Comentei outro dia com um colega de trabalho que a Deborah Kerr havia morrido...Olá! Este é um espaço em que escrevo sobre filmes que vi no cinema ou em home video. São só impressões de quem vai muito ao cinema e encontrou aqui uma maneira de dividir e trocar opiniões... Bem-vindo e obrigado por ler meu blog!
sábado, 20 de outubro de 2007
o beijo e o jegue...
Comentei outro dia com um colega de trabalho que a Deborah Kerr havia morrido...- Débora "Quem"?
- Deborah Kerr. Atriz de cinema. De Hollywood.
- Num conheço...
- Ela está numa das cenas de beijo mais famosas que o cinema já mostrou. Quer ver?
Chamei o jagunço no meu computador, joguei no Google e lá estava a cena do beijo imortal na beira-mar com Burt Lancaster.
- Você com certeza já tinha visto essa imagem...
- Tinha não.
- Bem, mas pelo menos você sente pela beleza da foto que o beijo deve ter sido bom...
- Deve não...beijá assim entra muita areia no fiofó...
- ...
E começamos a falar de futebol.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Pra quem tá por fora, tá rolando a trigésima primeira edição da Mostra Internacional de São Paulo. Pra acessar o site oficial clica aqui.
A maioria dos fimes da Mostra só vão estrear nas nossas telas daqui a meses. Muitos nem serão exibidos.
Se ligue!...
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Tropa de Elite 1
Claro que eu já vi Tropa de Elite. E claro que não foi uma cópia pirata. Quem me conhece sabe que não faço dessas...No fim de semana da estréia eu já tava lá...Claro que eu gostei muito do filme. Tenho lido muita coisa a respeito e só não escrevi nada até agora porque tudo o que havia para ser dito sobre o filme já foi dito. O artigo do Reinaldo Azevedo na Veja desta semana foi definitivo. Mais tarde coloco minhas impressões. Acho que vou ver de novo antes de escrever...
Santiago...
Tudo bem que a gente tem mais é que prestigiar o cinema nacional, afinal qualquer tentativa de se fazer filmes no Brasil é para se louvar tamanho o esforço e a determinação que um realizador deve ter nesta terra de tantos obstáculos...
Tudo bem que João Salles é um cara pra quem se deve tirar o chapéu por tudo que já fez e continua fazendo pela cultura de nosso país, pelo seu documentário Notícias de Uma Guerra Particular (que é sensacional), pela sua revista/jornal Piauí de conceito e conteúdos raros nestes tempos de antas dominantes...sim, por tudo isso esse cara merece nossos aplausos...
Mas, meu amigo, tá difícil de engolir seus últimos trabalhos...
Foi com muita decepção que saí do cinema depois de assistir a Entreatos, aquele documentário que cobria os últimos dias da campanha que elegeu Lula. Por motivações conceituais, não políticas.
E foi com muito esforço, mas muito esforço mesmo que permaneci na sala até o final de Santiago, seu mais recente trabalho. O filme, que segundo a Veja é o melhor em cartaz nos cinemas de Sampa neste momento, é de uma chatice sem tamanho...são depoimentos tomados de um certo Santiago, um senhor de 80 anos que foi mordomo da família Salles por muitas décadas. Ele vive sozinho no Rio de Janeiro num apartamento minúsculo e mal iluminado. Tem várias manias e muitas histórias...os críticos o consideraram um poema sobre o tempo e a terceira idade. A mim me soou decadente e desarticulado...em alguns momentos tive a impressão de estar assistindo ao filminho caseiro que o filhinho do papai fez pra família rica ver sobre o mordomo excêntrico que trabalhava lá em casa e agora estava no auge de sua decrepitude e falência mental. Vi entrevistas do João enaltecendo as milhares de minibiografias de aristocratas que Santiago datilografou e catalogou ao longo de sua vida como se aquilo fosse um trabalho para se levar a sério. Pra mim não passou de uma manifestação da loucura do pobre argentino que viveu entre os ricos, admirou-os, invejou-os e morreu na pobreza, sozinho e maluco. Numa determinada seqüência, as mãos enrugadas do velho ex-mordomo dançam para a câmera em close num fundo negro...anote aí, quando essa cena começar você pode sair, comprar um saquinho de pipoca, comer, ir ao banheiro, telefonar e depois voltar e as mãos ainda estarão lá, "bailando", tirando uma da sua cara...
Tudo bem que João Salles é um cara pra quem se deve tirar o chapéu por tudo que já fez e continua fazendo pela cultura de nosso país, pelo seu documentário Notícias de Uma Guerra Particular (que é sensacional), pela sua revista/jornal Piauí de conceito e conteúdos raros nestes tempos de antas dominantes...sim, por tudo isso esse cara merece nossos aplausos...
Mas, meu amigo, tá difícil de engolir seus últimos trabalhos...
Foi com muita decepção que saí do cinema depois de assistir a Entreatos, aquele documentário que cobria os últimos dias da campanha que elegeu Lula. Por motivações conceituais, não políticas.
E foi com muito esforço, mas muito esforço mesmo que permaneci na sala até o final de Santiago, seu mais recente trabalho. O filme, que segundo a Veja é o melhor em cartaz nos cinemas de Sampa neste momento, é de uma chatice sem tamanho...são depoimentos tomados de um certo Santiago, um senhor de 80 anos que foi mordomo da família Salles por muitas décadas. Ele vive sozinho no Rio de Janeiro num apartamento minúsculo e mal iluminado. Tem várias manias e muitas histórias...os críticos o consideraram um poema sobre o tempo e a terceira idade. A mim me soou decadente e desarticulado...em alguns momentos tive a impressão de estar assistindo ao filminho caseiro que o filhinho do papai fez pra família rica ver sobre o mordomo excêntrico que trabalhava lá em casa e agora estava no auge de sua decrepitude e falência mental. Vi entrevistas do João enaltecendo as milhares de minibiografias de aristocratas que Santiago datilografou e catalogou ao longo de sua vida como se aquilo fosse um trabalho para se levar a sério. Pra mim não passou de uma manifestação da loucura do pobre argentino que viveu entre os ricos, admirou-os, invejou-os e morreu na pobreza, sozinho e maluco. Numa determinada seqüência, as mãos enrugadas do velho ex-mordomo dançam para a câmera em close num fundo negro...anote aí, quando essa cena começar você pode sair, comprar um saquinho de pipoca, comer, ir ao banheiro, telefonar e depois voltar e as mãos ainda estarão lá, "bailando", tirando uma da sua cara...
La Vie En Rose...Piaf !

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça m'fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat...
Desde domingo, essa é a música que não sai da minha cabeça...vá assistir e se emocionar com Piaf e você vai entender...filme maravilhoso!...
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Ultimato Bourne
Se eu me encontrasse com Paul Greengrass eu dava um tripé pra ele.Vi seu Ultimato Bourne e fiquei com a vista embaralhada uma semana.
Sem dúvida é um excelente filme de ação e que encerra muito bem a trilogia de Jason Bourne, o agente secreto esquecidinho...Mas a opção de linguagem do diretor com essa câmera nervosa que nunca pára (daí minha vontade de prendê-la num tripé...), na humilde opinião deste que escreve, passou dos limites. Está excessiva. De resto, tem a sempre competente presença de Matt Damon, os efeitos sensacionais e as cenas de perseguição eletrizantes das quais destaco aquela em que Bourne, pulando pelos telhados do Marrocos, saltando de um prédio para outro por cima da rua e o câmera vai junto! Isso é que é câmera nervosa!...
Clica aqui que você vê a seqüência inteira no You Tube... Um filmão!
Medos Privados em Lugares Públicos
Este filme é bom como não poderia deixar de ser um filme com a assinatura de Alain Resnais. E é melhor ainda porque sua história parece ter saído da máquina de escrever de Nélson Rodrigues. Tramas urbanas, personagens cheios de segredos escondidos sorrateiramente em suas casas...tudo muito bem contado e com a elegãncia de sempre de Paris em vez do ranço suburbano do Rio de Janeiro. Meu destaque vai para a beleza da atriz Isabelle Carrè, no papel da irmã mais nova do corretor de imóveis, bela e solitária, buscando um grande amor pela internet. Apesar disso, não é um Resnais que se leva pra casa...você assiste, fala “oh!” solta um pum e esquece depois...
Mas vale o ingresso. Está em cartaz em Sampa desde 13 de julho, o que no nosso mercado é bastante significativo.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Últimos filmes...
Apesar da ausência no blog, não me ausentei das salas de cinema...Não me faltam filmes a comentar...fui ao cinema, sim, como sempre...e vi muita coisa boa...outras nem tanto...
Já-já, comento alguns...
Já-já, comento alguns...
Desculpas esfarrapadas...
Este que escreve é um blogueiro nada disciplinado...faz muito tempo que não apareço por aqui...não há desculpas para minha ausência...às vezes acho que é um texto para ninguém...e não escrevo...às vezes acho que não importa que ninguém leia, eu escrevo pra mim e já está bom...não tem desculpa...
Minha rotina está cada vez mais massacrante?...Meus dias mais curtos?...Não interessa...não há justificativa...subtrair cinema desta nossa existência curta e cheia de mediocridade é como viver numa espécie de caverna de Platão e se recusar sequer a ver o mundo pela luz que projeta a vida na parede fria de pedra...é fechar os olhos para o brilho que está em todas as coisas...e além do mais, a vida, meu amigo, a vida só vale a pena ser vivida com arte...
Sorry.
Minha rotina está cada vez mais massacrante?...Meus dias mais curtos?...Não interessa...não há justificativa...subtrair cinema desta nossa existência curta e cheia de mediocridade é como viver numa espécie de caverna de Platão e se recusar sequer a ver o mundo pela luz que projeta a vida na parede fria de pedra...é fechar os olhos para o brilho que está em todas as coisas...e além do mais, a vida, meu amigo, a vida só vale a pena ser vivida com arte...
