais) tocam os disquinhos convencionais de DVD’s com a mesma qualidade de um DVD player fuleiro. Minha esperança nessa luta pela alta-definição era que o HD-DVD (a proposta da Toshiba) vencesse o Blu-Ray, uma idéia da Sony. Mais ou menos como aconteceu nos anos 80 quando o VHS venceu o formato Betamax, que só a Sony fazia. Desta vez a história foi outra. A Sony ganhou a parada na definição do substituto do DVD. E o fiel da balança sabe quem foi? O Playstation 3...o game de última geração da Sony, e o mais vendido no mundo só roda jogos em Blu-Ray...um mercado muito forte que ajudou a pressionar as companhias cinematográficas. O que fazer agora? Quem tem um monte de DVD’s (como eu) o melhor é esperar. Porque se a indústria cinematográfica demorou 3 anos para escolher o substituto do DVD, a gente já sabe quem será o do Blu-Ray...a internet. Com a TV digital e os modelos cada vez mais sofisticados de plasmas e lcds, todo televisor estará em breve conectado à internet que, graças à banda larga, funcionará como a DVDoteca do futuro. E sem ocupar espaço na prateleira. Não sei se vou gostar disso...
Fim do mundo...

...chega a ser irônico que depois de 3 meses e meio de greve dos roteiristas em Hollywood quem faturou o prêmio de melhor roteiro original tenha sido uma ex-stripper maluca vestida de oncinha que nunca tinha feito um roteiro antes...ela se auto-apelidou Diablo Cody e quando perguntaram se ela tinha virado stripper por dinheiro ela disse que não: " - Fui ser stripper porque tava a fim..."
Putz...
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Destaques 2...
...achei bacana premiarem O Ultimato Bourne com 3 Oscars. Todos de categorias técnicas mas tudo bem. É uma forma de reconhecer o trabalho do diretor Paul Greengrass que já concorreu a melhor diretor por Vôo United 93 e foi o grande responsável pelo sucesso da trilogia (além, claro, de Matt Damon). A série Bourne é espetacular.
Achei uma sacanagem não terem lembrado de 300 em nenhuma categoria, nem nas técnicas onde o filme merecia ao menos competir...uma prova de que Oscar é um prêmio de momento, de mercado, tipo " - Vamos estimular a bilheteria de X porque está em cartaz...isso interessa...filme que já saiu de cartaz, é do ano passado, ah, deixa prá lá..."...
Outra que foi difícil de engolir pra mim foi Sangue Negro ter perdido melhor roteiro e filme...Onde Os Fracos Não Têm Vez é um filminho de perseguição...bom...mas só isso.
Achei uma sacanagem não terem lembrado de 300 em nenhuma categoria, nem nas técnicas onde o filme merecia ao menos competir...uma prova de que Oscar é um prêmio de momento, de mercado, tipo " - Vamos estimular a bilheteria de X porque está em cartaz...isso interessa...filme que já saiu de cartaz, é do ano passado, ah, deixa prá lá..."...
Outra que foi difícil de engolir pra mim foi Sangue Negro ter perdido melhor roteiro e filme...Onde Os Fracos Não Têm Vez é um filminho de perseguição...bom...mas só isso.
Destaques 1...
...muito bonitas as reações da francesa Marion Cotillard e Javier Bardem quando ganharam o Oscar. O discurso do espanhol foi emocinante. Interessante que nenhum americano ganhou nessas categorias. Daniel Day Lewis e Tilda Swinton são britânicos. É o Oscar globalizado...
Oscar, final...
Depois das piadinhas-pra-americano-dar-risada de sempre, dos erros na dublagem ao vivo, duas horas depois o resultado é que acabou de entrar para a história do cinema o filme Onde Os Fracos Não Têm Vez como o melhor filme da Octogésima edição do Oscar 2008...sem comentários.
Assista e tire suas conclusões...
Assista e tire suas conclusões...
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Daqui a pouco tem Oscar 2008...
...vou arriscar aqui meus palpites.Melhor filme deve ganhar Sangue Negro ou Desejo e Reparação. Sangue Negro é meu preferido mas Reparação tem jeitão de filme de Oscar.
Melhor ator é barbada, Daniel Day Lewis fez melhor, não há concorrente à sua altura. Ator coadjuvante deve ser Javier Bardem. Melhor atriz também é insuperável o trabalho da francesa Marion Cotillard encarnando Piaf mas aqui tem que se levar em conta a vocação da Academia em premiar quem está velhinho, então nesta categoria é possível que dêem o prêmio pra Julie Christie (alguém lebra dela?...tipo em Doutor Jivago?...).
Melhor diretor ninguém merece mais do que o Paul Thomas Anderson pelo seu Sangue Negro. Mas é possível que resolvam premiar os irmãos Coen, tipo pelo conjunto da obra.
Coisas do Oscar...
Juno
Ontem fui assistir a Juno, um filme de baixo orçamento que tá concorrendo ao Oscar como o azarão deste ano mais ou menos como foi A Pequena Miss Sunshine no ano passado. E que a comparação termine aí...Este Juno não passa de um filminho adolescente que conta a busca da adolescente Juno por pais adotivos para o filho que está gestando em sua ‘gravidez na adolescência’...como tudo que é muito adolescente, o filme é muito chato...boboca até. Tenho lido muita coisa dizendo que o filme é sensacional, é isso-aquilo, o vai-da-valsa de sempre dos ‘creticos’ daqui que lêem Variety e dão um ‘Control C - Control V’ para não ‘destoarem’. Tipo já vão ver o filme com a intenção de gostar e espalham que o filme é bom depois. Não é. Vai virar filme de sessão da tarde logo e já consigo ver pilhas desse filme em dvd encalhado nas lojas americanas por 12,99. Se o filme tem um destaque é a atuação da jovem Ellen Page que para muitos era uma novidade mas porque não a viram em Menina Má.Com onde ela já mostrava que tem muito talento segurando um filme inteiro praticamente sozinha. Aqui ela faz uma garota muito inteligente de 16 anos (irrealmente inteligente, diga-se) que fica grávida em sua primeira transa com o amiguinho da escola. Toma a decisão sozinha de doar a criança quando nascer e comunica seus pais que acatam passivamente a escolha da filha (putz). Ela então procura um casal legal pra entregar o filho e encontra a Jennifer Garner que faz uma ricaça casada com um marido que é um personagem muito mal resolvido na trama. Bem estou com preguiça de contar mais sobre o filme. Se resolver assistir não espere muito, tipo ‘oh, estou indo ver um candidato ao Oscar...’. A Academia não tem lógica e já deu muitos prêmios injustificáveis...Este Juno não passa de uma ‘comédinha’ adolescente. Too boring...
