quarta-feira, 14 de março de 2007

cinema e política

...revi nesses dias dois filmes do meu pequeno acervo de DVD's que falam de política.
O primeiro é Bob Roberts, você conhece? É um filme que já tem uns anos, é de 1991-92 , um dos primeiros do Tim Robbins. Aliás tem o roteiro e a direção dele. Conta a história de um candidato ao senado americano, um demagogo e populista cantorzinho de folk que sabe usar muito bem os meios de comunicação em seu favor para convencer o eleitorado a lhe dar seus votos. Em linguagem documental e com um elenco sensacional (você vai reconhecer alguns rostos que ainda não tinham estourado...) o roteiro é muito inteligente e bem amarrado.
O segundo filme que revi é a reconstituição do período em que o mundo chegou muito perto de uma guerra nuclear, bem no início dos anos 60 quando John Kennedy era o presidente norte-americano e Nikita Kruschev, o premier soviético. O filme é Os 13 Dias Que Abalaram O Mundo com o Kevin Costner fazendo o chefe de gabinete da presidência. Interessante notar que o pesadelo do fim do mundo numa guerra nuclear aconteceu de verdade há tão pouco tempo. Toda a tensão do jogo político internacional, o cenário do mundo dividido na época e a habilidade diplomática do jovem presidente

Kennedy que lutava principalmente contra os impulsos bélicos de seus próprios oficiais militares que queriam bombardear Cuba, onde os russos instalavam mísseis nucleares. Os bastidores da Casa Branca e toda a pressão que rolou nesse episódio estão nesse filmão que retrata um momento histórico do qual é importante se ter conhecimento. Uma boa dica pra quem está se sentindo carente de momentos históricos mais significativos que o "ponto G das negociações" de ultimamente tem nos permitido...

...ainda sobre A Rainha...

...escrevi que gostei de A Rainha por vários motivos mas esqueci de citar que a direção é de Stephen Frears, um cara de uma versatilidade incomum que tem no currículo filmes incríveis como Alta Fidelidade e Ligações Perigosas, dentre tantos outros...

domingo, 4 de março de 2007

Thanks, Gene...



"Laura, is the face in the misty light


footsteps that you hear down the hall..."



...minha homenagem à mulher que me fez companhia neste domingo ensolarado...

Uma pausa para o Teatro...

...fui assistir a O Avarento, com Paulo Autran no Cultura Artística e saí me perguntando: quantas pessoas de 84 anos hoje conseguem me fazer rir?

Paulo Autran não tem idade. É eterno.

Assim como o texto de Molière que ele escreveu em 1668 e continua incrivelmente atual...

Não perca! É um programão!...
(...como é bom morar em São Paulo...)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

O Último Rei e A Rainha eterna...

Acho que o público está mais exigente com relação ao que é verossímil ou não nos filmes...Principalmente nos que se baseiam em fatos reais e que contam a história de pessoas que viveram em nosso tempo...Depois que Mel Gibson propagandeou seu rigor em obrigar seu elenco a falar em aramaico (caso de A Paixão de Cristo) ou em maia yucatec (caso de Apocalypto) é difícil aceitar ver o Idi Amin Dada discursando para uma tribo de Uganda em inglês. Como pra mim também foi difícil aceitar o personagem do jovem médico escocês que vira amigo íntimo do ditador. Um cara que nunca existiu. Tive a mesma sensação quando vi O Segredo de Beethoven com aquela ajudante do compositor que também nunca existiu. No caso de O Último Rei da Escócia, a performance arrebatadora de Forest Whitaker no papel do general-ditador ugandense que deve valer o Oscar pra ele como todos os especialistas estão prevendo. Merecido. Mas o filme é 4 estrelas na opinião deste que escreve.
A estrelinha que faltou eu dou para A Rainha, um filmaço! Gostei muito!
Todo mundo já deve saber do que se trata: os dias que se seguiram à morte da ex-Princesa Diana e a postura adotada pela família real britânica no episódio. A Helen Mirren como também dizem os especialistas é barbada no Oscar de melhor atriz. E não há como negar que ela fez por merecer.