Sorry.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
13 Homens E Um Novo Segredo
Assisto tudo de Soderbergh. Acho um dos mais inteligentes e interessantes diretores em atividade. Treze Homens e Um Novo Segredo é uma reunião de amigos que resulta num filme divertido, sofisticado e inteligente. E é melhor que a segunda parte, um filme aliás que era bem chato...Além do charme de sempre ao reunir os principais astros do cinema num mesmo filme, Treze Homens ainda conta com um trabalho incrível de efeitos especiais e direção de arte ao reconstruir virtualmente um mega-hiper-ultra hotel 6 estrelas em Las Vegas. E claro, tem a presença sempre brilhante de Al Pacino como o canalha que será passado pra trás pelo bando de Danny Ocean-George Clooney.Diversão garantida pra quem prefere champagne à cidra...
sábado, 23 de junho de 2007
Zodíaco
Zodíaco é um ótimo filme policial que fala da obsessão de um cartunista de jornal em descobrir a identidade de um assassino. A história é verdadeira e aconteceu na década de 60 quando um serial killer deu início a uma série de assassinatos brutais. O maluco tinha a ousadia de mandar cartas com mensagens cifradas para redações de jornais e emissoras de TV se auto-intitulando como Zodíaco.Um jornalista é escalado para cobrir o caso e acaba se afundando na frustração de não conseguir desvendá-lo. O mesmo acontece com os policiais que investigavam os crimes. Quem vai mais longe é o cartunista do jornal que fica obcecado pela história e vai juntando todo tipo de material sobre Zodíaco chegando até interrogar ele próprio, a vários dos envolvidos. Ninguém nunca chegou a uma conclusão...Durante duas décadas, Zodíaco matou pelo menos 13 pessoas e nunca foi capturado.
O diretor é David Fincher que estreou com Seven (sensacional), fez Clube da Luta (um filme de ética duvidosa, eu particularmente não gosto) e o morno Quarto do Pânico.
Acho difícil contar a história de um serial killer que nunca é pego. Mas como se trata de um fato real, a história ganha o peso da verdade e um certo sabor amargo das injustiças que acontecem nesta vida.
Valeu o ingresso!...Agora vou comprar o livro...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Não Por Acaso...
...o filme novo com Rodrigo Santoro é tão fraco, mas tão fraco que não dá nem vontade de comentar...uma pena!...Um desperdício de atores talentosos num roteiro pretensioso e uma direção prepotente...algumas imagens bonitas de São Paulo e uma ou duas sacadas na montagem são insuficientes para diluir a impressão de que o filme vai do nada pra lugar nenhum...triste...
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Como Era Verde Meu Vale
É fácil notar a grandeza de um filme já em suas primeiras seqüências...A combinação perfeita entre texto, imagens e música. Algo mágico, sem fórmulas, que não se descreve com a razão mas se sente nas entranhas...As primeiras cenas de Hillary Swank em Menina de Ouro são comoventes na maneira como sua personagem se revela pobre e determinada. Como disse Drummond a poesia se dá quando se puxa o fio certo do novelo embaralhado e assim, sem fazer força, o poeta ‘desenrola’ as emoções comuns a todos nós, exercendo a função sublime dos artistas: expressar os sentimentos da humanidade.Todo esse preâmbulo foi para comentar o filme que (re)vi neste fim de semana e que me emocionou mais uma vez...
”Como Era Verde Meu Vale” (How Green Was My Valley) de John Ford, um cara que sabia o que estava fazendo com uma câmera.
Já em sua primeira cena temos as mãos do protagonista em primeiro plano. Ele está partindo, embrulhando suas roupas num pano preto que ele revela ser o xale que a mãe usava para ir à Igreja...Nesse momento o filme dá um salto de uns 50 anos para mostrar a infância de Huw Morgan o filho caçula de uma família de mineiros.
O filme é de 1941, em preto e branco. A história se passa numa vila de mineiros no interior do País de Gales, no início do século passado.
Tudo é de uma beleza, de uma pureza, como raramente se vê nos filmes. Há muitas passagens em que não há palavras. Os personagens vivem emoções profundas ou delicadas muitas vezes sem dizer nada. Um filme arrebatador e que merece o título de clássico. O destaque para o pequeno Huw, feito pelo então adolescente Roddy Mcdowall, um rosto que você com certeza viu em vários filmes, então com 12 anos. É dele a expressão da pureza que contrasta com a degradação da vila em que nasceu, que aos poucos enegrece com a fumaça expelida das minas de carvão. A inocência perdida...os valores transformados...a hipocrisia de uma sociedade...integridade, honra, família...
Para ver e rever sempre...
Homem-Aranha 3...o herói cansou...

O enorme sucesso dos dois primeiros filmes do herói se deve muito às suas histórias, aos roteiros. Filmes de super-herói tem de monte, mas com o personagem principal sofrendo de crises, perdas, dúvidas, são raros e méritos de Homem-Aranha 1 e 2.
Neste terceiro episódio, há muitos efeitos, muitos vilões e pouca história. Algo que, apesar de empobrecer a trilogia não tira a validade de ir conferir este filme que é diversão garantida para um domingo à tarde.
A mim ficou a impressão de que estão todos meio de saco cheio, diretor, atores principais, e fizeram um filme menor pra tirarem dos produtores o argumento da bilheteria numa eventual pressão por um quarto e agora improvável Homem-Aranha.
sábado, 19 de maio de 2007
Desculpas...
...é o que devo aos poucos mas fiéis leitores de meu humilde blog...Estive ausente destas páginas por causa do meu trabalho que tem me consumido nas últimas semanas...viajei ao Peru para gravar umas matérias e estou naquela fase de imersão total na ilha de edição...mas o assunto aqui é cinema, portanto no próximo post meu parecer sobre Homem-Aranha 3...putz!...
Na foto deixo minha caminhada no deserto de Nazca, sul do Peru, procurando por uma Coca-Cola...
terça-feira, 27 de março de 2007
O Cheiro do Ralo
O Cheiro do Ralo é a história de Lourenço, um personagem escroto que vive num estado de claustrofobia permanente. A solidão urbana de seu dia-a-dia é agravada em seu trabalho. Lourenço vive de comprar e vender objetos usados, antiguidades e outras porcarias que pelos motivos mais ignóbeis somos às vezes levados a guardar. E Lourenço saboreia o seu poder nesse instante quando reina diante das figuras abjetas que o procuram pelo seu dinheiro (que aliás parece nunca ter fim). Esse mesmo jogo de poder é o que alimenta uma das fixações de Lourenço: a bunda de uma balconista de buteco. Uma bunda que ele quer ter, que ele quer subjugar, que ele quer que se submeta à sua torpeza pela paga de um dinheiro qualquer. A outra fixação do anti-herói é o cheiro fétido que sai do ralo do banheiro de seu escritório. Uma metáfora fácil mas eficiente que ilustra a aura do pesadelo em que vive Lourenço. Se você achou tudo muito sinistro fique sabendo que vai assistir rindo porque quem dá vida a Lourenço é Selton Mello, o dono do filme e quem faz valer seu ingresso. Sua interpretação precisa, sem exageros, dá a dose certa de humor e amargura ao papel. Um show!...Já ao diretor faltou um pouco de senso de ritmo, gastou tempo e energia repetindo situações que não surtiam mais efeito algum na platéia. Senti falta de um cafezinho entre os roteiristas que podiam ter parado e pensado melhor num outro final. Algo que se apresentasse melhor como uma moral da história. Do jeito que ficou deixa a sensação de “Ah, o filme caminhou até aqui pra isso?”... Ainda assim vale a pena conhecer O Cheiro do Ralo, um filme para platéias pequenas...O filme de um ator, Selton Mello. Que Rodrigo Santoro, que nada... Selton Mello é o cara!...
sexta-feira, 23 de março de 2007
300
Não bastassem a direção de arte impecável, a fotografia irrepreensível, as elaboradas coreografias de luta 300 ainda tem o valor de atiçar a curiosidade de quem assiste em busca de mais informações sobre essa batalha histórica que aconteceu em 480 a.C.
Não há o que comentar. Tudo que eu disser fica pequeno. Você TEM que ver.
Nas fotos, o ator Gerard Butler que nasceu para o papel de Rei Leônidas e ao lado a estátua do mesmo que está nas Termópilas, local onde tudo aconteceu.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Notas Sobre Um Escândalo
Se você tem dúvidas de se vale a pena ver este filme, pense que se trata do melhor trabalho de Judi Dench em sua história no cinema...Se as dúvidas ainda permanecerem saiba que Cate Blanchett está brilhante...não bastassem esses motivos pra conferir este filmaço maduro e surpreendente tem o roteiro do mesmo cara que escreveu Closer e concorreu ao Oscar. Uma professora sexagenária e sinistra (Judi) de uma escola secundarista de um subúrbio de Londres não consegue esconder seus impulsos homossexuais despertados pela professora novata e bela (Cate). A relação de ambas passa da amizade para a submissão numa chantagem velada que a sutil interpretação de Judi coloca no tom exato ao descobrir um pecado da professora Sheba (Cate) que ela usa em seu favor. A direção precisa faz a moral mudar de mão várias vezes. O filme vai da sobriedade à loucura sem parecer inverossímil. Muito bom, muito bom...quarta-feira, 14 de março de 2007
cinema e política
...revi nesses dias dois filmes do meu pequeno acervo de DVD's que falam de política.O primeiro é Bob Roberts, você conhece? É um filme que já tem uns anos, é de 1991-92 , um dos primeiros do Tim Robbins. Aliás tem o roteiro e a direção dele. Conta a história de um candidato ao senado americano, um demagogo e populista cantorzinho de folk que sabe usar muito bem os meios de comunicação em seu favor para convencer o eleitorado a lhe dar seus votos. Em linguagem documental e com um elenco sensacional (você vai reconhecer alguns rostos que ainda não tinham estourado...) o roteiro é muito inteligente e bem amarrado.
O segundo filme que revi é a reconstituição do período em que o mundo chegou muito perto de uma guerra nuclear, bem no início dos anos 60 quando John Kennedy era o presidente norte-americano e Nikita Kruschev, o premier soviético. O filme é Os 13 Dias Que Abalaram O Mundo com o Kevin Costner fazendo o chefe de gabinete da presidência. Interessante notar que o pesadelo do fim do mundo numa guerra nuclear aconteceu de verdade há tão pouco tempo. Toda a tensão do jogo político internacional, o cenário do mundo dividido na época e a habilidade diplomática do jovem presidente
Kennedy que lutava principalmente contra os impulsos bélicos de seus próprios oficiais militares que queriam bombardear Cuba, onde os russos instalavam mísseis nucleares. Os bastidores da Casa Branca e toda a pressão que rolou nesse episódio estão nesse filmão que retrata um momento histórico do qual é importante se ter conhecimento. Uma boa dica pra quem está se sentindo carente de momentos históricos mais significativos que o "ponto G das negociações" de ultimamente tem nos permitido...