Se quiser arriscar, veja onde tá passando aqui.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Sangue Negro
Sangue Negro é a história de um homem, sua saga para se tornar um bilionário explorador de petróleo no início do século XX. Seu nome é Daniel Plainview. Tem algo de Charles Foster Kane misturado com o Robert de Niro de Touro Indomável, aquele homem que é excelente no que faz mas destrói tudo que ama.O filme não existiria sem Daniel Day-Lewis o ator que criou uma caracterização inesquecível de um personagem que tem muito em comum com sua vida real.
Além de ser xará de seu personagem há na biografia do ator um filho com a atriz Isabelle Adjani chamado Gabriel. Daniel não fala com a ex desde que se separou e também com o próprio filho. Um assunto no qual o senhor Day-Lewis não toca de jeito nenhum.
No filme, um dos momentos de maior carga dramática é quando Daniel Plainview confessa num culto evangélico ter abandonado o próprio filho. Não foi à toa que Daniel Day-Lewis interpretou essa cena com tanta força, com tanta verdade.
Filmão que tem grande chance de ganhar o Oscar mas que o público brasileiro deve ter dificuldade de assimilar...é uma saga americana, uma história inerente a eles, à cultura americana. A mesma resistência que terão os brasileiros a esse filme pode ser comparada à crítica alemã e européia que, por não conseguirem compreender o nosso universo, taxaram Tropa de Elite de nazista.
Sangue Negro é um dos melhores filmes lançados em 2008 até agora. Uma atuação irrepreensível, uma trilha incrível do guitarrista do Radiohead, fotografia, montagem e direção impecáveis...do mesmo diretor e roteirista do cult Magnolia, este Sangue Negro, com toda certeza, vale o ingresso.
Pra saber onde está passando, clique aqui.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Meu Nome Não É Johnny repercute...
O jornal O Globo publicou no último dia 7 de fevereiro um artigo intitulado "Meu nome não é ‘Tuchinha’", escrito pelo conhecido e muitas vezes polêmico, desembargador Siro Darlan. O texto vai parecer um pouco longo para alguns mas vale muuuuito a pena ser lido:
“O filme “Meu nome não é Johnny”, que conta a história de um dos maiores vendedores de drogas do Rio de Janeiro, merece uma séria reflexão sobre algumas graves denúncias feitas. Algumas já conhecidas por toda sociedade e pelas autoridades, mas pouco combatidas, como a corrupção policial, o tratamento diferenciado a autores de crimes de acordo com sua origem social, raça ou poder econômico, que a Zona Sul “brilha” como já havia denunciado o experiente delegado de polícia Hélio Luz. E outras que estão a merecer investigação e manifestação pública das autoridades mencionadas, como a acusação de ponto de venda de drogas nas dependências do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.Por um lado a história é fascinante e desmistifica a lenda segunda a qual não há volta para aqueles que atravessam a fronteira do convencional e usam ou vendem drogas. O personagem João Estrella se propõe a debater com universitários e especialistas sua experiência pessoal. Isso é muito bom e enriquecerá o mundo tão discriminado dos usuários de drogas. Afirma em entrevista que considera o tráfico apenas o comércio de uma substância convencionalmente tida como ilícita, mas que causa tanto mal quanto tantas outras permitidas. Defende a legalização desse comércio, mas acha que no Brasil isso ainda irá demorar muito a acontecer. São manifestações que devem ser colhidas com o respeito que merecem aqueles que passaram por essa tenebrosa experiência e precisam ser debatidas pela sociedade sem o tradicional preconceito que temas como esses costumam ostentar.Merece destaque o importante papel da juíza na apreciação da causa. Em situações corriqueiras João Guilherme estariaainda amargando uma prisão, sabe-se lá com que objetivos, pelo menos até 2010. Teve a sorte de ser julgado por uma magistrada sensível, que viu naquele réu não apenas o agente de um crime de tráfico e formação de quadrilha, mas também uma vítima do sistema hipócrita que leva tantas pessoas a trilhar os mesmos caminhos de João Estrella.A juíza não só apostou na recuperação de João como foi visitá-lo na prisão. Raridade que deveria inspirar todos os magistrados que condenam pessoas a cumprirem pena por haverem descumprido normas legais em estabelecimentos que fazem letra morta da Lei de Execuções Penais em vigor desde 1984. A visita aos estabelecimentos de cumprimento de pena deveria ser obrigatória a todos os magistrados.Outra denúncia grave, mas que é de todos conhecida, é a péssima condição desumana do sistema penitenciário, onde se pretende a impossível recuperação de um ser humano tratado como bestas. Parabéns para a produção, que retratou o ambiente exatamente como a realidade das prisões e dos manicômios, chamada pela lei de Casa de Custódia e Tratamento (?).João Estrella não é um traficante, e sim um comerciante de drogas. Traficantes só são assim chamados os de origem humilde que moram nas favelas e comunidades. Contou com um bom advogado que garantiu uma rápida passagem pelocoletivo do Manicômio, logo ascendendo para um trabalho burocrático que ajudou o tempo a passar mais rápido e permitiu alguns privilégios comprados graças a seu poder econômico, como a visita íntima, comida e cigarros.A mesma sociedade que indignou-se com o terror do Holocausto a ponto de recorrer ao Judiciário para impedir que essa cena histórica e abominável arrepiasse os foliões da Marquês da Sapucaí é conivente com as barbaridades cometidas contra seres humanos nas celas das delegacias, penitenciárias e manicômios. E aqui Thêmis não é apenas cega, é surda e muda. João Estrella, segundo sinopse do filme, era de uma família de classe média do Rio de Janeiro, cresceu no Jardim Botânico e freqüentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade e tornou-se vendedor de drogas mesmo sem jamais pisar numa favela. Em dois anos quitou sua dívida com a Justiça e hoje é um produtor musical que inspira livros e filmes. Conquistou sua liberdade e o direito de ser respeitado na sociedade em que vive.Após assistir o filme pela segunda vez, não resisti à tentação de uma comparação com outro comerciante de drogas, ou será traficante? Francisco Paulo Testas Monteiro, o “Tuchinha”, na mesma época em que João vendia drogas no Brasil e no exterior, exercia a mesma atividade no Morro da Mangueira. Foi condenado a 43 anos de prisão e após cumprir mais de um terço da pena com bom comportamento carcerário foi colocado pelo juiz da Vara de Execuções Penais em liberdade condicional, como manda a lei.A saída da penitenciária foi amplamente acompanhada por alguns veículos de comunicação. Afinal, precisava ser lembrada sua condição permanente de traficante, mesmo tendo cumprido grande parte da pena. A decisão do juiz da VEP foi criticada de forma desrespeitosa pelo então chefe de Polícia e por setores da comunicação e da sociedade.“Tuchinha” voltou para sua comunidade na Mangueira e tentou mudar de vida. Dedicou-se à música e à poesia, tendo vencido dois concorridos festivais de samba na própria Mangueira e na Lins Imperial. Assumiu seu nome artístico de Francisco do Pagode como uma forma de afastar-se de sua antiga personalidade ligada ao crime, assim como João abominou seu nome de comerciante de drogas e deu título ao filme “Meu nome não é Johnny”. Mas ninguém o deixou em paz um só minuto. Foi vigiado, escutado, criticado e sua resistência sendo minada porque a ele e a tantos outros não é dado o direito de mudar de vida. Uma vez traficante marca-se sua vida, seu corpo, como uma tatuagem da qual eles não se podem ver livres, ainda que queiram.O filme é forte e rico para uma reflexão porque João Estrella pode não ser mais o “Johnny” que comercializava drogas e Francisco do Pagode tem que ser eternamente o traficante “Tuchinha”?"