Aliás todo o elenco está fantástico! O cara que faz o Tony Blair é sensacional!. Meu destaque é para o roteiro, cheio de curiosidades acerca do protocolo da corte e do que aconteceu do lado de dentro do palácio de Buckingham. Uma aula de história contemporânea. O filme se vale de imagens reais dos telejornais da época e tem como ápice o discurso em rede nacional da Rainha Elizabeth II, cedendo à pressão da mídia e da opinião pública, dando satisfações aos seus súditos. Informações preciosas, momentos de emoção (a Rainha de volta à Londres passeando pela calçada com as pessoas se curvando diante dela é uma cena linda!...). Lamentei a falta de informação da platéia do cinema em que assisti que não entendia a fleugma britânica e todo o aspecto ritualístico envolvendo o dia-a-dia da família real. Riam na hora errada...comentários em voz alta...uma tristeza...Mas o filme é ótimo! E depois do filme, confira no You Tube o discurso da verdadeira Rainha que faz com que você admire ainda mais o trabalho de Helen Mirren.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Pecados Íntimos

Sinceramente, não consigo entender como pode Pecados Íntimos não estar concorrendo ao Oscar de melhor filme ou diretor, os dois prêmios mais respeitados do mercado cinematográfico. O filme é maravilhoso!...
Está indicado nas categorias de melhor atriz, Kate Winslet, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro. Mas é pouco. Pecados Íntimos é um filme adulto, desses que retratam a malha intrincada das relações humanas e a diferença entre o convívio social e nossos desejos ocultos, sorrateiros, que escapam ao controle e se revelam quando menos se esperam. Tudo isso sem fazer concessões baratas ao público. Sem cair em clichês manjados. Pelo contrário surpreendendo a platéia com soluções muitas vezes ousadas mas coerentes com seus personagens. Kate Winslet que a cada trabalho fica mais respeitada pela crítica mostra neste filme simplesmente o melhor momento de sua carreira. Aliás aqui ninguém faz feio...o par romântico de Kate é Patrick Wilson que segurou um filme sozinho com a garota de Menina Má.Com e volta a dar um show aqui. Juntos formam um casal luminoso que consegue tornar o absurdo, verossímil, o corriqueiro, encantador, o particular, universal. O indicado do filme ao Oscar de melhor ator coadjuvante é Jackie Earle Haley, um veterano de séries de TV que tem um papel difícil do pedólatra que luta contra sua perversão. Já se imaginou sentindo pena de um pedólatra? Essa é uma das provocações do filme, que pra variar deve ter tido seu título traduzido pelo Tiririca. Little Children, seu título original ficaria muito melhor ao pé-da-letra, Crianças Pequenas. Aliás as criancinhas do filme (a filhinha de Kate Winslet e o filhinho de Patrick Wilson) são lindas e carismáticas. É com elas que a história começa, é com elas que tudo termina. Seus pais vivem em mundos perfeitos, mas se descobrem infelizes, infiéis, hipócritas, cheios de energia e sofrimento, e reagem a tudo com uma ingenuidade pueril revelando que, no fundo, diante de muitas questões da vida, no fundo somos todos do jardim de infância...

Alá-lá-ô-ôôô-ôôô...!...Ziriguidum!

Saldo do meu Carsnavau no Sinema:
A Rainha
À Procura da Felicidade
O Último Rei da Escócia
Pecados Íntimos

daqui a pouco, comentus...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Apocalypto