...ainda sobre A Rainha...
...escrevi que gostei de A Rainha por vários motivos mas esqueci de citar que a direção é de Stephen Frears, um cara de uma versatilidade incomum que tem no currículo filmes incríveis como Alta Fidelidade e Ligações Perigosas, dentre tantos outros...
domingo, 4 de março de 2007
Thanks, Gene...
Uma pausa para o Teatro...
...fui assistir a O Avarento, com Paulo Autran no Cultura Artística e saí me perguntando: quantas pessoas de 84 anos hoje conseguem me fazer rir?
Paulo Autran não tem idade. É eterno.
Assim como o texto de Molière que ele escreveu em 1668 e continua incrivelmente atual...
Não perca! É um programão!...
(...como é bom morar em São Paulo...)
sábado, 24 de fevereiro de 2007
O Último Rei e A Rainha eterna...
A estrelinha que faltou eu dou para A Rainha, um filmaço! Gostei muito!
Todo mundo já deve saber do que se trata: os dias que se seguiram à morte da ex-Princesa Diana e a postura adotada pela família real britânica no episódio. A Helen Mirren como também dizem os especialistas é barbada no Oscar de melhor atriz. E não há como negar que ela fez por merecer.
Aliás todo o elenco está fantástico! O cara que faz o Tony Blair é sensacional!. Meu destaque é para o roteiro, cheio de curiosidades acerca do protocolo da corte e do que aconteceu do lado de dentro do palácio de Buckingham. Uma aula de história contemporânea. O filme se vale de imagens reais dos telejornais da época e tem como ápice o discurso em rede nacional da Rainha Elizabeth II, cedendo à pressão da mídia e da opinião pública, dando satisfações aos seus súditos. Informações preciosas, momentos de emoção (a Rainha de volta à Londres passeando pela calçada com as pessoas se curvando diante dela é uma cena linda!...). Lamentei a falta de informação da platéia do cinema em que assisti que não entendia a fleugma britânica e todo o aspecto ritualístico envolvendo o dia-a-dia da família real. Riam na hora errada...comentários em voz alta...uma tristeza...Mas o filme é ótimo! E depois do filme, confira no You Tube o discurso da verdadeira Rainha que faz com que você admire ainda mais o trabalho de Helen Mirren.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Pecados Íntimos
Sinceramente, não consigo entender como pode Pecados Íntimos não estar concorrendo ao Oscar de melhor filme ou diretor, os dois prêmios mais respeitados do mercado cinematográfico. O filme é maravilhoso!...Está indicado nas categorias de melhor atriz, Kate Winslet, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro. Mas é pouco. Pecados Íntimos é um filme adulto, desses que retratam a malha intrincada das relações humanas e a diferença entre o convívio social e nossos desejos ocultos, sorrateiros, que escapam ao controle e se revelam quando menos se esperam. Tudo isso sem fazer concessões baratas ao público. Sem cair em clichês manjados. Pelo contrário surpreendendo a platéia com soluções muitas vezes ousadas mas coerentes com seus personagens. Kate Winslet que a cada trabalho fica mais respeitada pela crítica mostra neste filme simplesmente o melhor momento de sua carreira. Aliás aqui ninguém faz feio...o par romântico de Kate é Patrick Wilson que segurou um filme sozinho com a garota de Menina Má.Com e volta a dar um show aqui. Juntos formam um casal luminoso que consegue tornar o absurdo, verossímil, o corriqueiro, encantador, o particular, universal. O indicado do filme ao Oscar de melhor ator coadjuvante é Jackie Earle Haley, um veterano de séries de TV que tem um papel difícil do pedólatra que luta contra sua perversão. Já se imaginou sentindo pena de um pedólatra? Essa é uma das provocações do filme, que pra variar deve ter tido seu título traduzido pelo Tiririca. Little Children, seu título original ficaria muito melhor ao pé-da-letra, Crianças Pequenas. Aliás as criancinhas do filme (a filhinha de Kate Winslet e o filhinho de Patrick Wilson) são lindas e carismáticas. É com elas que a história começa, é com elas que tudo termina. Seus pais vivem em mundos perfeitos, mas se descobrem infelizes, infiéis, hipócritas, cheios de energia e sofrimento, e reagem a tudo com uma ingenuidade pueril revelando que, no fundo, diante de muitas questões da vida, no fundo somos todos do jardim de infância...
Alá-lá-ô-ôôô-ôôô...!...Ziriguidum!
Saldo do meu Carsnavau no Sinema:
A Rainha
À Procura da Felicidade
O Último Rei da Escócia
Pecados Íntimos
daqui a pouco, comentus...
A Rainha
À Procura da Felicidade
O Último Rei da Escócia
Pecados Íntimos
daqui a pouco, comentus...
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Apocalypto
Acho engraçado os críticos de um modo geral, que às vezes parecem combinar numa reunião de boteco o que todos dirão sobre um determinado filme sem destoar muito das opiniões um do outro. Noto esse movimento em vários lançamentos. Não conheço as motivações, não pertenço ao mundo dos críticos. Nem queria porque a impressão que me dá é que eles se divertem menos que eu. É o caso deste novo filme do sempre criticado Mel Gibson (eu gosto do cara e aí?...vai encarar?...ele já me divertiu mais em um filme médio do que todas as críticas do Celso Sabadin juntas). Tudo bem que o cara pisou na bola no incidente com o policial a quem manifestou toda sua ira anti-semita e seu bafo alcoólico...mas uma coisa é o homem, outra coisa é sua obra.Achei Apocalypto, o melhor filme de Mel Gibson.
Nos Estados Unidos o filme foi massacrado. Parece que o episódio com o policial pegou mal mesmo junto à opinião pública. Mas eu não quero saber das opiniões de Mel Gibson.
Eu quero que ele cumpra o que se propõe a fazer: me entreter. (sim, eu sei, não se começa oração com pronome mas, por favor, estamos na era Lula...)
Esqueçam os críticos que o acusaram de ser “excessivamente violento”, ou da “imprecisão histórica”, ou da “obsessão do diretor pelo martírio do corpo”...
Apocalypto é o melhor filme de perseguição que eu já vi. Era essa sua intenção e foi isso que ele fez...!
E ninguém pode dizer que o sr. Gibson não sabe contar uma história. Tudo acontece num ritmo frenético, com seqüências de ação complexas e bem construídas, deixando o espectador angustiado com a luta do protagonista pela sua vida e da sua família. O cara sabe filmar!
Vá assistir...depois a gente conversa...
PS: Eu sempre tive vergonha de dizer que achava o seu Hamlet o melhor do cinema até ler que alguns especialistas estrangeiros em Shakespeare como a Dra Laurie Rozakis (PhD em Literatura Inglesa pela Universidade de Nova York) consideravam a versão de Mel Gibson genial.
Não tenha preconceito e saia satisfeito...
Borat
Palmas para... O Perfume
O povo vivia sujo, sem tomar banho, comendo lixo. É lá que nasce o protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, dono de uma capacidade extraordinária de captar, identificar e memorizar...cheiros!
Seu poderoso nariz o leva a ser um notável perfumista obcecado em buscar o aroma perfeito...aquele que fará toda a humanidade render-se ao seu gênio criador. O problema é que para Grenouille produzir tal aroma ele precisa fazer algo um pouco inconveniente, tipo...matar umas pessoas. Assim começa o calvário desse anti-herói que comete crimes horríveis ao mesmo tempo que nos faz torcer por ele. Efeito parecido com o que ele quer para seu perfume perfeito: o da sedução absoluta de toda a humanidade.
Atenção para as soluções visuais encontradas pelo diretor (Tom Tykwer, que fez Corra, Lola, Corra) para mostrar a imagem dos “cheiros” captados por Jean-Baptiste: simples, diretas e eficientes.
Se você for ver, lembre-se que tudo se trata de uma grande fantasia, e não de uma história baseada em fatos reais, como muitas vezes o tom sombrio e a caprichosa direção de arte o fará pensar. Só assim, com essa postura, você absorverá o gran finale, um delírio pertinente do autor e o fim de Jean-Baptiste, um personagem para entrar na história dos grandes filmes, tanto quanto O Perfume deve virar um clássico.
O filme tá meio escondido no meio de tantos indicados ao Oscar (que injustamente ignorou O Perfume), pouco se fala nele. Mas vá assistir.
É sensacional!...
O Labirinto do Fauno
Quando assisti a Hellboy pela primeira vez (acho que em 2004) senti que naquele filme havia algo mais do que uma simples historinha de um herói (no caso um anti-herói) que enfrenta o mal, cheia de efeitos especiais, etc...Hoje (dezembro de 2006) depois que vi O Labirinto do Fauno, percebi claramente o trabalho de um diretor que evoluiu em sua capacidade de contar bem uma história ilustrando-a com imagens bem elaboradas. O Labirinto do Fauno do diretor mexicano Guillermo Del Toro (ele é parente do Benício, o ator...) é de uma beleza tão grande, tão intensa que ao mesmo tempo que encanta, às vezes até sufoca...Aliás há no Labirinto tanto desse paradoxo...Nunca havia visto um filme costurar com tanto talento violência (sim o filme é bastante violento! Não é para criancinhas...) e delicadeza...Fantasia e realidade se entrecruzam com a sensibilidade de um roteiro inspirado e uma direção criativa. Um filme que fala direto ao coração de quem o assiste, em especial ao das mulheres, há muito do universo feminino na história (impossível não se emocionar com o apelo que menina faz ao irmãozinho que ainda não nasceu, encostada na barriga da sua mãe grávida e doente...).
Uma fábula nos moldes clássicos adaptada ao público do século XXI. E que provavelmente ganha o Oscar de filme estrangeiro deste ano. Filmão...