“O filme “Meu nome não é Johnny”, que conta a história de um dos maiores vendedores de drogas do Rio de Janeiro, merece uma séria reflexão sobre algumas graves denúncias feitas. Algumas já conhecidas por toda sociedade e pelas autoridades, mas pouco combatidas, como a corrupção policial, o tratamento diferenciado a autores de crimes de acordo com sua origem social, raça ou poder econômico, que a Zona Sul “brilha” como já havia denunciado o experiente delegado de polícia Hélio Luz. E outras que estão a merecer investigação e manifestação pública das autoridades mencionadas, como a acusação de ponto de venda de drogas nas dependências do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.Por um lado a história é fascinante e desmistifica a lenda segunda a qual não há volta para aqueles que atravessam a fronteira do convencional e usam ou vendem drogas. O personagem João Estrella se propõe a debater com universitários e especialistas sua experiência pessoal. Isso é muito bom e enriquecerá o mundo tão discriminado dos usuários de drogas. Afirma em entrevista que considera o tráfico apenas o comércio de uma substância convencionalmente tida como ilícita, mas que causa tanto mal quanto tantas outras permitidas. Defende a legalização desse comércio, mas acha que no Brasil isso ainda irá demorar muito a acontecer. São manifestações que devem ser colhidas com o respeito que merecem aqueles que passaram por essa tenebrosa experiência e precisam ser debatidas pela sociedade sem o tradicional preconceito que temas como esses costumam ostentar.Merece destaque o importante papel da juíza na apreciação da causa. Em situações corriqueiras João Guilherme estariaainda amargando uma prisão, sabe-se lá com que objetivos, pelo menos até 2010. Teve a sorte de ser julgado por uma magistrada sensível, que viu naquele réu não apenas o agente de um crime de tráfico e formação de quadrilha, mas também uma vítima do sistema hipócrita que leva tantas pessoas a trilhar os mesmos caminhos de João Estrella.A juíza não só apostou na recuperação de João como foi visitá-lo na prisão. Raridade que deveria inspirar todos os magistrados que condenam pessoas a cumprirem pena por haverem descumprido normas legais em estabelecimentos que fazem letra morta da Lei de Execuções Penais em vigor desde 1984. A visita aos estabelecimentos de cumprimento de pena deveria ser obrigatória a todos os magistrados.Outra denúncia grave, mas que é de todos conhecida, é a péssima condição desumana do sistema penitenciário, onde se pretende a impossível recuperação de um ser humano tratado como bestas. Parabéns para a produção, que retratou o ambiente exatamente como a realidade das prisões e dos manicômios, chamada pela lei de Casa de Custódia e Tratamento (?).João Estrella não é um traficante, e sim um comerciante de drogas. Traficantes só são assim chamados os de origem humilde que moram nas favelas e comunidades. Contou com um bom advogado que garantiu uma rápida passagem pelocoletivo do Manicômio, logo ascendendo para um trabalho burocrático que ajudou o tempo a passar mais rápido e permitiu alguns privilégios comprados graças a seu poder econômico, como a visita íntima, comida e cigarros.A mesma sociedade que indignou-se com o terror do Holocausto a ponto de recorrer ao Judiciário para impedir que essa cena histórica e abominável arrepiasse os foliões da Marquês da Sapucaí é conivente com as barbaridades cometidas contra seres humanos nas celas das delegacias, penitenciárias e manicômios. E aqui Thêmis não é apenas cega, é surda e muda. João Estrella, segundo sinopse do filme, era de uma família de classe média do Rio de Janeiro, cresceu no Jardim Botânico e freqüentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade e tornou-se vendedor de drogas mesmo sem jamais pisar numa favela. Em dois anos quitou sua dívida com a Justiça e hoje é um produtor musical que inspira livros e filmes. Conquistou sua liberdade e o direito de ser respeitado na sociedade em que vive.Após assistir o filme pela segunda vez, não resisti à tentação de uma comparação com outro comerciante de drogas, ou será traficante? Francisco Paulo Testas Monteiro, o “Tuchinha”, na mesma época em que João vendia drogas no Brasil e no exterior, exercia a mesma atividade no Morro da Mangueira. Foi condenado a 43 anos de prisão e após cumprir mais de um terço da pena com bom comportamento carcerário foi colocado pelo juiz da Vara de Execuções Penais em liberdade condicional, como manda a lei.A saída da penitenciária foi amplamente acompanhada por alguns veículos de comunicação. Afinal, precisava ser lembrada sua condição permanente de traficante, mesmo tendo cumprido grande parte da pena. A decisão do juiz da VEP foi criticada de forma desrespeitosa pelo então chefe de Polícia e por setores da comunicação e da sociedade.“Tuchinha” voltou para sua comunidade na Mangueira e tentou mudar de vida. Dedicou-se à música e à poesia, tendo vencido dois concorridos festivais de samba na própria Mangueira e na Lins Imperial. Assumiu seu nome artístico de Francisco do Pagode como uma forma de afastar-se de sua antiga personalidade ligada ao crime, assim como João abominou seu nome de comerciante de drogas e deu título ao filme “Meu nome não é Johnny”. Mas ninguém o deixou em paz um só minuto. Foi vigiado, escutado, criticado e sua resistência sendo minada porque a ele e a tantos outros não é dado o direito de mudar de vida. Uma vez traficante marca-se sua vida, seu corpo, como uma tatuagem da qual eles não se podem ver livres, ainda que queiram.O filme é forte e rico para uma reflexão porque João Estrella pode não ser mais o “Johnny” que comercializava drogas e Francisco do Pagode tem que ser eternamente o traficante “Tuchinha”?"