Acho engraçado os críticos de um modo geral, que às vezes parecem combinar numa reunião de boteco o que todos dirão sobre um determinado filme sem destoar muito das opiniões um do outro. Noto esse movimento em vários lançamentos. Não conheço as motivações, não pertenço ao mundo dos críticos. Nem queria porque a impressão que me dá é que eles se divertem menos que eu. É o caso deste novo filme do sempre criticado Mel Gibson (eu gosto do cara e aí?...vai encarar?...ele já me divertiu mais em um filme médio do que todas as críticas do Celso Sabadin juntas). Tudo bem que o cara pisou na bola no incidente com o policial a quem manifestou toda sua ira anti-semita e seu bafo alcoólico...mas uma coisa é o homem, outra coisa é sua obra.
Achei Apocalypto, o melhor filme de Mel Gibson.
Nos Estados Unidos o filme foi massacrado. Parece que o episódio com o policial pegou mal mesmo junto à opinião pública. Mas eu não quero saber das opiniões de Mel Gibson.
Eu quero que ele cumpra o que se propõe a fazer: me entreter. (sim, eu sei, não se começa oração com pronome mas, por favor, estamos na era Lula...)
Esqueçam os críticos que o acusaram de ser “excessivamente violento”, ou da “imprecisão histórica”, ou da “obsessão do diretor pelo martírio do corpo”...
Apocalypto é o melhor filme de perseguição que eu já vi. Era essa sua intenção e foi isso que ele fez...!
E ninguém pode dizer que o sr. Gibson não sabe contar uma história. Tudo acontece num ritmo frenético, com seqüências de ação complexas e bem construídas, deixando o espectador angustiado com a luta do protagonista pela sua vida e da sua família. O cara sabe filmar!
Vá assistir...depois a gente conversa...

PS: Eu sempre tive vergonha de dizer que achava o seu Hamlet o melhor do cinema até ler que alguns especialistas estrangeiros em Shakespeare como a Dra Laurie Rozakis (PhD em Literatura Inglesa pela Universidade de Nova York) consideravam a versão de Mel Gibson genial.

Não tenha preconceito e saia satisfeito...

Borat



Borat é engraçadíssimo!... Inteligente, engajado, non-sense, ousado.

E uma aula para os humoristas 'coxinhas' da televisão brasileira.

Se você acompanha um pouco do noticiário internacional, vai rir mais ainda...!

Palmas para... O Perfume

Eu não li O Perfume do Patrick Süskind, um alemão que ficou milionário com essa obra publicada na década de 80 e que vendeu pacas. Mas duvido que o livro seja melhor que esta sua adaptação para o cinema (sim, eu sei, não se comparam duas formas tão diferentes de expressão, filme é filme, livro é livro)...Mas o fato é que saí da sessão admirado, deslumbrado com o que vi. A história se passa na França do século XVIII. Um lugar que a história nos revela, era o maior fedor.
O povo vivia sujo, sem tomar banho, comendo lixo. É lá que nasce o protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, dono de uma capacidade extraordinária de captar, identificar e memorizar...cheiros!
Seu poderoso nariz o leva a ser um notável perfumista obcecado em buscar o aroma perfeito...aquele que fará toda a humanidade render-se ao seu gênio criador. O problema é que para Grenouille produzir tal aroma ele precisa fazer algo um pouco inconveniente, tipo...matar umas pessoas. Assim começa o calvário desse anti-herói que comete crimes horríveis ao mesmo tempo que nos faz torcer por ele. Efeito parecido com o que ele quer para seu perfume perfeito: o da sedução absoluta de toda a humanidade.
Atenção para as soluções visuais encontradas pelo diretor (Tom Tykwer, que fez Corra, Lola, Corra) para mostrar a imagem dos “cheiros” captados por Jean-Baptiste: simples, diretas e eficientes.
Se você for ver, lembre-se que tudo se trata de uma grande fantasia, e não de uma história baseada em fatos reais, como muitas vezes o tom sombrio e a caprichosa direção de arte o fará pensar. Só assim, com essa postura, você absorverá o gran finale, um delírio pertinente do autor e o fim de Jean-Baptiste, um personagem para entrar na história dos grandes filmes, tanto quanto O Perfume deve virar um clássico.

O filme tá meio escondido no meio de tantos indicados ao Oscar (que injustamente ignorou O Perfume), pouco se fala nele. Mas vá assistir.
É sensacional!...