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
O Homem Duplo
De novo Philip K. Dick. É baseado em mais um de seus livros que vem este O Homem Duplo, novo filme com Keanu Reeves. Esse escritor que morreu doido é um dos autores com mais obras no cinema. Foram de seus livros que saíram Blade Runner, O Vingador do Futuro, Minority Report, Screamers, etc... Desta vez, no entanto, não é a história mas o visual quem é a principal estrela do filme. Com uma técnica que se baseia em aplicar computação gráfica sobre a imagem, o diretor Richard Linklater (o mesmo de Antes do Por do Sol e Antes do Amanhecer) conseguiu compor uma espécie de desenho animado claustrofóbico e psicodélico. Muito coerente com a história: um policial (Keanu) é encarregado de investigar o tráfico de uma droga super poderosa e acaba se viciando nela. Muito louco!
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Mais Estranho Que a Ficção...'mais pior' que a realidade...
Mais Estranho Que a Ficção começa bem. Um cara normal vive uma vida metódica e tediosa entre ir para o seu trabalho enfadonho (ele é fiscal de imposto de renda) e voltar para casa onde mora sozinho numa vida triste.
De repente, uma voz de mulher passa a narrar tudo que ele está fazendo. Só ele ouve a voz que parece descrever com mais estilo toda a mediocridade do seu dia-a-dia.
Contando assim, o argumento parece até bacana. O elenco tem uns nomes como Emma Thompson, sempre dando show, Dustin Hoffman que dispensa apresentações e no papel principal, Will Ferrell, mais conhecido na tv americana por ter sido um popular apresentador do humorístico Saturday Night Live.
Mas a verdade é que o filme é uma bomba. O argumento inicial não se sustenta.
A partir de um certo ponto, Ferrell descobre que a voz que ele ouve é de uma escritora famosa que está escrevendo um livro contando como é a vida monótona dele. Sem dar nenhuma explicação, Ferrell 'descobre' (com a ajuda de um professor de literatura boboca feito por Dustin Hoffman) que tinha virado um personagem do novo livro de Emma Thompson. E o "problema" é: todos os protagonistas de seus romances morrem no final. Logo ele também vai morrer. (?!?!)
É constrangedor notar os atores se esforçando para dar verossimilança a esse roteiro pretensioso e modernóide.
Alguns grafismos são utilizados no filme com inteligência e o texto narrado por Emma Thompson é realmente bom. Dá a impressão que o livro fictício que ela está escrevendo é melhor do que o filme real...
Will Ferrell não tem nem nunca vai ter perfil de mocinho de filme. Ele é o Chevy Chase do século 21.
E o pior pra mim foi ter contado um irritante microfone boom vazando em quadro por 16 vezes!!!
Isso foi o fim da picada.
Pretensioso, sem ritmo e anêmico...E está incrivelmente encabeçando a lista da Veja como o melhor filme em cartaz...putz!?! NÃO CAIA NESSA!!!
Mais Estranho Que A Ficção é 'mais pior' que O Labirinto do Fauno, Babel, Os Infiltrados, Pequena Miss Sunshine, Happy Feet, Perfume, Apocalypto, etc...
Uma grande bobagem que não vale a pena você perder seu tempo...
De repente, uma voz de mulher passa a narrar tudo que ele está fazendo. Só ele ouve a voz que parece descrever com mais estilo toda a mediocridade do seu dia-a-dia.
Contando assim, o argumento parece até bacana. O elenco tem uns nomes como Emma Thompson, sempre dando show, Dustin Hoffman que dispensa apresentações e no papel principal, Will Ferrell, mais conhecido na tv americana por ter sido um popular apresentador do humorístico Saturday Night Live.
Mas a verdade é que o filme é uma bomba. O argumento inicial não se sustenta.
A partir de um certo ponto, Ferrell descobre que a voz que ele ouve é de uma escritora famosa que está escrevendo um livro contando como é a vida monótona dele. Sem dar nenhuma explicação, Ferrell 'descobre' (com a ajuda de um professor de literatura boboca feito por Dustin Hoffman) que tinha virado um personagem do novo livro de Emma Thompson. E o "problema" é: todos os protagonistas de seus romances morrem no final. Logo ele também vai morrer. (?!?!)
É constrangedor notar os atores se esforçando para dar verossimilança a esse roteiro pretensioso e modernóide.
Alguns grafismos são utilizados no filme com inteligência e o texto narrado por Emma Thompson é realmente bom. Dá a impressão que o livro fictício que ela está escrevendo é melhor do que o filme real...
Will Ferrell não tem nem nunca vai ter perfil de mocinho de filme. Ele é o Chevy Chase do século 21.
E o pior pra mim foi ter contado um irritante microfone boom vazando em quadro por 16 vezes!!!
Isso foi o fim da picada.
Pretensioso, sem ritmo e anêmico...E está incrivelmente encabeçando a lista da Veja como o melhor filme em cartaz...putz!?! NÃO CAIA NESSA!!!
Mais Estranho Que A Ficção é 'mais pior' que O Labirinto do Fauno, Babel, Os Infiltrados, Pequena Miss Sunshine, Happy Feet, Perfume, Apocalypto, etc...
Uma grande bobagem que não vale a pena você perder seu tempo...
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
O Ilusionista
Segundo filme sobre mágicos no mesmo período (o outro é o Grande Truque que comentei aqui) este O Ilusionista me surpreendeu. Eu havia achado O Grande Truque inesperadamente bom. Mas este é melhor. Primeiro porque o elenco dá um passeio...ver Edward Norton com Paul Giamatti juntos já vale o ingresso. O roteiro é ótimo, esperto, enxuto, tem tudo: romance, ação, mistério, fantasia, crime...tudo na dose certa. É a história de um jovem mágico de sucesso, Eisenheim (Norton), que na Viena do século XIX reencontra sua paixão da adolescência, uma agora jovem princesa prestes a se casar com o príncipe vilão. Um grande truque é preparado para resolver esse triângulo que passa a ser investigado pelo chefe de polícia local (Giamatti). Se você não ficar procurando explicações lógicas tentando descobrir os segredos dos truques de Eisenheim, vai gostar.Entregue-se à fantasia...
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
O Segredo de Beethoven
Lembro de ter lido em uma entrevista com o mestre Alfred Hitchcock que muitos de seus filmes nasciam de uma cena, de uma seqüência que podia surgir num estalo em sua cabeça e que só depois ele se empenhava em imaginar toda a história antes e depois dela. Parece que em seu espólio ficaram inúmeras anotações que Hitchcock fez em papeizinhos com cenas geniais mas que nunca chegaram a virar um filme inteiro...A impressão que tive ao ver este O Segredo de Beethoven é que a diretora polonesa imaginou a seguinte seqüência: o gênio da música Beethoven, já consagrado, surdo e em seus últimos anos de vida decide reger sua nona e última sinfonia na Viena do século XIX. Para conseguir comandar a orquestra ele contará com a ajuda de uma jovem amante da música do mestre que é também a sua copista (a pessoa que passava a limpo as partituras) que ajuda-o emprestando seus ouvidos e marcando o tempo para Beethoven cumprir com eficiência seu papel de maestro na estréia.
Tal seqüência está no filme e é simplesmente maravilhosa. Mas o resto do filme é apenas médio.
Primeiro porque tal cena, em verdade nunca aconteceu. Beethoven nunca teve uma copista apaixonante como Diane Kruger (que fez a Helena em Tróia). Quem o ajudou a reger a nona foi um amigo velho e doente. Não sei até que ponto, no cinema moderno é aceitável que se inventem fatos acerca de uma personagem real. E até que ponto isso era necessário com relação a Beethoven, dono de uma biografia riquíssima de fatos curiosos e marcantes.
Segundo porque, pra mim, Ed Harris no papel do gênio irrascível Beethoven ao colocar uma peruca grisalha e desarrumada ficou parecendo uma caricatura de Einstein com o Coisa do Quarteto Fantástico.
Se você tiver paciência e esperar a seqüência em que Beethoven, um velho surdo vai reger na estréia de sua Nona Sinfonia vai se maravilhar...!
Durante a apresentação, o maestro e sua copista passam o tempo todo se olhando, repetindo os mesmos movimentos desenhando um balé sensual e divino. Como se fizessem amor através das notas da Nona Sinfonia.
Valeu o ingresso, claro...afinal ouvir Beethoven é sempre bom !...
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
007 - Casino Royale
O ator Daniel Craig ganhou a permissão do público para vestir o smoking, usar o Omèga, dirigir o Aston Martin, beber o dry martìni e transar com as mulheres de James Bond, o agente secreto mais famoso do mundo.E olha que é um desafio e tanto convencer milhões de espectadores que você pode ser tão charmoso quanto Sean Connery ou Pierce Brosnan. E isso o sr.Craig tem que admitir que não é. Talvez esteja aí, na decisão dos produtores e do ator de não disputar no quesito charme que torna esse Bond tão bom. Daniel Craig é o mais atlético, mais forte de todos e o filme sabe explorar isso. Todas as cenas de ação são bem mais elaboradas que a média dos 007. Dá pra sentir o quanto James Bond se machuca. Há uma seqüência de perseguição com o herói correndo à pé atrás de um bandido que parece um macaco (o cara sobe em qualquer lugar...) que é sensacional!...Para os puristas da série que questionaram antes de assistir a questão da aparência do novo 007 (Craig é loiro de olhos azuis), isso é uma bobagem. O ator tem muita personalidade e soube convencer como um agente secreto sofisticado e preparado para matar qualquer um a qualquer momento. Aliás, Craig passa essa veia assassina muito mais que seus antecessores. De resto, o roteiro é bem melhor amarrado que os últimos 007, há uma morena espetacular de bondgirl, Caterina Murino, uma italiana que aparece pouco mas marca presença e Eva Green com sua habitual beleza gelada, que não é uma gostosona mas sabe ser sensual. Notei também que Daniel Craig lembra muito Kirk Douglas (Spartacus), um ator de quem gosto muito. Talvez por isso tenha me simpatizado rápido pelo novo James Bond. Valeu!...
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
Happy Feet
Desenho animado faz qualquer um voltar à infância...
Esse filme é uma delícia!...Você vai achar o pingüinzinho fofinho, os musicais divertidos, o roteiro engraçado e bem amarrado. Não é pra crianças muito pequenas. Aliás acho que esse filme diverte mais adultos do que crianças. Impressionante a qualidade da animação. E muito curiosa é a história do diretor George Miller que inventou Mad Max, o porquinho Babe e fez o belo e forte Óleo de Lorenzo. Um currículo peculiar...