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Onde Os Fracos Não Têm Vez
Pra gostar de Onde Os Fracos Não Têm Vez é preciso gostar de westerns. Também chamado de faroeste, este é um gênero clássico do cinema, com características particulares que o definem. Geralmente são filmados no velho oeste americano como nos estados do Texas, Kansas, Nevada, Arizona...Têm longas tomadas, há muitos silêncios, personagens duros, de pouca fala, frutos daquele cenário árido, desolador. Há sempre o homem bom, durão mas honesto e o homem mau, um matador frio e sanguinário. E claro, não podem faltar tiros, muitos tiros...Basicamente é isso que faz um filme ser considerado um faroeste.Onde Os Fracos Não Têm Vez tem tudo isso e um algo mais. Todos os aspectos de um western são levados às últimas conseqüências. Os silêncios às vezes parecem intermináveis. O homem que é bom (no caso o xerife de Tommy Lee Jones que narra a história desde o começo) chega a ser ingênuo. O matador sanguinário é tão violento que ultrapassa o limite da compreensão razoável, é um psicopata assassino.
Há um sabor amargo nessa escolha. Uma impressão de fim dos tempos, de fim de uma época, de um gênero. O faroeste inserido na moral de hoje passaria dos limites do aceitável. Seria uma mistura de policial com filme de terror. O clássico embate entre mocinhos e bandidos dá lugar a uma matança sem fim. Mata-se sem saber porquê, porque vive-se sem sentido. A paisagem desértica esconde a angústia de quem só vê no dinheiro uma razão para viver. A desolação do deserto é a imagem do vazio existencial dos personagens. O western acabou porque não existe mais honra.
Essa é de certa forma a mensagem que os respeitáveis irmãos Coen me passaram neste filme com 8 (!!) indicações ao Oscar. Bem, pelo menos era o que eu estava absorvendo do filme até que vem o final...ai, o final !...O que eu tenho é vontade de contar como esses caras escolheram terminar o filme só pra estragar a pseudo-surpresa que eles reservaram a nós pobres espectadores que pagaram ingresso pra ver o filme. O meu vazio existencial de durante a projeção foi preenchido com muita raiva, ódio e vontade de dar uma porrada nos irmãos Coen...
Eu entendo o valor que o gênero tem na cultura americana e o apreço que o público de lá dá pra um bom bang-bang...mas francamente...depois de assistir pensei nas 8 indicações que o filme recebeu e me senti um burro porque não consigo achar este filme tão melhor do que tantos outros que assisti que nem uma indicaçãozinha receberam...
Talvez esteja aí a minha burrice, procurar sentido e justiça num prêmio da academia que nunca premiou Hitchcock ou Charlie Chaplin...não dá, né?...
Se quiser saber onde tá passando, clique aqui.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Relembrando Hitchcock...
Olha que legal!...A revista Vanity Fair de março vai trazer um ensaio com vários astros do cinema mundial revivendo cenas de clássicos do mestre Alfred Hitchcock. Tem um vídeo no site da revista com o making of desse ensaio que é muito bacana de se ver...Nomes como Keira Knighteley, Naomi Watts, Charlize Theron, Javier Bardem, Jodie Foster e outros vários posando, fazendo caras e bocas para os fotógrafos da revista.
Clique aqui e assista!...
Clique aqui e assista!...
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
O Caçador de Pipas
De novo aquela história de que o filme não é tão bom quanto o livro e blá-blá-blá...Não existe comparação. É como relacionar andar de bicicleta com comer um pedaço de bolo de chocolate.
Contra tudo que saiu escrito por aí sobre o filme O Caçador de Pipas, fui assisti-lo ontem.
O filme foi malhado pelos críticos aqui, alguns usando a fraca bilheteria nos EUA para justificar seus argumentos.
O que me deixa intrigado é o teor das críticas aqui no Brasil. Gente que leio e respeito dizendo que faltou vibração, emoção, vida no filme de Marc Forster, um cara que já mostrou que sabe dirigir...Ele fez Em Busca da Terra do Nunca, Mais Estranho Que A Ficção e o filme que deu o Oscar para Halle Berry, A Última Ceia. Pela filmografia dá pra sentir que o cara é bastante versátil.
Se a bilheteria nos Estados Unidos não correspondeu, ora, essa é fácil...um filme que humaniza os árabes, nunca vai fazer sucesso na América. Acho que não é preciso explicar porquê a sociedade americana pensa assim após os ataques de 11 de setemebro.
“Faltou emoção ao filme”... bem...eu vivi uma experiência diferente...talvez tenha sido só com a minha sessão, não sei...mas eu e todo o resto da sala era uma choradeira só...só chorões...
Quem foi moleque e empinou pipa um dia vai se sensibilizar muito com as cenas construídas pelo senhor Forster...a câmera acompanha a subida da pipa até o alto...a sensação de vitória dos meninos quando conseguiam cortar a pipa de outro...a profunda amizade entre os dois garotos...a destruição do Afeganistão, primeiro pelos russos depois pelo regime idiotizante do Talibã...O Caçador de Pipas é um filme sobre a amizade, sobre culpa, sobre redenção, sobre coragem, sobre 'segundas chances'...
Era uma questão de tempo o livro do senhor Khaled Housseini virar filme tamanho é o seu sucesso nas livrarias de todo mundo. A história é realmente cativante. Se você não leu o livro e pretende ver o filme pare de ler aqui. Dois meninos no Afeganistão de 1978, um deles de uma casta inferior, vivem uma amizade sincera e pura como só as crianças são capazes. Hassan, o filho do empregado, é atacado por um bando de meninos maiores. Ele é violentado. Amir, o filho do patrão, assiste ao sofrimento do melhor amigo passivamente. O incidente e a omissão de Amir, levam a vida de ambos a conseqüências dramáticas no futuro dos meninos.