O Labirinto do Fauno

Quando assisti a Hellboy pela primeira vez (acho que em 2004) senti que naquele filme havia algo mais do que uma simples historinha de um herói (no caso um anti-herói) que enfrenta o mal, cheia de efeitos especiais, etc...
Hoje (dezembro de 2006) depois que vi O Labirinto do Fauno, percebi claramente o trabalho de um diretor que evoluiu em sua capacidade de contar bem uma história ilustrando-a com imagens bem elaboradas. O Labirinto do Fauno do diretor mexicano Guillermo Del Toro (ele é parente do Benício, o ator...) é de uma beleza tão grande, tão intensa que ao mesmo tempo que encanta, às vezes até sufoca...Aliás há no Labirinto tanto desse paradoxo...Nunca havia visto um filme costurar com tanto talento violência (sim o filme é bastante violento! Não é para criancinhas...) e delicadeza...Fantasia e realidade se entrecruzam com a sensibilidade de um roteiro inspirado e uma direção criativa. Um filme que fala direto ao coração de quem o assiste, em especial ao das mulheres, há muito do universo feminino na história (impossível não se emocionar com o apelo que menina faz ao irmãozinho que ainda não nasceu, encostada na barriga da sua mãe grávida e doente...).
Uma fábula nos moldes clássicos adaptada ao público do século XXI. E que provavelmente ganha o Oscar de filme estrangeiro deste ano. Filmão...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

O Homem Duplo

De novo Philip K. Dick. É baseado em mais um de seus livros que vem este O Homem Duplo, novo filme com Keanu Reeves. Esse escritor que morreu doido é um dos autores com mais obras no cinema. Foram de seus livros que saíram Blade Runner, O Vingador do Futuro, Minority Report, Screamers, etc... Desta vez, no entanto, não é a história mas o visual quem é a principal estrela do filme. Com uma técnica que se baseia em aplicar computação gráfica sobre a imagem, o diretor Richard Linklater (o mesmo de Antes do Por do Sol e Antes do Amanhecer) conseguiu compor uma espécie de desenho animado claustrofóbico e psicodélico. Muito coerente com a história: um policial (Keanu) é encarregado de investigar o tráfico de uma droga super poderosa e acaba se viciando nela.
Muito louco!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Mais Estranho Que a Ficção...'mais pior' que a realidade...

Mais Estranho Que a Ficção começa bem. Um cara normal vive uma vida metódica e tediosa entre ir para o seu trabalho enfadonho (ele é fiscal de imposto de renda) e voltar para casa onde mora sozinho numa vida triste.
De repente, uma voz de mulher passa a narrar tudo que ele está fazendo. Só ele ouve a voz que parece descrever com mais estilo toda a mediocridade do seu dia-a-dia.
Contando assim, o argumento parece até bacana. O elenco tem uns nomes como Emma Thompson, sempre dando show, Dustin Hoffman que dispensa apresentações e no papel principal, Will Ferrell, mais conhecido na tv americana por ter sido um popular apresentador do humorístico Saturday Night Live.
Mas a verdade é que o filme é uma bomba. O argumento inicial não se sustenta.
A partir de um certo ponto, Ferrell descobre que a voz que ele ouve é de uma escritora famosa que está escrevendo um livro contando como é a vida monótona dele. Sem dar nenhuma explicação, Ferrell 'descobre' (com a ajuda de um professor de literatura boboca feito por Dustin Hoffman) que tinha virado um personagem do novo livro de Emma Thompson. E o "problema" é: todos os protagonistas de seus romances morrem no final. Logo ele também vai morrer. (?!?!)
É constrangedor notar os atores se esforçando para dar verossimilança a esse roteiro pretensioso e modernóide.
Alguns grafismos são utilizados no filme com inteligência e o texto narrado por Emma Thompson é realmente bom. Dá a impressão que o livro fictício que ela está escrevendo é melhor do que o filme real...
Will Ferrell não tem nem nunca vai ter perfil de mocinho de filme. Ele é o Chevy Chase do século 21.
E o pior pra mim foi ter contado um irritante microfone boom vazando em quadro por 16 vezes!!!
Isso foi o fim da picada.
Pretensioso, sem ritmo e anêmico...E está incrivelmente encabeçando a lista da Veja como o melhor filme em cartaz...putz!?! NÃO CAIA NESSA!!!
Mais Estranho Que A Ficção é 'mais pior' que O Labirinto do Fauno, Babel, Os Infiltrados, Pequena Miss Sunshine, Happy Feet, Perfume, Apocalypto, etc...
Uma grande bobagem que não vale a pena você perder seu tempo...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