Para assistir e se divertir!...
O Caminho Para Guantânamo
Se você curte cinema político este O Caminho Para Guantânamo é um grande documentário. Impressionante pelos fatos que apresenta é a história real de 4 jovens amigos ingleses de ascendência paquistanesa que moravam em Londres e fizeram a bobagem de viajar ao Afeganistão apenas um mês depois do atentado de 11 de setembro. O motivo é que um deles iria se casar e há todo um ritual que se inicia na terra de seus antepassados...por isso eles vão para lá como jovens turistas inconseqüentes. Assim que atravessam a fronteira com o Afeganistão são tomados pelo caos em que se encontrava a região suspeita de abrigar Bin Laden. O que se segue é o pesadelo em que mergulharam com torturas diárias e interrogatórios intermináveis. Primeiro na base militar de Kandahar e depois em Guantânamo, Cuba. Um pesadelo de quase 4 anos!...Os caras só conseguiram sair dessa enrascada em 2005! Inacreditável que uma história dessa tenha acontecido agora!...O filme é entrecortado pelos depoimentos reais dos amigos e por trechos de telejornais da época cobrindo o que acontecia com o mundo pós-11 de setembro. Não é um filme pra levar a namorada de mão dada mas um documento importante do nosso século e que nos faz pensar que a loucura de governos e líderes ainda é uma sombra rondando por aí...
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
...aplausos para O Grande Truque...!
Fiquei sem comentar um filme que vi umas semanas atrás por indisciplina deste blogueiro...Foi mal...O filme é ótimo. Gostei muito.Chama-se O Grande Truque.
É uma grande homenagem a uma figura que já fez parte de algum momento da vida de todos nós: o mágico.
Seja na infância, nos programas de TV, no circo da cidadezinha de interior, todo mundo já viu ou se encantou com um mágico.
Eu, que por força de minha profissão já vi de perto o trabalho de muitos ilusionistas nunca havia parado pra pensar na força dessa personagem.
E este filme me fez refletir a respeito...há muita beleza e poesia no trabalho de um mágico...
Uma das decisões mais importantes que tomamos na vida é qual vai ser a nossa profissão...qual a atividade que vai prover o nosso sustento até o fim dos nossos dias...e alguém que decide ser mágico é alguém que faz a escolha pelo encantamento...um profissional cujo sucesso vai depender da sua capacidade de encantar o próximo com um truque, uma ilusão, uma miragem...um profissional que precisa ensaiar e treinar tanto quanto fazem os atores, cantores, bailarinos...
Palmas para os mágicos e para este belo filme do Nolan que fez o inesquecível Amnésia (fez também a Bat-bobagem ‘Batman Begins’ , mas deixa pra lá...) e volta à tela com este O Grande Truque (The Prestige). Você vai lembrar da edição de Amnésia, fragmentada, não-linear, nervosa...o roteiro é muito bem amarrado, o elenco dá um show...! Hugh Jackman e Christian Bale são dois mágicos na Londres do final do século XIX que se admiram, se odeiam, se invejam e se perseguem obssessivamente numa disputa mortal pelos segredos de seus números. Scarlett Johansson fica nesse meio de campo desses dois malucos que tiveram o mesmo tutor, Michael Caine, o engenheiro das traquitanas dos bastidores que possibilitam a realização dos números. Sua elegância habitual proporciona alguns dos melhores momentos do filme como o discurso inicial que explica do que é composto todo número de mágica.
Um filme muito legal que vale a pena assistir!...
domingo, 12 de novembro de 2006
A Pequena Miss Sunshine e porquê ir ao Cinema é preciso...
Só o Cinema é capaz de nos fazer olhar para nossas próprias vidas com um distanciamento que nos dá percepção crítica e, em alguns casos, transformação.Little Miss Sunshine conta a história de uma família que convive com o caos: o pai é um fracassado, a mãe uma estressada, o filho adolescente revoltado fez voto de silêncio, o cunhado gay-deprimido-suicida e o avô viciado e pornográfico. Essa combinação explosiva de personagens decadentes forma a desequilibrada família Hoover.
À margem de toda essa zona está a filhinha caçula, Olive, uma criança como outra qualquer, barrigudinha, de óculos e encantadora. Ela é o pivô da história. Por ela, os malucos se unem para realizar o sonho de Olive: participar de um concurso de beleza infantil que vai eleger a Miss Sunshine. Eu me apaixonei pela Pequena Miss Sunshine.
Como o nome diz, ela é o verdadeiro raiozinho de Sol que ilumina essa família descabeçada.
O elenco está espetacular. Todos dão um show em papéis difíceis.
Nota dez para os diretores (um casal de novatos) que observaram inúmeras cenas comuns do cotidiano e as elevaram a um nível de simbolismo muitas vezes comovente.
Como naquela frase do Quintana “canta tua aldeia e encantas o mundo”, o filme parte de uma crítica antiga mas ainda muito legítima à sociedade americana que ensina a seus filhos que ser feliz é vencer tornando seus cidadãos mais competitivos e desumanos e muitas vezes infelizes.
Há sutilezas, olhares, situações que apesar de corriqueiras na vida de qualquer um, ganham um poder revelador na medida em que nos ensinam a perceber nosso delírios.
O carro no qual fazem a viagem até o local do concurso é uma perua kombi velha que precisa ser empurrada se quiserem fazer com que ande. E é com ela que acontecem as cenas de maior significado: ao empurrar o carro, os tresloucados Hoovers têm que se unir toda vez que quiserem seguir em frente...
Um belo exemplar do cinema independente americano, feito com pouco dinheiro (8 milhões de dólares), muita sensibilidade, um elenco inspirado e um roteiro que merece o Oscar.
E merece o seu ingresso...
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Vem aí..."Os Infiltrados"
Hoje eu fui a uma cabine assistir ao filme que desbancou O Diabo Veste Prada dos primeiros lugares da bilheteria norte-americana: Os Infiltrados.Achei o nome correto mas estranho, mas é um policial excelente do mestre Martin Scorsese. Como sempre em seus filmes, têm gangsters, corrupção, violência, sangue, closes em travelling e aquela edição ágil que marca a obra recente de Scorsese. Tem Jack nicholson no elenco com sua habitual competência. Matt Damon e Leonardo di Caprio encabeçam a história envolvendo o trabalho da polícia de Massachussets e seus agentes ‘infiltrados’ na máfia irlandesa que trafica drogas, armas, etc...Gostei muito da amarração da história que não deixa nenhum ponto em aberto. Leonardo di Caprio mostra mais uma vez que é bom ator e o elenco de apoio tem estrelas como Martin Sheen, Alec Baldwin e Mark Wahlberg.
Achei fraquinha a trama romântica envolvendo a ‘psicóloga de batalhão’ que não me convenceu muito mas que não estraga o prazer de ver esse filmaço de nome esquisitão ...”Os Infiltrados”. Confira...
domingo, 8 de outubro de 2006
Obrigado Por Fumar
Não sei porque demorei tanto pra conferir este filmão. Ainda em cartaz, Obrigado Por Fumar conta a história de um profissional da área de relações públicas sem nenhum caráter que defende a indústria do tabaco. Um cara muito bom de conversa que fez da sua capacidade de comunicação e poder de persuasão, suas ferramentas para manipular a opinião pública em favor do cigarro.
Com muito bom humor, o filme tem um roteiro espertíssimo e que, curiosamente passou 12 anos rodando de estúdio em estúdio até que alguém resolveu filmá-lo.
O ator Aaron Eckhart consegue a proeza de fazer um personagem inescrupuloso com tanta irreverência e charme que não se consegue odiá-lo.
Ao contrário do que possa parecer, o filme não é sobre cigarros, mas sobre lobby. Se você for ver, vai reparar que ninguém aparece no filme fumando. E há as reuniões entre os Mercadores da Morte que pontuam a história e que são engraçadíssimas (pra entender quem são os ‘Mercadores da Morte’ só assistindo ao filme...).
Todos do elenco dão um show e sustentam com habilidade o assunto difícil da política por trás de quase todos os movimentos de uma sociedade comprometida com o dinheiro.
É um filme com uma certa dose de polêmica, para adultos, mas uma delícia!...
Vou ver de novo...!
Com muito bom humor, o filme tem um roteiro espertíssimo e que, curiosamente passou 12 anos rodando de estúdio em estúdio até que alguém resolveu filmá-lo.
O ator Aaron Eckhart consegue a proeza de fazer um personagem inescrupuloso com tanta irreverência e charme que não se consegue odiá-lo.
Ao contrário do que possa parecer, o filme não é sobre cigarros, mas sobre lobby. Se você for ver, vai reparar que ninguém aparece no filme fumando. E há as reuniões entre os Mercadores da Morte que pontuam a história e que são engraçadíssimas (pra entender quem são os ‘Mercadores da Morte’ só assistindo ao filme...).
Todos do elenco dão um show e sustentam com habilidade o assunto difícil da política por trás de quase todos os movimentos de uma sociedade comprometida com o dinheiro.
É um filme com uma certa dose de polêmica, para adultos, mas uma delícia!...
Vou ver de novo...!
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
Garota Má.com
Eu tenho muita curiosidade por filmes que são feitos com pouco dinheiro e ganham grande repercussão.
Acho bacana a história da produção do Mar Aberto que lucrou 100 vezes mais do que custou, ou o caso do Soderbergh que gastou um milhão de dólares em seu filme de estréia (sexo, mentiras e videotape) e ganhou a Palma de Ouro em Cannes mais uns 25 milhões de dólares em bilheteria.
Este Menina Má.Com está super recomendado pelos críticos. Tem seus méritos.
E são só dois atores em cena o tempo todo. Atores que dão um show.
O tema é espinhoso (pedofilia) e o roteiro segue um rumo surpreendente. Aliás, aqui está outro ponto positivo: nada é óbvio neste filme.
Mas aí, o roteiro começa a viajar na maionese e o filme termina inverossímil.
Mesmo assim vale o ingresso...
Acho bacana a história da produção do Mar Aberto que lucrou 100 vezes mais do que custou, ou o caso do Soderbergh que gastou um milhão de dólares em seu filme de estréia (sexo, mentiras e videotape) e ganhou a Palma de Ouro em Cannes mais uns 25 milhões de dólares em bilheteria.