Um roteiro fechadinho, que retira do livro o essencial, passagens poéticas, lindas, que combinam o exotismo da cultura árabe (da qual sou um admirador...) com uma história poderosa, atores infantis que dão um show (o menino que faz Hassan é demais!...Marc Forster sabe trabalhar com crianças, vide Em Busca da Terra do Nunca...) e a trilha sonora, que apesar de eu ter achado tímida, está indicada ao Oscar deste ano.
Esses são alguns dos bons motivos para você conferir o filme. Que não é o livro. E nem tem que ser, porque a vocação de um filme é entreter e emocionar uma platéia durante duas horas numa sala escura.
E isso O Caçador de Pipas, o filme, faz muito bem.
Veja onde está passando clicando aqui.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Estrelas e drogas...
É antiga a relação entre astros do cinema e as drogas. Kirsten Dunst, a namoradinha do Homem-Aranha é a mais nova hóspede do Cirque Lodge, uma clínica de recuperação caríssima de viciados em álcool e outras drogas. Lá ela encontrou a bela Eva Mendes, a latina que fez par com Will Smith em Hitch, a namorada do Motoqueiro Fantasma. Além dos mais antigos como Lindsay Lohan, David Hasselhoff (da série Baywatch) e uma daquelas gêmeas chatas, as irmãs Olsen. Fora os nomes que já passaram por lá e tiveram alta. O preço de uma diária sai por 1500 reais. A Lindsay Lohan gasta mais de 45 mil reais por mês na clínica.
As sociedades de uma maneira geral esperam dos artistas que sejam diferentes, que se vistam diferentes, que tenham um comportamento sexual diferente...que se droguem...
Dá pra entender como isso tudo deve se processar em cabeças muito jovens, de pessoas que muito cedo já ganharam mais dinheiro do que podem gastar, de rostos conhecidos que vivem sendo elogiados e aplaudidos pelo público. Um aspecto triste, deprê que acompanha a história da sétima arte há muito tempo...
sábado, 2 de fevereiro de 2008
O Gângster
O Gângster (que deveria se chamar O Gângster Americano como pede o título original) é um grande filme. E não estou falando por causa do seu tamanho. Duas horas e 40 minutos de projeção é filme prá lá de metro... O Gângster é o resultado de um grande encontro entre um grande diretor (Ridley Scott) e dois atores no auge (Denzel Washington e Russel Crowe) com uma grande história nas mãos...
A história real de Frank Lucas, um dos maiores chefões do crime organizado que já houve nos Estados Unidos.
Um negro que veio da Carolina do Norte e fez fortuna em New York se tornando o maior traficante de drogas dos Estados Unidos no começo dos anos 70. O cara simplesmente montou a maior rede de tráfico de heroína da América se utilizando da corrupção na polícia e até no exército norte-americano que estava em plena Guerra do Vietnã.
Denzel Washington volta aos bons tempos fazendo o papel do gângster que é ao mesmo tempo frio e violento mas que vai com sua mãe na missa todos os domingos.
Russel Crowe, chapa do diretor (fizeram Gladiador e Um Bom Ano), faz Richie Roberts, o detetive de polícia incorruptível que persegue Lucas.
O filme tem violência na medida (nada gratuito), edição e roteiro espertíssimos, além de uma impecável reconstituição da Nova Iorque dos anos 70, trabalho este que está valendo uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Direção de Arte. Ridley Scott, que deve estar com uns 114 anos, há algum tempo não dirigia um filme com tanto tesão. Seu trabalho merecia uma indicação no Oscar deste ano. A Academia pisou na bola...
Vá conhecer a história desse negro que, menosprezado por todos, tornou-se a maior ameaça à justiça norte-americana da época. Você vai se surpreender também com o nível de corrupção que rolava na polícia de New York. Frank Lucas sustentou muitos policiais com seu dinheiro sujo...
Foi um dos maiores criminosos que já existiu nos EUA. E este O Gângster é um dos maiores filmes do gênero.
Filmaço!!!...
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O dia em que Jason Bourne se deu mal...
Em O Ultimato Bourne, Matt Damon é detectado tentando entrar nos Estados Unidos pelo aeroporto de Nova Iorque usando a identidade de um tal de Gilberto de Osasco, São Paulo !?!?!?...
Agora que comprei o DVD consegui capturar a imagem do passaporte brasileiro do mané.
Osasco?!...
Não podia dar certo mesmo, sr. Bourne...
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
É o caso desta modesta produção que foi a vencedora da Palma de Ouro do ano passado em Cannes.
Um filme romeno, difícil, poucos vão gostar...seja pela sua estética não-convencional, seja pelo peso realista de uma história que vai do comportamento amoral de alguns personagens a situações que esbarram no escatológico, passam do limite do ultrajante...
O filme mostra como era complicada a vida na Romênia comunista em 1987.
Duas jovens universitárias dividem um quarto e um drama: uma delas (Gabita) decidiu realizar um aborto e para isso conta com a ajuda de sua amiga (Otilia). Como a prática era proibida no país, elas têm que recorrer ao submundo da ilegalidade contratando um profissional sórdido que fará o serviço no quarto de um hotel de quinta categoria.
O diálogo travado entre as duas garotas e o aborteiro na suíte é brutal !...
A platéia fica chocada com o rumo que essa conversa toma...
Há outros momentos de tanta tensão na trama que pensei muitas vezes estar vendo um filme de terror.
Nunca o tema do aborto foi mostrado desta forma no cinema.
Mas esse não é o único assunto do filme.
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias também é um filme sobre a amizade sincera, a profunda cumplicidade que existe entre as mulheres, retratada aqui na figura de Otilia, a amiga que vive horrores para ajudar Gabita a interromper sua gravidez.
Um filmaço de gente grande...
P.S.: ...curioso é que os dois maiores prêmios do cinema mundial, a Palma de Ouro e o Oscar de Filme Estrangeiro, no ano passado foram para filmes que tinham como cenário a vida em países comunistas pré-queda Muro de Berlim.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Indiana Jones vem aí
Divulgaram hoje as primeiras fotos de Indiana Jones no Reino da Caveira de Cristal.