O Ilusionista

Segundo filme sobre mágicos no mesmo período (o outro é o Grande Truque que comentei aqui) este O Ilusionista me surpreendeu. Eu havia achado O Grande Truque inesperadamente bom. Mas este é melhor. Primeiro porque o elenco dá um passeio...ver Edward Norton com Paul Giamatti juntos já vale o ingresso. O roteiro é ótimo, esperto, enxuto, tem tudo: romance, ação, mistério, fantasia, crime...tudo na dose certa. É a história de um jovem mágico de sucesso, Eisenheim (Norton), que na Viena do século XIX reencontra sua paixão da adolescência, uma agora jovem princesa prestes a se casar com o príncipe vilão. Um grande truque é preparado para resolver esse triângulo que passa a ser investigado pelo chefe de polícia local (Giamatti). Se você não ficar procurando explicações lógicas tentando descobrir os segredos dos truques de Eisenheim, vai gostar.
Entregue-se à fantasia...

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O Segredo de Beethoven

Lembro de ter lido em uma entrevista com o mestre Alfred Hitchcock que muitos de seus filmes nasciam de uma cena, de uma seqüência que podia surgir num estalo em sua cabeça e que só depois ele se empenhava em imaginar toda a história antes e depois dela. Parece que em seu espólio ficaram inúmeras anotações que Hitchcock fez em papeizinhos com cenas geniais mas que nunca chegaram a virar um filme inteiro...
A impressão que tive ao ver este O Segredo de Beethoven é que a diretora polonesa imaginou a seguinte seqüência: o gênio da música Beethoven, já consagrado, surdo e em seus últimos anos de vida decide reger sua nona e última sinfonia na Viena do século XIX. Para conseguir comandar a orquestra ele contará com a ajuda de uma jovem amante da música do mestre que é também a sua copista (a pessoa que passava a limpo as partituras) que ajuda-o emprestando seus ouvidos e marcando o tempo para Beethoven cumprir com eficiência seu papel de maestro na estréia.
Tal seqüência está no filme e é simplesmente maravilhosa. Mas o resto do filme é apenas médio.
Primeiro porque tal cena, em verdade nunca aconteceu. Beethoven nunca teve uma copista apaixonante como Diane Kruger (que fez a Helena em Tróia). Quem o ajudou a reger a nona foi um amigo velho e doente. Não sei até que ponto, no cinema moderno é aceitável que se inventem fatos acerca de uma personagem real. E até que ponto isso era necessário com relação a Beethoven, dono de uma biografia riquíssima de fatos curiosos e marcantes.
Segundo porque, pra mim, Ed Harris no papel do gênio irrascível Beethoven ao colocar uma peruca grisalha e desarrumada ficou parecendo uma caricatura de Einstein com o Coisa do Quarteto Fantástico.
Se você tiver paciência e esperar a seqüência em que Beethoven, um velho surdo vai reger na estréia de sua Nona Sinfonia vai se maravilhar...!
Durante a apresentação, o maestro e sua copista passam o tempo todo se olhando, repetindo os mesmos movimentos desenhando um balé sensual e divino. Como se fizessem amor através das notas da Nona Sinfonia.
Valeu o ingresso, claro...afinal ouvir Beethoven é sempre bom !...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