Este Menina Má.Com está super recomendado pelos críticos. Tem seus méritos.
E são só dois atores em cena o tempo todo. Atores que dão um show.
O tema é espinhoso (pedofilia) e o roteiro segue um rumo surpreendente. Aliás, aqui está outro ponto positivo: nada é óbvio neste filme.
Mas aí, o roteiro começa a viajar na maionese e o filme termina inverossímil.
Mesmo assim vale o ingresso...
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
O Diabo Veste Prada
Comecei a ler o livro pra ver se é tão bom quanto o filme.Até agora, aquela regra de o livro ser sempre melhor que o filme não se aplica aqui...pelo menos até agora...estou na página109...
Acontece que o filme é muito bom!
O elenco tá afinadíssimo, a Meryl Streep vai ganhar o Oscar de Atriz Coadjuvante em 2007, a atriz principal Anne Hathaway (é a cara da Stephany Brito) é ótima, a idéia de chamar o diretor da série Sex In The City foi certíssima, o roteiro é delicioso, enfim, o filme é uma coleção de idéias e decisões bem sucedidas que só podia dar em sucesso... Tá fazendo uma bilheteria surpreendente (os produtores não esperavam esses números) e todo mundo fica admirado com a performance espetacular da veterana Meryl Streep.
No papel da editora-chefe da maior revista de moda do mundo ela consegue a proeza de fazer uma personagem assustadora sem levantar a voz em nenhum momento...!
Só vendo pra entender !... O filme é tão bom que até a nossa Gisele Bündchen está bem numa ponta como funcionária da revista.
E mesmo que você não entenda nada de moda, todo mundo já teve na vida um chefe tirano... Vale o ingresso!
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
...Follow the money!...Follow the money !...
Cai como uma luva nestes tempos de eleição e corrupção, a dica do DVD Todos Os Homens Do Presidente.Se você não viu, tá perdendo. Se já viu, vale rever este filmaço.
Robert Redford teve a iniciativa e juntou a galera, equipe, diretor (Pakula) e elenco para reproduzir na tela do cinema o escândalo do Watergate e o competente trabalho dos dois jornalistas desconhecidos do Washington Post que levou à renúncia de Richard Nixon, o então Presidente dos Estados Unidos.
O filme tinha como objetivo ser o mais fiel aos fatos tal como aconteceram. E para isso contaram com a participação na produção e no roteiro dos verdadeiros protagonistas dessa história, Woodward e Berstein, os repórteres do Post.
Há vários momentos incríveis no filme, mas o mais marcante eram os encontros de Woodward num subsolo, um estacionamento escuro, onde o Garganta Profunda, sua fonte secreta, lhe delatava em voz assustadora:
-...Follow the money!...
(...lembrou alguma coisa dos noticiários atuais?...ai,ai...)
É uma história de detetive, uma aventura de dois jornalistas desconhecidos e desprestigiados que graças a um trabalho competente e persistente levam à renúncia de Nixon.
Uma trama eletrizante!...
Prefira alugar o DVD-Edição Especial em que há vários extras, inclusive entrevistas com os jornalistas e uma matéria mostrando a identidade secreta do Garganta Profunda!...(que só havia sido revelada em maio do ano passado pela revista Vanity Fair)
Um Garganta Profunda surgindo por estes dias até que faria muito bem ao nosso país...
Quem sabe?...
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Vôo United 93
Assisti a este filme no dia 11 de setembro último, exatos 5 anos da tragédia...E, acredite, foi bastante especial.
Primeiro porque o realismo da fita é impressionante!...
Fiquei assombrado com a agonia de todos que estavam a bordo no único vôo do atentado da Al Qaeda que não atingiu seu alvo.
O diretor (o mesmo de A Supremacia Bourne e que no ano que vem lança o último da trilogia - O Ultimato Bourne) pra mim fez algo novo no cinema: dirigiu as pessoas reais!...Tanto os profissionais que estavam presentes nas torres de controle dos aeroportos como os militares da base aérea que estão no filme eram as pessoas de verdade que estavam lá no dia e presenciaram todo o horror dos acontecimentos.
É verdade que nessa época do ano todo mundo é bombardeado com inúmeros documentários sobre o 11 de Setembro, e você provavelmente acha que já viu tudo sobre o assunto.
Acredite: este filme é definitivo. E todos deveriam assistir.
O atentado às 'torres gêmeas' é, provavelmente, o acontecimento do século. Mudou o mundo e continuará mudando.
Este Vôo 93 é um documento. Tem jeitão intencional de um documentário. Você vai se sentir dentro do avião...suas mãos vão suar de aflição...uma sensação amarga de angústia vai te invadir...e quando terminar o filme você vai voltar pra casa pensando: "- Puxa! Não tinha noção de que tinha acontecido desse jeito...!" .
O final do filme é triste e todo mundo já conhece.
Mas o filme é ótimo e tem que ser visto.
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
A Casa do Lago
É bom lembrar que, às vezes, quando quer fantasiar, é comum um filme apresentar uma solução fantástica sem dar explicações nem ter compromisso com a lógica, para contar uma história.Quando no final do filme você se sente satisfeito com a experiência estética que acabou de assistir, o fim justificou os meios, como em O Anjo Exterminador de Bunüel.
Aqui em A Casa do Lago, a historinha parece até que vai ficando legal e você até vai aceitando a decisão do autor numa boa de colocar o casal principal trocando cartas mesmo estando em anos diferentes: ela vive em 2006 e ele em 2004 e seu elo de contato é uma caixa de correspondência mágica de uma linda casa de vidro que fica num lago (?!?!?!).
O charme do casal faz você engolir essa maluquice, Sandra Bullock é muito bonita e Keanu Reeves é um cara bacana. Você acha que o filme está caminhando para um fim trágico mas correto quando vem o final boboca e comercial. Daí você não sabe se ri ou se chora de raiva de ter pago ingresso pra ver essa m... Me deu saudades dos grandes produtores que não faziam concessão ao público e deixaram grandes histórias de amor em que o casal não terminava num final feliz...Ainda assim cho que arquitetos vão gostar de ver a casa do filme e especificamente de um diálogo entre o personagem de Keanu e seu pai, os dois arquitetos.
Fiquei com raiva porque poderiam pelo menos ter feito deste filme um daqueles sucessos românticos da moda tipo Cidade dos Anjos, Íntimo e Pessoal, Ghost, etc...Mas nem isso.
Pra atrapalhar deixo uma foto que estraga o final do filme pra quem for ver...Huahuahuahuahua!!!
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
2046

Fui assistir com um pé atrás. Muita gente havia me falado mal, alguns comentários positivos, cansado de ver dvd em casa, fui conferir...
O filme é confuso, muitas vezes você não sabe qual o personagem tá na tela (chinês é tudo igual!...) e só depois que terminou o filme é que fiquei sabendo que se tratava de uma continuação do belíssimo "Amor À Flor da Pele" do mesmo diretor e ator principal...
Há um salto no tempo, o jornalista está escrevendo uma ficção científica, e a história sai dos anos 60 e vai para o ano de 2046...Uma bagunça.
Mas eu tenho que reconhecer que me peguei envolvido com a paixão não correspondida da chinesinha Zhang Ziyi (que parece que faz todos os filmes da China) com o protagonista Tony Leung. Acho que ela nunca esteve tão bonita num filme com aqueles fugurinos clássicos chineses e com uma pela tão bonita que iluminava a tela. Foi aí que me lembrei do Amor À Flor da Pele, com aqueles planos em câmera lenta, os closes em certos detalhes da cena, a trilha tipo "anos dourados"...e foi assim, trabalhando com esses mesmos elementos que o diretor Wong Kar Wai conseguiu de novo me fazer prestar atenção na sua história de amor. Valeu o ingresso.
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Hollywood em Berlim

Esqueci de comentar aqui da minha viagem a Berlim em junho passado na época da Copa. Fiquei hospedado num hotel chamado Hollywood Media, na avenida mais badalada da cidade, a Kurfürstendamm. Durante o dia, é um dos pontos comerciais mais movimentados de Berlim. À noite, movimentação, agito, muita gente bonita passeando pela Kudamm (como os berlinenses a chamam). Vi também muitos boiolas alemães fazendo ponto por ali e pensei em qual figura de estilo mais se encaixavam já que eles "dão o cu na Kudamm"...seria uma anáfora?... uma aliteração?... ou viadagem mesmo...?
O hotel é o mais procurado durante o Festival de Cinema de Berlim.
Nas paredes, fotos, pôsteres e autógrafos de estrelas do cinema.
Cada andar do hotel é dedicado à cinematografia de um país.
Eu fiquei no andar do Cinema Britânico e a figura estampada na porta do meu quarto era Sir Alfred Hitchcock...Uau!...Não podia ter sido melhor!...
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
2 filhos...
Números atualizados:
2 Filhos de Francisco teve 5.287.372 espectadores.
Vendeu 445.132 cópias em DVD.
Você não vai encontrar esses dados por aí.
São fontes oficiais e restritas.
E ainda segundo cálculos da distribuidora, o filme deve ter sido também o campeão de vendas dos DVD's piratas. As estimativas são de mais de um milhão de cópias ilegais.
2 Filhos de Francisco teve 5.287.372 espectadores.
Vendeu 445.132 cópias em DVD.
Você não vai encontrar esses dados por aí.
São fontes oficiais e restritas.
E ainda segundo cálculos da distribuidora, o filme deve ter sido também o campeão de vendas dos DVD's piratas. As estimativas são de mais de um milhão de cópias ilegais.
terça-feira, 15 de agosto de 2006
O melhor...
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Cinema em casa...
Com essa leva tão fraca de filmes em cartaz (os que me interessavam eu já vi...) o jeito foi se virar em casa mesmo.
Revi O Sol É Para Todos, Todos os Homens do Presidente, Um Esprito Baixou Em Mim, Ben Hur, Solaris, Dr. Fantástico, Magnólia e Casablanca.
Foi bom...faltou pipoca sem gordura trans...
Revi O Sol É Para Todos, Todos os Homens do Presidente, Um Esprito Baixou Em Mim, Ben Hur, Solaris, Dr. Fantástico, Magnólia e Casablanca.
Foi bom...faltou pipoca sem gordura trans...
domingo, 13 de agosto de 2006
Indigestão...