Vinte anos depois de sua última aventura Harrison Ford, em forma aos 66 anos de idade, encarna mais uma vez o arqueólogo aventureiro que divertiu tanto a galera nos anos 80.
A turma toda está de volta: Spielberg na direção, Geroge Lucas produzindo e Harrison Ford como Indy.
A trilogia foi feita entre os anos de 81 e 89, quando os recursos para efeitos especiais eram bem inferiores às tecnologias de hoje.
Nesta quarta aventura, o que deve chamar a atenção será o show de efeitos.
A estréia no Brasil está prevista para o dia 22 de maio.
Vamos aguardar!...
Lula, agora no cinema também...
...já não bastasse a super exposição inerente ao seu cargo de presidente desgovernado do Brasil, Lula agora vai estar na tela grande. Uma produção vem sendo preparada a toque de caixa para contar a trajetória do exu da patuléia, seu surgimento, sua ascenção ao trono de Brasília...Estão procurando o ator para interpretar o papel do dito-cujo. O filme até o momento terá o nome de "Lula, o Filho de Lindu" (?!?)...Fábio Barreto, que dirige a série Mulheres Desesperadas (versão Barueri) será o diretor...Vai ser um sossésso...
Tão pensando em lançar um concurso nacional em busca do sósia do presidente. A final poderia ser no programa do Faustão. O vencedor ganha uma garrafa de 51, um cd autografado do Frank Aguiar e uma passagem só de ida pra Garanhuns...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Tropa invade Berlim...
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Greve de roteiristas chegando a um The End...
Pra quem não tá acompanhando, uma greve de roteiristas de cinema e TV acontece nos States desde novembro do ano passado paralisando produções de séries, filmes e programas de TV e rádio. O motivo é que eles reivindicavam o direito de receber por seu trabalho quando este fosse comercializado pelas companhias em novas mídias. Exemplo: um roteirista de um seriado de TV gostaria de ganhar também caso seu episódio fosse vendido para downloads na internet. As emissoras tiveram prejuízos altíssimos com a greve. Mas parece que agora as coisas estão se acertando. O sindicato dos roteiristas e a associação de produtores de cinema e TV voltaram a dialogar. Um pequeno passo rumo ao entendimento...uma esperança para mim, que sou fã de Jack Bauer e estou esperando a sétima temporada sair do papel...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Alguém pode explicar?...
O Oscar 2008 tá chegando e lembrei que no ano passado deram o prêmio de melhor filme de 2007 para Os Infiltrados. O filme saiu do cinema e deu o passo seguinte no mercado, foi lançado em DVD. Eu comprei e fiquei me perguntando: o que passa pela cabeça do pessoal da Warner (que distribui o filme em DVD aqui no Brasil) para lançar um filme tão importante sem absolutamente nenhum extra?
Comprar DVD assim no Brasil vira uma frustração, claro.
Comprar DVD assim no Brasil vira uma frustração, claro.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
O Suspeito
Este O Suspeito é um bom exemplo do gênero. O novo filme do diretor sul-africano Gavin Hood não fica devendo...A história começa em seu país natal (uma bela panorâmica da Table Mountain na Cidade do Cabo...). É de lá que parte o engenheiro Anwar El-Ibrahimi, um egípcio radicado nos EUA há 20 anos. Mesmo sendo pai de um garoto nascido em solo americano, mesmo sendo casado com a queixuda e barriguda Reese Whiterspoon (ela faz papel da esposa grávida...), Anwar não consegue escapar das garras da nova lei americana anti-terrorismo assim que sai de seu avião em Washington. A Lei da Rendição Extraordinária que nada mais é do que rapar do aeroporto qualquer sujeito com pinta de amigo do Bin Laden e despachá-lo para fora do solo americano para submetê-lo a um interrogatório não-convencional (leia-se ‘tortura sangrenta’)...O cara é arrancado da fila do desembarque, amordaçado, vendado e mandado de volta ao Egito onde irá comer o pão que o diabo amassou.
Em paralelo, um agente da CIA morre num atentado no Egito. Uma investigação é iniciada e há indícios discutíveis do envolvimento de Anwar na explosão. Sua família fica a espera do coitado que não chega. Seu nome é apagado do registro do vôo. A esposa (Reese) tem que apelar a um amigo que é assessor de um senador para saber notícias do marido que está no norte da África sendo torturado pelo ótimo Yigal Naor. O agente da CIA que acompanha o interrogatório é Jake Brokeback Gyllenhaal Mountain.
O filme vale a pena ser visto por vários aspectos. O roteiro é muito esperto, ágil e tem algumas surpresas temporais que tornam o filme muito mais saboroso. A direção do Gavin Hood (que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Infância Roubada em 2006) foi inteligente em levar até onde dava a dúvida: “- Mas afinal, o suspeito é culpado ou não?...”
Li em algum lugar que a trama foi baseada no relato de um descendente de árabe que sofreu algo parecido.
Acho que um dos pontos fortes do filme é a abordagem que ele dá para esse neo-racismo anti-árabe que se deu na sociedade americana pós 11 de setembro. Uma questão que Mr. Hood trata melhor do que conseguiu o Babel do Inarritu.
Destaque para a pequena mas intensa presença de Meryl Streep no filme. Seus diálogos são os melhores...
Veja onde está passando clicando aqui.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Oscar 2008
Os indicados às principais categorias da Academia de Hollywood são:Melhor Filme
"Desejo e Reparação"
"Juno"
"Conduta de Risco"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"
Melhor Diretor
Julian Schnabel, "O Escafandro e a Borboleta"
Jason Reitman, "Juno"
Tony Gilroy, "Conduta de Risco"
Joel e Ethan Coen, "Onde os Fracos Não Têm Vez"
Paul Thomas Anderson, "Sangue Negro"
Melhor Ator
George Clooney, "Conduta de Risco"
Daniel Day Lewis, "Sangue Negro"
Johnny Depp, "Sweeney Todd"
Tommy Lee Jones, "No Vale das Sombras"
Viggo Mortensen, "Senhores do Crime"
Melhor Atriz
Cate Blanchett, "Elizabeth: A Era de Ouro"
Julie Christie, "Longe Dela"
Marion Cotillard, "Piaf - Um Hino ao Amor"
Laura Linney, "The Savages"
Ellen Page, "Juno"
Melhor Filme Estrangeiro
"Beaufort" (Israel)
"The Counterfeiters" (Áustria)
"Katyn" (Polônia)
"Mongol" (Cazaquistão)
"12" (Rússia)
A cerimônia acontece no dia 24 de fevereiro.
sábado, 19 de janeiro de 2008
A Vida dos Outros
São raros os momentos em que um ator deixa de existir e passa a ser apenas e completamente seu personagem. É quase como uma encarnação. Mesmo os grandes atores atingem esse instante mágico em poucas oportunidades. Recentemente só a atriz de Piaf, Marion Cotillard, conseguiu essa proeza.