007 - Casino Royale

O ator Daniel Craig ganhou a permissão do público para vestir o smoking, usar o Omèga, dirigir o Aston Martin, beber o dry martìni e transar com as mulheres de James Bond, o agente secreto mais famoso do mundo.
E olha que é um desafio e tanto convencer milhões de espectadores que você pode ser tão charmoso quanto Sean Connery ou Pierce Brosnan. E isso o sr.Craig tem que admitir que não é. Talvez esteja aí, na decisão dos produtores e do ator de não disputar no quesito charme que torna esse Bond tão bom. Daniel Craig é o mais atlético, mais forte de todos e o filme sabe explorar isso. Todas as cenas de ação são bem mais elaboradas que a média dos 007. Dá pra sentir o quanto James Bond se machuca. Há uma seqüência de perseguição com o herói correndo à pé atrás de um bandido que parece um macaco (o cara sobe em qualquer lugar...) que é sensacional!...Para os puristas da série que questionaram antes de assistir a questão da aparência do novo 007 (Craig é loiro de olhos azuis), isso é uma bobagem. O ator tem muita personalidade e soube convencer como um agente secreto sofisticado e preparado para matar qualquer um a qualquer momento. Aliás, Craig passa essa veia assassina muito mais que seus antecessores. De resto, o roteiro é bem melhor amarrado que os últimos 007, há uma morena espetacular de bondgirl, Caterina Murino, uma italiana que aparece pouco mas marca presença e Eva Green com sua habitual beleza gelada, que não é uma gostosona mas sabe ser sensual. Notei também que Daniel Craig lembra muito Kirk Douglas (Spartacus), um ator de quem gosto muito. Talvez por isso tenha me simpatizado rápido pelo novo James Bond. Valeu!...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Happy Feet

Desenho animado faz qualquer um voltar à infância...

Esse filme é uma delícia!...Você vai achar o pingüinzinho fofinho, os musicais divertidos, o roteiro engraçado e bem amarrado. Não é pra crianças muito pequenas. Aliás acho que esse filme diverte mais adultos do que crianças. Impressionante a qualidade da animação. E muito curiosa é a história do diretor George Miller que inventou Mad Max, o porquinho Babe e fez o belo e forte Óleo de Lorenzo. Um currículo peculiar...

Para assistir e se divertir!...

O Caminho Para Guantânamo

Se você curte cinema político este O Caminho Para Guantânamo é um grande documentário. Impressionante pelos fatos que apresenta é a história real de 4 jovens amigos ingleses de ascendência paquistanesa que moravam em Londres e fizeram a bobagem de viajar ao Afeganistão apenas um mês depois do atentado de 11 de setembro. O motivo é que um deles iria se casar e há todo um ritual que se inicia na terra de seus antepassados...por isso eles vão para lá como jovens turistas inconseqüentes. Assim que atravessam a fronteira com o Afeganistão são tomados pelo caos em que se encontrava a região suspeita de abrigar Bin Laden. O que se segue é o pesadelo em que mergulharam com torturas diárias e interrogatórios intermináveis. Primeiro na base militar de Kandahar e depois em Guantânamo, Cuba. Um pesadelo de quase 4 anos!...Os caras só conseguiram sair dessa enrascada em 2005! Inacreditável que uma história dessa tenha acontecido agora!...O filme é entrecortado pelos depoimentos reais dos amigos e por trechos de telejornais da época cobrindo o que acontecia com o mundo pós-11 de setembro. Não é um filme pra levar a namorada de mão dada mas um documento importante do nosso século e que nos faz pensar que a loucura de governos e líderes ainda é uma sombra rondando por aí...

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

...aplausos para O Grande Truque...!