Acho que ainda vão descobrir que assistir muito filme faz mal à saúde...
Assisti no mesmo dia Dogville, Full Frontal, Adaptação, Quero Ser John Malkovich e Xuxa e os Duendes...
Não tô me sentindo muito bem...
Assisti no mesmo dia Dogville, Full Frontal, Adaptação, Quero Ser John Malkovich e Xuxa e os Duendes...
Não tô me sentindo muito bem...
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Três Enterros

Esse filme eu assisti em abril/maio, não lembro ao certo.
Na época não consegui parar pra registrar aqui no blog por indisciplina da minha parte.
Foi uma boa surpresa. Um filme que foge do convencional. Não foi feito para o grande público. Tem uma narrativa lenta, mas adequada às intenções do diretor, que não se propôs a fazer um filme de ação. É um filme de amor. Amor entre dois homens. Amor fraternal, como dos grandes amigos. Dois homens simples, no Texas, de tratamentos ásperos como o relevo da região em que vivem. E as semelhanças entre este e Brokeback termina nos chapéus de cowboy que ambos os personagens principais usam.
Um dos dois homens é assassinado. O que sobrevive cumpre lealmente a promessa que fizera de enterrar o amigo em sua cidadezinha natal, no interior do México. E com que hombridade ele cumpre essa promessa!...
Isso foi o que eu mais gostei no filme...encontrar valores cada vez mais raros de se ver na vida...honra, dignidade, humildade, amizade, lealdade...características da personalidade do diretor Tommy Lee Jones, admirado pelos amigos como um homem muito simples e que combina um traço rude com outro sensível no trato com as pessoas que o conhecem.Já o admirava como ator e agora mais, por saber que é formado em Literatura em Harvard e por ter mostrado a amizade entre dois homens com tanto amor e força.
terça-feira, 23 de maio de 2006
O "Código" Dá Vinte Motivos Pra Você Não Sair De Casa E Ir Ao Cinema...

20 – O filme é muito lento. Quase não tem ação e quando tem, as soluções encontradas pelo roteiro para explicar as escapadas do protagonista são de morrer de vergonha...
19 – O roteiro muda radicalmente o final do livro.
18 – Tom Hanks está velhinho e repetitivo...
17 – Audrey Tautou não aparece pelada.
16 – O Leonardo Da Vinci não aparece no filme.
15 – O Dan Brown já tá rico demais e não precisa do seu dinheirinho na compra do ingresso.
14 – Não dá pra acreditar que o velhinho, diretor do museu, com dois tiros no abdômen, consegue bolar três enigmas, escrevê-los em locais diferentes, esconder uma chave na fresta de um quadro, desenhar o homem vitruviano no chão, tirar a própria roupa e deitar pelado no mármore, tudo isso, antes de morrer!?! Não era mais fácil chamar uma ambulãncia?
13 – A chapinha do Tom Hanks foi inspirada nas madeixas da Mona Lisa.
12 – Ouvir os comentários “intelectuais do público saindo do cinema”: - Eu falei,
cara...Jesus era o maior pegador!... – eu sabia que Deus não existe...sempre soube!... -
A Mona Lisa é a Maria Madalena. E Leonardo Da Vinci é Jesus Cristo!!!
11 – Audrey Tautou não aparece pelada.
10 – As filas.
09 – O trânsito em Sâo Paulo que faz você chegar atrasado e te obriga a sentar no ‘gargarejo’...
08 – O preço do ingresso.
07 – As pessoas sem educação que ainda não conseguem desligar a %#$@*& do celular antes do filme começar.
06 – A parte mais interessante do livro, que são as referências "históricas" (a maior parte delas, mentira), passa tão rapidamente no filme que muita gente não entende atrás do que os protagonistas estão...
05 – A obrigação de, quando te perguntarem, ter que repetir pela enésima vez o clichê: “- Ah, o livro é muuuuuuuito melhor!...”
04 – A impossibilidade de usar a desculpa: “- Ah, mas eu não vi o filme!...” quando começarem aquelas conversas intelectualóides na mesa do bar sobre o papel da Opus Dei na ocultação da verdade sobre a vida sexual de Jesus Cristo...
03 – Ter que aceitar que um velhinho aleijado (o Magneto de X-Men) consegue subjugar todo mundo durante quase o filme inteiro usando apenas duas muletas.
02 – A Opus Dei do filme que parece Os Trapalhões com um Mussum albino e um bispo que é a cara do Zacarias...De tão atrapalhados, um mata o outro...
01 – Audrey Tautou não aparece pelada.
Código Da Vinci
Bem, muito já foi dito e escrito a respeito de O Código Da Vinci...
A melhor coisa que li foi a crítica do Sérgio Rizzo na Folha de quinta, 18 de maio.
Se não leu e quer mais informações a respeito do filme mais comentado do ano, taí...
FILME TEM ELENCO RUIM E ROTEIRO FRÁGIL E BUROCRÁTICO
Sérgio Rizzo - Crítico Da Folha
Primeiro, aos que leram "O Código Da Vinci": a adaptação para cinema não se resume apenas a jogar fora situações do romance, algo natural diante da impossibilidade de condensar toda a ação em 140 minutos. Há também uma série de variações -algumas pequenas, outras mais significativas, sobretudo no final.Pode ser que o roteirista Akiva Goldsman tenha preferido suas soluções às de Dan Brown, mas é provável que as alterações sirvam ao objetivo primordial de criar novidades para quem já conhece a trama e tende a encarar o filme com certa desconfiança.De qualquer forma, com Goldsman nunca se sabe: depois de perpetrar "Batman e Robin" (1997) e "Perdidos no Espaço" (1998), ele ganhou o Oscar de roteiro adaptado por "Uma Mente Brilhante" (2001) e assinou também "A Luta pela Esperança" (2005), os dois últimos em parceria com o diretor Ron Howard, que o trouxe para "Código".O que era "Uma Mente Brilhante"? Um filme de ator (e que ator: Russell Crowe) delineado em torno de um só personagem (e que personagem: gênio e maluco em doses cavalares). "O Código Da Vinci" tem arquitetura mais descentralizada: aventura com ações paralelas, meia dúzia de personagens relevantes para o encadeamento da trama.Para complicar, o pano de fundo de almanaque, conduzindo à obrigação de combinar ingredientes de história, religião e arte. Costumou-se dizer que o livro era um roteiro pronto, mas aí está o filme para demonstrar o contrário: quando segue o romance ao pé da letra, o resultado é burocrático e insatisfatório; quando procura escapar dele, frágil.A escolha do elenco tem sua cota de responsabilidade, claro. Tom Hanks e Audrey Tautou não foram capazes de fazer por seus personagens o que Ian McKellen e Jean Reno conseguem, ao usar os traços descritos por Dan Brown para compor figuras de identidade própria. Já Alfred Molina e Paul Bettany, a turma da Opus Dei, beiram o constrangimento.Agora, aos que não leram e não pretendem ler: "O Código Da Vinci" procura ser didático para não deixar ninguém com a sensação de que perdeu um pedaço importante da história. Na medida em que a correria permite, explica-se o essencial. O problema é que, neste caso, o essencial talvez seja pouco.Além disso, a pretensão de deixar tudo muito explicadinho soa escolar, no mau sentido do termo. Em vez de fluir naturalmente, a narrativa tem "legendas", por meio de diálogos que contam o que não se viu e de inserções ao estilo PowerPoint que resumem abruptamente informações e linhas de raciocínio.E, aos quem não leram o romance e não pretendem ver o filme exclusivamente por questões de fé: no final das contas, o discurso da adaptação para cinema é carola e inofensivo. Até a Opus Dei, vilanizada como instituição no livro, recebe tratamento mais moderado, quase gentil.Eis um filme com comportamento de candidato que acende uma vela para Deus e outra para o diabo em tempo de eleição: nem tanto à esquerda nem tanto à direita, muito pelo contrário. "O Código Da Vinci" quer ficar bem com todo mundo, mas é provável que essa ambição desmedida lhe renda o castigo de gerar descontentamento em todo mundo.
A melhor coisa que li foi a crítica do Sérgio Rizzo na Folha de quinta, 18 de maio.
Se não leu e quer mais informações a respeito do filme mais comentado do ano, taí...
FILME TEM ELENCO RUIM E ROTEIRO FRÁGIL E BUROCRÁTICO
Sérgio Rizzo - Crítico Da Folha
Primeiro, aos que leram "O Código Da Vinci": a adaptação para cinema não se resume apenas a jogar fora situações do romance, algo natural diante da impossibilidade de condensar toda a ação em 140 minutos. Há também uma série de variações -algumas pequenas, outras mais significativas, sobretudo no final.Pode ser que o roteirista Akiva Goldsman tenha preferido suas soluções às de Dan Brown, mas é provável que as alterações sirvam ao objetivo primordial de criar novidades para quem já conhece a trama e tende a encarar o filme com certa desconfiança.De qualquer forma, com Goldsman nunca se sabe: depois de perpetrar "Batman e Robin" (1997) e "Perdidos no Espaço" (1998), ele ganhou o Oscar de roteiro adaptado por "Uma Mente Brilhante" (2001) e assinou também "A Luta pela Esperança" (2005), os dois últimos em parceria com o diretor Ron Howard, que o trouxe para "Código".O que era "Uma Mente Brilhante"? Um filme de ator (e que ator: Russell Crowe) delineado em torno de um só personagem (e que personagem: gênio e maluco em doses cavalares). "O Código Da Vinci" tem arquitetura mais descentralizada: aventura com ações paralelas, meia dúzia de personagens relevantes para o encadeamento da trama.Para complicar, o pano de fundo de almanaque, conduzindo à obrigação de combinar ingredientes de história, religião e arte. Costumou-se dizer que o livro era um roteiro pronto, mas aí está o filme para demonstrar o contrário: quando segue o romance ao pé da letra, o resultado é burocrático e insatisfatório; quando procura escapar dele, frágil.A escolha do elenco tem sua cota de responsabilidade, claro. Tom Hanks e Audrey Tautou não foram capazes de fazer por seus personagens o que Ian McKellen e Jean Reno conseguem, ao usar os traços descritos por Dan Brown para compor figuras de identidade própria. Já Alfred Molina e Paul Bettany, a turma da Opus Dei, beiram o constrangimento.Agora, aos que não leram e não pretendem ler: "O Código Da Vinci" procura ser didático para não deixar ninguém com a sensação de que perdeu um pedaço importante da história. Na medida em que a correria permite, explica-se o essencial. O problema é que, neste caso, o essencial talvez seja pouco.Além disso, a pretensão de deixar tudo muito explicadinho soa escolar, no mau sentido do termo. Em vez de fluir naturalmente, a narrativa tem "legendas", por meio de diálogos que contam o que não se viu e de inserções ao estilo PowerPoint que resumem abruptamente informações e linhas de raciocínio.E, aos quem não leram o romance e não pretendem ver o filme exclusivamente por questões de fé: no final das contas, o discurso da adaptação para cinema é carola e inofensivo. Até a Opus Dei, vilanizada como instituição no livro, recebe tratamento mais moderado, quase gentil.Eis um filme com comportamento de candidato que acende uma vela para Deus e outra para o diabo em tempo de eleição: nem tanto à esquerda nem tanto à direita, muito pelo contrário. "O Código Da Vinci" quer ficar bem com todo mundo, mas é provável que essa ambição desmedida lhe renda o castigo de gerar descontentamento em todo mundo.
quinta-feira, 11 de maio de 2006
O cara é bom...