Nesta semana vi isso acontecer com mais um ator. Um ator alemão que eu na minha ignorância nunca tinha ouvido falar. Seu nome é difícil de pronunciar: Ulrich Mühe.
Ele é um ícone do teatro da antiga Alemanha Oriental e tem uma carreira relativamente
pequena no cinema.
Herr Mühe é simplesmente a principal razão para se assistir a “A Vida dos Outros”, o filme que venceu o cobiçado prêmio da Academia de Hollywood em 2007, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Sua interpretação de um espião com patente de capitão da Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental, é fantástica!...
A história se passa em 1984, quando o duro regime socialista daqueles lados da Alemanha, vigiava, controlava e determinava a vida de qualquer cidadão. A Stasi era o principal braço do Partido e agia com paranóia e autoritarismo.
Você vai curtir mais o filme se for antes se informar um pouco sobre a Guerra Fria e o que aconteceu com a Alemanha dividida depois que perdeu a Segunda Guerra Mundial.
Dizem que o país foi o que mais sofreu com a Guerra Fria, o período em que o mundo se dividiu em dois blocos: capitalistas e comunistas.
Bem, Ulrich Mühe faz o capitão Gerd Wiesler, um homem duro, solitário, honesto, um militar que vive em função dos ideais socialistas porque acima de tudo acredita neles. Um pobre infeliz que vive uma vida opaca, sem brilho.
Ao ser destacado por seus superiores para plantar escutas e espionar o que acontecia no apartamento de um renomado escritor de teatro e sua mulher, uma atriz famosa de então, o capitão-espião trava contato com o mundo das artes e o que se assiste a seguir é o show do grande ator Ulrich Mühe mostrando o insensível Wiesler descobrindo a literatura, a música, a poesia e tudo o mais que ele ouvia daquele apartamento.
É sen-sa-cio-nal !...
A Vida dos Outros é o filme de estréia de um jovem diretor chamado Florian Henckel von Donnersmarck. Um cara em quem vou ficar de olho e conferir seus próximos trabalhos.
Após Florian e sua equipe terem recebido o Oscar em março do ano passado, em julho o ator Ulrich Mühe faleceu. Este é seu filme-testamento. Confira!...
Nesta semana vi isso acontecer com mais um ator. Um ator alemão que eu na minha ignorância nunca tinha ouvido falar. Seu nome é difícil de pronunciar: Ulrich Mühe.
Ele é um ícone do teatro da antiga Alemanha Oriental e tem uma carreira relativamente
pequena no cinema.
Herr Mühe é simplesmente a principal razão para se assistir a “A Vida dos Outros”, o filme que venceu o cobiçado prêmio da Academia de Hollywood em 2007, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Sua interpretação de um espião com patente de capitão da Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental, é fantástica!...
A história se passa em 1984, quando o duro regime socialista daqueles lados da Alemanha, vigiava, controlava e determinava a vida de qualquer cidadão. A Stasi era o principal braço do Partido e agia com paranóia e autoritarismo.
Você vai curtir mais o filme se for antes se informar um pouco sobre a Guerra Fria e o que aconteceu com a Alemanha dividida depois que perdeu a Segunda Guerra Mundial.
Dizem que o país foi o que mais sofreu com a Guerra Fria, o período em que o mundo se dividiu em dois blocos: capitalistas e comunistas.
Bem, Ulrich Mühe faz o capitão Gerd Wiesler, um homem duro, solitário, honesto, um militar que vive em função dos ideais socialistas porque acima de tudo acredita neles. Um pobre infeliz que vive uma vida opaca, sem brilho.
Ao ser destacado por seus superiores para plantar escutas e espionar o que acontecia no apartamento de um renomado escritor de teatro e sua mulher, uma atriz famosa de então, o capitão-espião trava contato com o mundo das artes e o que se assiste a seguir é o show do grande ator Ulrich Mühe mostrando o insensível Wiesler descobrindo a literatura, a música, a poesia e tudo o mais que ele ouvia daquele apartamento.
É sen-sa-cio-nal !...
A Vida dos Outros é o filme de estréia de um jovem diretor chamado Florian Henckel von Donnersmarck. Um cara em quem vou ficar de olho e conferir seus próximos trabalhos.
Após Florian e sua equipe terem recebido o Oscar em março do ano passado, em julho o ator Ulrich Mühe faleceu. Este é seu filme-testamento. Confira!...
Veja onde está passando clicando aqui.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
...um ano depois...
...só um ano depois fui entender porque O Labirinto do Fauno não levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2007. Demorou mas hoje fui assistir quem venceu: A Vida dos Outros.
Es-pe-ta-cu-lar!!!
O filme só teve sua estréia no país em 30 de novembro do ano passado. Não consegui ver antes mas fui conferir agora. Saí impressionadíssimo!
Mais tarde comento em detalhes...
Es-pe-ta-cu-lar!!!
O filme só teve sua estréia no país em 30 de novembro do ano passado. Não consegui ver antes mas fui conferir agora. Saí impressionadíssimo!
Mais tarde comento em detalhes...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Desejo e Reparação
Desejo e Reparação é um filme sobre o arrependimento.Uma garotinha de 13 anos assiste a uma cena que não é capaz de compreender e, petulante, inventa uma mentira que trará conseqüências para o resto da sua vida.
Desejo e Reparação é um filme que mostra a construção do caos.
Uma série de pequenos acontecimentos numa tarde de verão numa mansão no campo de uma rica família inglesa em 1935 vão terminar em tragédias. Separação, amores irrealizados, morte...
É comum um filme me frustrar no final. Costurar todas as tramas e amarrá-las numa seqüência satisfatória não é uma coisa simples.
Desejo e Reparação tem um dos finais mais incríveis que já vi. Primeiro com uma bela convidada surpresa, uma grande atriz que não aparece nos créditos iniciais e que não vou dizer quem é, surge para o gran finale.