Fiquei sem comentar um filme que vi umas semanas atrás por indisciplina deste blogueiro...Foi mal...O filme é ótimo. Gostei muito.
Chama-se O Grande Truque.
É uma grande homenagem a uma figura que já fez parte de algum momento da vida de todos nós: o mágico.
Seja na infância, nos programas de TV, no circo da cidadezinha de interior, todo mundo já viu ou se encantou com um mágico.
Eu, que por força de minha profissão já vi de perto o trabalho de muitos ilusionistas nunca havia parado pra pensar na força dessa personagem.
E este filme me fez refletir a respeito...há muita beleza e poesia no trabalho de um mágico...
Uma das decisões mais importantes que tomamos na vida é qual vai ser a nossa profissão...qual a atividade que vai prover o nosso sustento até o fim dos nossos dias...e alguém que decide ser mágico é alguém que faz a escolha pelo encantamento...um profissional cujo sucesso vai depender da sua capacidade de encantar o próximo com um truque, uma ilusão, uma miragem...um profissional que precisa ensaiar e treinar tanto quanto fazem os atores, cantores, bailarinos...
Palmas para os mágicos e para este belo filme do Nolan que fez o inesquecível Amnésia (fez também a Bat-bobagem ‘Batman Begins’ , mas deixa pra lá...) e volta à tela com este O Grande Truque (The Prestige). Você vai lembrar da edição de Amnésia, fragmentada, não-linear, nervosa...o roteiro é muito bem amarrado, o elenco dá um show...! Hugh Jackman e Christian Bale são dois mágicos na Londres do final do século XIX que se admiram, se odeiam, se invejam e se perseguem obssessivamente numa disputa mortal pelos segredos de seus números. Scarlett Johansson fica nesse meio de campo desses dois malucos que tiveram o mesmo tutor, Michael Caine, o engenheiro das traquitanas dos bastidores que possibilitam a realização dos números. Sua elegância habitual proporciona alguns dos melhores momentos do filme como o discurso inicial que explica do que é composto todo número de mágica.
Um filme muito legal que vale a pena assistir!..
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domingo, 12 de novembro de 2006

A Pequena Miss Sunshine e porquê ir ao Cinema é preciso...

Só o Cinema é capaz de nos fazer olhar para nossas próprias vidas com um distanciamento que nos dá percepção crítica e, em alguns casos, transformação.
Little Miss Sunshine conta a história de uma família que convive com o caos: o pai é um fracassado, a mãe uma estressada, o filho adolescente revoltado fez voto de silêncio, o cunhado gay-deprimido-suicida e o avô viciado e pornográfico. Essa combinação explosiva de personagens decadentes forma a desequilibrada família Hoover.

À margem de toda essa zona está a filhinha caçula, Olive, uma criança como outra qualquer, barrigudinha, de óculos e encantadora. Ela é o pivô da história. Por ela, os malucos se unem para realizar o sonho de Olive: participar de um concurso de beleza infantil que vai eleger a Miss Sunshine. Eu me apaixonei pela Pequena Miss Sunshine.
Como o nome diz, ela é o verdadeiro raiozinho de Sol que ilumina essa família descabeçada.
O elenco está espetacular. Todos dão um show em papéis difíceis.
Nota dez para os diretores (um casal de novatos) que observaram inúmeras cenas comuns do cotidiano e as elevaram a um nível de simbolismo muitas vezes comovente.
Como naquela frase do Quintana “canta tua aldeia e encantas o mundo”, o filme parte de uma crítica antiga mas ainda muito legítima à sociedade americana que ensina a seus filhos que ser feliz é vencer tornando seus cidadãos mais competitivos e desumanos e muitas vezes infelizes.
Há sutilezas, olhares, situações que apesar de corriqueiras na vida de qualquer um, ganham um poder revelador na medida em que nos ensinam a perceber nosso delírios.
O carro no qual fazem a viagem até o local do concurso é uma perua kombi velha que precisa ser empurrada se quiserem fazer com que ande. E é com ela que acontecem as cenas de maior significado: ao empurrar o carro, os tresloucados Hoovers têm que se unir toda vez que quiserem seguir em frente...

Um belo exemplar do cinema independente americano, feito com pouco dinheiro (8 milhões de dólares), muita sensibilidade, um elenco inspirado e um roteiro que merece o Oscar.
E merece o seu ingresso...