Quando saí do cinema depois de ver a este terceiro Missão Impossível fiquei me perguntando: - mas por que será que pegam tanto no pé do Tom Cruise?...O cara sempre foi tão críticado...qualquer coisa que faz vira motivo de piada, chacota...porque ele subiu no sofá da Oprah pra dizer que estava apaixonado disseram que era exagero, que era marketing...porque ele fez mais um filme com Spielberg, ele tinha intenções meramente comerciais...porque o cara é de uma religião diferente, então ele come placentas e proíbe a mulher de gritar no parto...
Tom Cruise nunca quis ser um Al Pacino, um Robert de Niro, um Jack Nicholson...assim como Steve McQueen nunca teve a pretensão de ser Lawrence Olivier.
Ele é um astro de filmes de ação e ninguém pode duvidar de que hoje é o mehor.
Um exemplo que ilustra bem a diferença entre astro e ator foi o episódio que aconteceu na coletiva de lançamento de Missão Impossível 3, em Roma. O recém premiado com o Oscar de melhor ator, Philip Seymour Hoffman estava respondendo a uma pergunta dos jornalistas quando Tom Cruise chegou, estava atrasado. A resposta do sr Hoffman ficou pela metade e a partir deste momento nenhuma outra pergunta foi dirigida a ele. Todos só queriam saber como foi para o sr Cruise fazer aquela cena, como está a filhinha e o casamento...
O cara é uma das maiores estrelas do cinema em todos os tempos.
E é bom ator quando quer...não se pode esquecer que quando fez Magnolia, um filme deslumbrante, o sr Cruise está especialmete bem...
Tudo tem sua hora e seu lugar e Missão Impossível 3 é um programaço pra quem tá procurando emoção, aventura, cenas incríveis e efeitos na dose certa!
Ação alucinante, cenas vertiginosas e o seu ponto forte: um roteiro bem amarrado. Coisa que há muito tempo falta nos 007's. Mérito do diretor J.J. Abrams que criou Lost e Alias, entende do negócio.
E é bom saber que tem gente de TV fazendo Cinema com tanto talento.
Vou ver de novo...e posso falar mais uma coisa: o cara é bom...
quinta-feira, 27 de abril de 2006
V...de Verborrágico...

Ah, dona Isabela...a história é bacana, vai...a direção de arte é caprichosa, a senhora tem que reconhecer...e assistir à história de alguém que luta contra a corrupção dos seus congressistas de forma tão impetuosa deveria ser inspirador num país mergulhado na letargia da indiferença diante do massacre diário na mídia de fatos tão indignos e revoltantes praticados pelos nossos congressistas da vida real.
O que mais me agradou em V foi a maneira como os meios de comunicação são dimensionados na história: nenhum líder, nenhum governante, nenhuma idéia avançará no futuro se não souber se valer da mídia.
O que mais incomoda em "V de Vingança" é o personagem principal declamando textos clássicos e frases de efeito a cada vez que abre a boca...Over!...
Mas gostei mais do que a Isabela Boscov que podia ter aproveitado melhor o espaço dela na Veja comparando o sonho do herói do filme que quer explodir o parlamento inglês com o nosso congresso de deputados que há muito tempo merecia uma bomba...
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Tom Cruise-Créééédo!!!
Acabei de ler em algum lugar que para cumprir as instruções de sua religião cientologista, Tom Cruise e sua Katie Holmes deveríam comer a placenta e o cordão umbilical do baby....?!?!?!
Mas será possível?...
Mas será possível?...
Clube da Lua
Muito legal esse filme que só confirma o talento dos nossos vizinhos argentinos que têm uma história de respeito no audiovisual...lembra muito o Filho da Noiva, filme anterior do mesmo diretor e com o mesmo autor...mesmo clima, astral, emoção...
É interessante notar o quanto a situação do povo argentino se assemelha a dos braisleiros que também vivem sob crise econômica, desemprego, etc....vale o ingresso...
Uma informação que não está no filme mas que é pra você pensar:
você sabia que há mais livrarias na CIDADE de Buenos Aires do que no PAÍS Brasil?...
Putz...
É interessante notar o quanto a situação do povo argentino se assemelha a dos braisleiros que também vivem sob crise econômica, desemprego, etc....vale o ingresso...
Uma informação que não está no filme mas que é pra você pensar:
você sabia que há mais livrarias na CIDADE de Buenos Aires do que no PAÍS Brasil?...
Putz...
segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Uma Vida Iluminada
Com um título desses pode-se deduzir o que esperar deste filme...poesia. E poesia de primeira...Um filme lindo, com cenários bucólicos, às vezes estilizados, tomadas rebuscadas, uma trilha sonora ao mesmo tempo cômica e nostálgica e um elenco sensacional!...
Elijah Wood (vestido de Clark Kent) assim como o superman, parece ter vindo de outro planeta. É um deslocado.
Talvez por isso mesmo, parta em busca, com tanto empenho, do significado de uma foto de seu avô, como que buscando um sentido para sua própria vida.
O avô de Jonathan é mais um imigrante que fugiu dos horrores da Europa na Segunda Guerra. E foi aqui que o filme mais me tocou...como tantos brasileiros também tenho avós que um dia saíram de seus países de origem e vieram para cá, a terra do Severino (putz...)...
Compreender nosso passado, conhecer a história de nossos ancestrais é algo que reforça nossa vida, trata-se de uma experiência enriquecedora, esclarecedora.
O filme, que poderia se chamar Procurando Augustine, mostra a viagem insólita de Jonathan para e pela Ucrânia. Como companheiros ele vai ter um velho que gosta de achar que é cego, de um jovem ucraniano que gosta de pensar que é um rapper americano e de um vira-lata "perturbado" que rouba a cena muitas vezes...
Muitas revelações surgirão e uma grande mensagem ficará na cabeça dos espectadores "iluminados":
nosso passado de alguma forma sempre estará presente com a gente.
Se me permitem uma humilde observação, acho que o filme tem muitos "finais"...demora para acontecer o The End...um problema que existe também (em um grau muito maior...) no último Senhor dos Anéis (o filme não acaba nunca?!...) do mesmo Elijah 'Frodo' Wood.
Mas que nem de longe ofusca esta fita "iluminada"... Assista!
quinta-feira, 10 de novembro de 2005
O Senhor das Armas
Cara, que filme!...Uma trama muito bem escrita...uma montagem de tirar o chapéu...uma sequência inicial de bater palmas...e um Nicolas Cage inspiradíssimo!...
Este é O Senhor das Armas (que podia ter sido traduzido ao pé-da-letra, The Lord Of War, O Senhor da Guerra). Um filme que com certeza não vai ter grande bilheteria nem muita repercussão...Nestes tempos de Dois Filhos de Francisco, O Senhor das Armas é muito pra cabeça da maioria dos espectadores...mas é um filmaço!
Faz a gente se envolver, se angustiar, faz a gente pensar...sim, porque há muita denúncia no seu enredo...aliás está aqui uma de suas grandes qualidades: mostrar escancaradamente os bastidores do comércio ilegal de armas, algo que todo mundo sabe que existe mas que nunca havia sido contado no cinema e de uma forma tão direta e sucinta.
Nicolas Cage faz um daqueles vilões que tem a mesma quantidade de cinismo e carisma, provocando um constrangimento saudável que nos leva a refletir sobre muitas questões (a turma do Sim no referendo devia ter assistido a este filme antes de aderir a uma causa tão inconsistente...). O tráfico de armas existe e sempre vai existir porque é do interesse dos mesmos governos que patrocinam campanhas milionárias a favor do desarmamento que as coisas continuem como estão.
Não espere por personagens previsíveis, finais felizes ou soluções politicamente corretas em O Senhor das Armas...
O filme é um soco no estômago! Mas um soco que muita gente deveria levar...
PS: se você não viu, assista antes ao documentário Fahrenheit 9/11 e depois vá ao cinema. Sua percepção do filme será maior...
sexta-feira, 30 de setembro de 2005
High Noon - Matar ou Morrer

Como é bom ver um filme antigo que não perde sua força com o passar do tempo!
Um roteiro enxuto, poucos diálogos e uma tensão crescente até o final do filme.
Tudo contado em tempo real (bem antes de Jack Bauer e suas 24Horas)!...
Estou falando de Matar ou Morrer. High Noon no original.
Alguns poucos momentos principalmente nas cenas de duelo ficaram um pouco datadas é verdade, mas a energia do filme continua intacta. Impossível não embarcar na ansiedade nervosa da história do xerife Kane que não recebe a ajuda de ninguém e vai enfrentar a morte sozinho.
O temido Frank Miller que chega no trem do meio-dia vem decidido a se vingar do homem que o colocou na cadeia: o delegado Will Kane.
Abandonado por todos, num primeiro momento até por sua esposa, Gary Cooper faz o velho herói clássico, solitário, que tem várias oportunidades de fugir mas se recusa a abandonar sua missão de proteger a cidade em que vivia dos foras-da-lei.
Matar ou Morrer. Feito em 1952 mas consegue se manter eletrizante até hoje.