Um momento mágico de revelação surgirá e você talvez, fique encantado como eu fiquei. Confesso que em algumas cenas tive a impressão de estar assistindo a um dramalhão, desses feitos por encomenda nesta época do ano pra ganhar o Oscar. Mas no final...no final entendi tudo!...E me emocionei bastante.
Desejo e Reparação não ganhou o Globo de Ouro à toa...e merece o Oscar. Fotografia espetacular, uma trilha sonora sensacional (repare no som da máquina de escrever intensificando a imaginação e o ressentimento da personagem Briony), roteiro e montagem espertíssimos (o filme tem idas e vindas no tempo muito bem sacadas) e atuações inspiradas. Filmão!...
Veja onde está passando clicando aqui.
Mar adentro, mar adentro, mar adentro...
Caso você queira saber mais sobre Keira...ai, ai...
Keira Knightley (pronuncia-se KÍIRA NÁITLI) nasceu num subúrbio de Londres em 1985. Filha de um ator e uma dramaturga, Keira aos 3 anos de idade já pedia para os pais, um empresário de presente. Ela já sabia o que queria ser quando crescesse...Sua estréia no cinema foi aos 9 anos num filme de 1994 que nem me lembro o nome. Seu primeiro papel importante foi o de sósia de Natalie Portman, a Rainha Amidala em Star Wars Episódio I. Lembro da primeira vez que notei essa atriz num filminho de sessão da tarde sobre meninas apaixonadas por futebol e pelo Beckham, Driblando o Destino. O filme é bobinho mas dona Keira já chamava a atenção para os mais observadores: ela não estava ali só pra ser mais um rostinho bonito no ecran. Ela tinha muito pra dar. Aos poucos veio mostrando saber escolher papéis. Assim como a heroína da trilogia Piratas do Caribe e Arthur, a menina (ela só tem 22 anos) não teve medo de encarar o papel de Elizabeth em Orgulho e Preconceito. Faço toda essa introdução pra começar a falar de um dos grande motivos pra você sair de casa e assistir a Desejo e Reparação: Keira Knightley.
Dona de uma silueta que causa desejo e dispensa reparações, essa inglesinha de 1,70 m incendeia o filme. Não há quem não torça pela felicidade da aristocrata Cecilia (sua personagem) e seu amor pelo injustiçado filho da governanta (feito aqui por James McAvoy, o jovem médico de Idi Amin em O Último Rei da Escócia). Ela me passa a imagem da mulher sofisticada, nobre, de educação aristocrática, que pode se transformar a qualquer momento num vulcão de sensualidade e luxúria.
Sen-sa-cio-nal !...
PS: caso você queira saber mais sobre Keira (não resisti ao trocadilho infame...) clica aqui...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
putz, que filme!...
...acabo de assistir a Desejo e Reparação...ainda estou digerindo o que vi...foram muitas as impressões que tive, das mais variadas, e no final fui brindado com uma surpresa inesquecível !... Recomendadíssimo com reservas: se em determinado momento você achar que está assistindo a um dramalhão, espere...você será desenganado.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Meu Nome Não É Johnny
Um senhor carioca de 46 anos que se comunicava bem... uma pessoa carismática.
Contava sua descida ao fundo do poço quando de usuário festivo de drogas pesadas, por um misto de ingenuidade e ambição, tornou-se um mega traficante internacional.
Sua história tinha acabado de virar livro. E na hora pensei, putz isso dava um filme...
O filme aconteceu e está nas telas de todo o Brasil: Meu Nome Não É Johnny.
O escolhido para encarnar o ex-adolescente de classe média que vira traficante tinha que ter o carisma do personagem real. E não há nome melhor no cinema nacional no momento do que Selton Mello. Sou suspeito pra falar do cara porque sou fã (veja o que escrevi sobre ele em O Cheiro do Ralo). Mas o fato é que ele dá um show (de novo)!...
O filme é esperto, moderno, cheio de referências dos anos 80/90, uma trilha saborosa e atuações inspiradas. Especial destaque para Julia Lemmertz e Cassia Kiss como a juíza que teve papel decisivo na vida de João.
Selton Mello tem um timing incrível, diferente, um estilo único de fazer humor e drama, mostrou pra quem ainda duvidava que sabe emocionar. Uma performance memorável. Um gênio que só não pode ficar solto para não dar em viagens como sua recente e fracassada aventura na tv, a série O Sistema (uma bobagem constrangedora...). Selton, dirigido, com um bom roteiro na mão, é imbatível.
Confira!...
PS: o verdadeiro João mantém um blog interessante. Passe lá por aqui.
E pra saber onde está em cartaz, clique aqui.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O Amor Nos Tempos do Cólera e a ira de um espectador encolerizado...
...pra você ter uma idéia do que achei de Amor Nos Tempos do Cólera basta dizer que o filme tem Fernanda Montenegro falando inglês com sotaque mexicano espocando interjeições como se estivesse na novela Cambalacho do Silvio de Abreu...parece até uma blasfêmia falar mal do trabalho de um monumento da dramaturgia do nosso país, mas não é culpa dela...cinema é a arte do diretor, a culpa é dele...e o resultado não podia ser outro aqui...uma lástima...Todo o realismo fantástico, a marca registrada de Gabriel Garcia Marquez vira lixo não-reciclável neste filme todo errado, sem profundidade. Eu queria saber de quem foi a idéia de chamar um diretor inglês (cujo trabalho mais famoso foi a comedinha boboca Quatro Casamentos e um Funeral) para fazer um filme que se passa na Colômbia do início do século XX !?...
É constrangedor ver o esforço de Javier Bardem (o melhor do filme) defendo seu personagem com muito empenho. Mas todo seu talento não o salva deste fiasco...
A maquiagem é um espetáculo extra de horror!...A decisão de manter o mesmo elenco fazendo a trajetória de mais de 50 anos dos vários personagens não foi ajudada pelo artifical, tosco e ridículo trabalho de maquiagem. Uma crosta de massa e pó na cara de todo mundo gritando aos olhos do espectador tomado de cólera...
Transposições de livros para filmes sempre são complicadas. Li em algum lugar que Garcia Marquez disse a Mike Newell (o diretor...): "- Você não vai conseguir..."
Ele acertou.
Este Amor Nos Tempos do Cólera é uma linda história que virou uma bela bosta...
Se quiser saber onde tá passando, clique aqui.

